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Por Johny Mange

 

 

2 – Tirando a máscara das seitas que batizam somente “em nome de Jesus”

 

                a) O Monarquianismo Modalista. Uma leve variação do Monarquianismo (doutrina antitrinitária que se desenvolveu no segundo e terceiro séculos), o Monarquianismo Modalismo afirma que Deus se manifestou em três formas diferentes durante a História. De acordo com esta visão, desde que Deus é uma entidade única, não dividida em Três Pessoas como o Cristianismo ensina. Segundo os modalistas, Ele primeiro se manifestou como Pai, ou Criador. Na Encarnação, tornou-se Filho. E, como o Espírito Santo, é Santificador, Mestre e Consolador da Igreja. O Monarquianismo foi considerada uma seita herética, porque falhou em fazer a distinção entre a essência única da Divindade e as Três Pessoas da Trindade.[2]

 

Exame Bíblico

              A Bíblia ensina que existe um só Deus (Dt 6.4; 2Sm 7.22; Sl 86.10; Is 44.6; 1Co 8.4; Gl 3.20), quer dizer, uma só natureza ou essência; porém, nessa mesma essência, porquanto a unidade do Senhor é composta, e não absoluta, há Três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo (Mt 28.19). A Escritura testifica que o Pai é Deus (1Pd 1.2), o Filho é Deus (Jo 20.28; 1Jo 5.20) e o Espírito Santo é Deus (At 5.3,4), isto é — embora sejam Três Pessoas distintas, todas partilham (participam) de uma única essência ou natureza. Cada uma das Três Pessoas possui atributos da Divindade, pois são unidas em uma só essência, na plenitude de Deus: * Onipotência (2Cr 20.6; Mt 28.18; Rm 15.13,19); * Onipresença (Am 9.2,3; Mt 18.20; Sl 139.7-10); * Onisciência (Is 42.9; Cl 2.2,3; 1Pd 1.11; Ez 11.5); * Eternidade (Sl 90.2; Mq 5.2; Hb 9.14).

                O termo Trindade significa simplesmente “triunidade”. Deus não é uma unidade simples; há pluralidade na sua unidade. A Trindade é um dos grandes mistérios da fé cristã. Embora a palavra Trindade não apareça na Bíblia, isto não faz diferença, uma vez que seu conceito é claramente ensinado nela. Nem a palavra “Bíblia” aparece nas Escrituras, entretanto, o Cristianismo crê que a Bíblia — do grego biblos=livros santos, pelo latim medieval bíblia, é a palavra que, por volta do século II d.C., os primitivos cristãos usavam a fim de designar sua coleção de livros inspirados pelo Altíssimo, ou seja, as Escrituras Sagradas, a Palavra de Deus.

              A Trindade não é a crença de que Deus é Três Pessoas e apenas Uma Pessoa amo mesmo tempo e no mesmo sentido. Isso seria uma contradição. Pelo contrário, é a crença de que há Três Pessoas em uma natureza (ou uma essência).

         Afirmar que Deus tem uma essência e Três Pessoas quer dizer que Ele tem Um “Algo” e Três “Alguéns”. Os Três “Alguéns” (Pessoas) compartilham o mesmo Algo (essência ou natureza). Assim, Deus é uma unidade de essência com pluralidade de Pessoas. Cada Pessoa é diferente, mas todas compartilham, a saber, participam unanimemente de uma natureza comum.[3]  

 

A Trindade é anterior ao Concílio de Niceia. A palavra Trindade trata-se de um termo teológico, usado pela primeira vez no século II por Teófilo de Antioquia e popularizado por Tertuliano.[4] Mas que diremos dos cristãos primitivos? Muito antes do concílio de Niceia tratar especificamente da questão, em 325 d.C., veja as citações dos primitivos cristãos, em que eles criam:

 

  • “Os cristãos adoram o Pai, o Filho e o Espírito Santo”.

  • “Pois Deus apenas é sem pecado; e só um homem sem pecado é Cristo,

o que indica que Cristo é também Deus”.

  • “De tudo o que aprendemos da Pessoa do Espírito Santo era de tal

autoridade e dignidade que o batismo de salvação não era completo senão pela autoridade da mais excelente Trindade, isto é, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo...

