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Por Johny Mange

 

            d) Mulher grávida, e com dores de parto, com ânsias de dar à luz (v.2). Israel — nação de onde veio o Salvador do mundo — tem sofrido, passado lutas e perseguições horrendas até os dias de hoje, tal como a destruição de Jerusalém (em 70 d.C.), o Holocausto (de Adolf Hitler), a Guerra dos Seis Dias, etc. Até mesmo o Antigo Testamento já previa isso: Como a mulher grávida, quando está próxima a sua hora, tem dores de parto, e dá gritos nas suas dores, assim fomos nós por causa da tua face, ó Senhor! (Is 26.17).

 

            e) O dragão avermelhado (v.3). Sem sombra de dúvida, é Satanás (Ap 12.9; Is 27.1). É chamado de “grande”, pois é o “deus deste século” e possui força destruidora (2Co 4.4; 1Pd 5.8); é vermelho, uma vez que é violento, derrama sangue dos inocentes e faz guerra entre os homens (Jo 10.10; Ap 6.4); possui dez chifres, porque se refere à ditadura do Anticristo na Grande Tribulação, que será erguido política e economicamente por dez homens (governos ou bases de administração) influentes, cujos darão base total ao seu império: E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta (Ap 17.12); tem sete cabeças com dez diademas, pois denotam a autoridade que exerce sobre os reinos do mundo. Satanás dará esse mesmo poder ao Anticristo: “o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio” (Ap 13.2). Deste jeito, os homens se prostrarão diante dele e o servirão.

 

           f) E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu (v.4). A cauda concerne à astúcia, à sutileza de Satanás e ao seu baixo caráter. Ele é engenhoso e engana sorrateiramente (Is 9.15). Assim, quando era querubim da guarda, enganou a terça parte dos anjos no céu, e com a sua queda, arrastou-a após si (Ez 28.14; Is 14.12-15; Jd v.6; 2Pd 2.4). Os anjos na Escritura, às vezes, são mencionados como estrelas (Jó 38.7; 25.5; Jz 5.20).

 

            g) O Menino que regerá as nações (v.5). Ele é percebido nestas passagens: Recitarei o decreto: O Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2.7); E com vara de ferro as regerá: e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai (Ap 2.27). Compare agora estas com o que diz Apocalipse 12.5. E deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. Quem Ele é? Jesus Cristo, o Filho de Deus! Além do mais, Ele quem veio de Israel; sua genealogia, quando feito carne, era judaica: Nasceu Jesus, que se chama o Cristo. De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são catorze gerações; e desde Davi até à deportação para a Babilônia, catorze gerações; e desde a deportação para a Babilônia até Cristo, catorze gerações (Mt 1.16,17). Por isso, é o “Leão da Tribo de Judá e a Raiz de Davi” (Ap 5.5).

 

           h) E seu filho foi arrebatado para Deus e para o Seu trono (v.5). Cristo, ​após levantar da sepultura, ressuscitado em corpo (Jo 2.19-21; Lc 24.1-12), vencendo definitivamente os aguilhões da morte (Ap 1.18; 1Co 