  • “Oro pela sua felicidade para sempre ao nosso Deus, Jesus Cristo”.

  • “Perfeito Deus e perfeito homem”.[5]

 

A Trindade não é origem do paganismo. A doutrina cristã da Trindade não tem origem pagã. As religiões pagãs eram panteístas (tudo é Deus, e Deus é Tudo) e politeístas (adoravam vários deuses), mas os trinitários são monoteístas (adoram Um só Deus — o único e o verdadeiro, Jo 17.3). Os trinitários são são triteístas que acreditam em três deuses separados; eles são monoteístas que acreditam num Deus manifestos em Três Pessoas distintas.[6]

               Em suma, a Trindade Divina é provada em toda a Bíblia:

  • A Trindade é revelada na criação do homem (Gn 1.26 comp. Ne 9.6; Jo 1.1-3; Jó 33.4);

  • A Trindade presente na queda do homem (Gn 3.22);

  • A Trindade operando na confusão das línguas (Gn 11.7);

  • O uso da palavra hebraica echad — único (em port.) — que denota uma unidade composta, e não absoluta; isto é, mais de uma Pessoa na mesma essência (Dt 6.4 comp. Gn 2.24);

  • Os ensinamentos do rei Agur, a revelar o Filho de Deus (Pv 30.4);

  • A Trindade na visão de Isaías (Is 6.1,3,8-10 comp. Jo 12.39-41; At 28.25-27);

  • O diálogo divino das Três Pessoas Divinas nos Salmos, que usou a

forma plural (Sl 110.1 comp. Mc 12.36);

  • A Trindade na bênção sacerdotal (Nm 6.24-26 comp. 2Co 13.13);

  • A Trindade no batismo de Jesus (Mt 3.16,17);

  • A Trindade na fórmula batismal (Mt 28.19);

  • A Trindade na distribuição dos dons (1Co 12.4-6);

  • A Trindade na unidade da Igreja (Ef 4.4-6);

  • A Trindade na bênção apostólica (2Co 13.13);

  • A Trindade na saudação de Pedro (1Pd 1.2);

  • A Trindade na admoestação da Epístola de Judas (Jd vv.20,21).

 

               b) Sabélio, um caso bem antigo. Sabélio é o mais famoso representante do modalismo, ou unicismo. Ele viveu em 230 d.C. e foi um ardente defensor dessa doutrina, além de refiná-la. Para ele, Deus assumira três fases ou manifestações, mas não três pessoas. A doutrina sabeliana acabou desenvolvendo o patripassionismo, ensino que asseverava que os sofrimentos do Deus-Filho recaía necessariamente sobre o Deus-Pai. Sabélio usava a palavra “pessoa” para cada Pessoa da Divindade. Mas, para ele, pessoa tinha o sentido de máscara ou de manifestações diferentes de uma mesma Pessoa Divina. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são nomes de três estágios ou fases diferentes. Deus era o Pai na criação e na promulgação da lei, Filho na encarnação e Espírito Santo na regeneração.[7]

 

Exame Bíblico

          As Escrituras são abundantemente claras e mostram que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são Pessoas distintas. Por exemplo, está claro que Jesus não é o Pai, pois o Pai enviou o Filho (Jo 6.57; Gl 4.4). O Pai e o Filho se amam (Jo 3.35). O Pai e o Filho falam um com o outro (Jo 11.41,42). O Pai conhece o Filho, e o Filho conhece o Pai (Mt 11.27). Jesus é o nosso advogado junto ao Pai (1Jo 2.1). O Pai deu testemunho do Filho (Jo 8.16,17). O Pai selou, honrou, glorificou e ensinou o Filho (Jo 6.27; 8.54; 12.27,28; 8.28). O Pai ungiu, deleitou-se, ouviu, ofereceu e se satisfez no Filho (Jo 3.34; Mt 3.17; 26.53; Rm 8.32; Jo 8.29). Além do mais, está claro que Jesus não é o Espírito Santo, pois foi dito que o Espírito Santo é outro Consolador (Jo 14.16). Jesus e o Pai enviaram o Espírito Santo (Jo 15.26). O Espírito Santo desceu dias após a glorificação de Jesus, nas alturas (Jo 7.39,40; At 2.33). O Espírito Santo procura glorificar Jesus (Jo 16.13,14). O Espírito Santo desceu sobre Jesus (Lc 3.22). Quem blasfemar contra o Filho obtém perdão, porém quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca receberá perdão (Mt 12.31,32). Nem o Pai é o Espírito Santo, pois o Pai enviou o Santo Espírito (Jo 14.16; 15.26). E o Espírito intercede por nós junto ao Pai (Rm 8.26,27). Estêvão cheio do Espírito Santo (At 7.55) viu o Filho à destra do Pai (At 7.56).[8]  

 

Textos usados pelos unicistas. Todas as seitas pinçam a Bíblia aqui e ali em busca de subsídios para consubstanciar suas heresias e assim poderem dar às suas doutrinas uma roupagem bíblica.

  • Isaías 9.6 — A expressão “Pai da eternidade” (Is 9.6) não afirma que o Filho seja o Deus-Pai. Ele é Pai de algo, nesse caso, da eternidade, visto que, dela, é o Senhor, a fonte, a origem, tendo em Si mesmo o direito de concedê-la por Sua morte e ressurreição (Jo 6.40,47,68; 1Jo 5.11,12,20; Rm 5.21; Hb 5.9). Assim Ele pode dar a vida eterna aos que nEle crêem (Hb 7.25). Jesus é o Filho do Pai, e ponto final (2Jo v.3; Pv 30.4).

  • João 10.30 — Costumam citar João 10.30: “Eu e o Pai somos um”.

Contudo, no grego, esse texto é Ego kai ho pater hen esmen. Essa passagem prova que Jesus é Deus absoluto igual ao Pai, e não a mesma Pessoa do Pai. “Um”, no grego, nesse versículo, está no neutro — hen — e não no masculino (heis), e mostra assim duas pessoas numa só Divindade (essência ou natureza). Além disso, o verbo está no plural “somos”, e não no singular “sou”. Portanto, Pai e Filho não são a mesma Pessoa. O Espírito Santo é assunto registrado em outras passagens, principalmente nos capítulos 14,15 e 16 de João. Ele é “outro” — quer dizer, diferente ou distinto (do que já foi mencionado) — Consolador (Jo 14.16).

  • João 14.8 e 9 — Jesus disse a Filipe: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo

14.8,9). Isso foi usado pelo próprio Sabélio para consubstanciar o seu unicismo. Esta passagem, como a de João 10.30, é ainda hoje usada pelos modernos sabelianistas para justificar a sua falsa doutrina, O versículo seguinte destrói completamente os argumentos sabelianistas: “As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras” (v. 10).[9]

             A doutrina de Sabélio (que continuou nos modalistas de hoje) é estúpida e ignorante, e possui a capacidade limitada de entender a Palavra, ou seus adeptos “têm olhos para ver e não vêem, e tem ouvidos para ouvir e não ouvem; porque eles são casa rebelde” (Ez 12.2).

 

         c) As seitas modalistas da atualidade. Sob a mesma ótica do Modalismo antigo, há denominações, hoje, que apregoam que existe uma só Pessoa na Divindade, e Esta é Jesus, para eles, cujo se manifestou em três diferentes modos da História, negando, assim, a doutrina da Trindade. Sob essa mesma bandeira de Sabélio, e por assim crerem, acresceram-lhe meramente o batismo de seus adeptos apenas “em nome de Jesus”. Decerto, tais igrejas são seitas heréticas que profanam a natureza de Deus e o mandamento deixado por Jesus, dentre as quais: Igreja Voz da Verdade (que tem um conjunto que possui o mesmo nome), Tabernáculo da Fé, Igreja Pentecostal Unida do Brasil, Igreja Pentecostal Apostólica, Só Jesus, Testemunhas de Yehoshua, etc.

               Trazendo à tona o modalismo delas, e a confirmação de que batizam só “em nome de Jesus”, eis alguns exemplos:

 

  • Voz da Verdade: Vale a pena lembrar que a história nos conta que até o quarto século, a igreja batizava EM NOME DE JESUS, porém o método do batismo foi mudado no Concílio de Niceia (da igreja católica Romana, no ano 325 AD) mudando com isso o batismo em nome de Jesus,para as manifestações de Deus: PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO [...] Ora, seria impossível que nesse momento tão importante para Deus, na conclusão do Plano da Redenção, que Pedro e os demais apóstolos tivessem "errado" ou cometido algum engano ao expressar-se dessa maneira, não batizando em Nome do Pai, Filho e Espírito Santo, e sim apenas EM NOME DE JESUS.[10]

 

  • Tabernáculo da Fé: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus é a principal pedra de esquina”. Efésios 2:20. Em lugar nenhum encontramos que eles batizaram repetindo as palavras: "Em Nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo." Pelo contrário, eles apenas batizaram em nome do Senhor Jesus Cristo; eles cumpriram a ordem do Senhor em Mateus 28:19. Pois ali Jesus não indicou aos apóstolos que usassem estas palavras como uma fórmula. Ele ordenou o batismo usando o Nome [...] Aqui somos animados a considerar as palavras dos santos profetas e o mandamento dos apóstolos, e o apóstolo Pedro ordenou que o batismo fosse em Nome do Senhor Jesus Cristo. O senso comum lhe dirá que o livro dos Atos é a Igreja em ação; e se a batizaram, então assim é como se deve batizar.[11]

 

  • Igreja Pentecostal Unida do Brasil: O BATISMO NAS ÁGUAS — O batismo de acordo com as Escrituras é feito por imersão, e só devem passar por ele aqueles que estão completamente arrependidos, havendo deixado os seus pecados e renegado o seu amor ao mundo. Deve ser realizado por um ministro do evangelho devidamente autorizado, em obediência à Palavra de Deus, e em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, de acordo com os Atos dos Apóstolos 2:38; 8:16; 10:48; 19:5; assim obedecendo e cumprindo Mateus 28:19.[12]

 

 

              d) As seitas modalistas e os textos de Atos. Na tentativa de provar o batismo “em nome de Jesus”, as seitas modalistas usam quatro passagens de Atos dos Apóstolos para consubstanciar essa crença (2.38; 8.16; 10.48; 19.5).

 

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Bibliografia

 

[2] MATHER, George A.; NICHOLS, Larry A. Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. 2.ª imp. São Paulo: Vida, 2000, p. 300, adaptado.

 

[3] GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida, 2002, pp. 834-836.

 

[4] MARTIN, Walter. O Império das Seitas: Vol. IV. Belo Horizonte: Betânia, 1993, p. 98.

 

[5] Nicene Fathers-Eerdmans (Pub. Co, 1979), apud RINALDI, Natanael; ROMEIRO, Paulo. Desmascarando as Seitas. 8.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 262.

 

[6] Enciclopédia de Apologética, p. 607.

 

[7] RINALDI, Natanael. Resposta ao CD “Voz da Verdade”. Instituto Cristão de Pesquisas. Disponível em: <http://www.icp.com.br/50materia1.asp>. Acesso em: 3 ago. 2014, adaptado.

 

[8] GEISLER, Norman L.; RHODES, Ron. Resposta às Seitas: Um manual popular sobre as interpretações equivocadas das seitas. 2.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 214, texto adaptado.

 

[9] SILVA, Esequias Soares da. Seitas Modalistas. Lições Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, pp. 23-27, 2.º trimestre de 1997, adaptado.

     RINALDI, Natanael. Seitas Modalistas. Centro Apologético Cristão de Pesquisas. Disponível em: <http://www.cacp.org.br/seitas-modalistas/>. Acesso em 3 ago. 2014, adaptado.

 

[10] CARELLI, Nilton. O Batismo em Nome de Jesus. Santo André: Voz da Verdade (site oficial). Disponível em: <http://www.vozdaverdade.com.br/estudos/>. Acesso em: 3 ago. 2014.

 

[11] Pontos Doutrinários. Tabernáculo da Fé. Disponível em: <http://www.apalavraoriginal.org.br/pdoutrinarios.php>. Acesso em: 3 ago. 2014.

 

[12] O que Acreditamos: Artigo de Fé. Distrito Federal: Igreja Pentecostal Unida do Brasil. Disponível em: <http://ipubdf.com.br/o-que-nos-acreditamos/>. Acesso em: 3 ago. 2014.

A Fórmula Batismal e o Desmoronamento da Doutrina Unicista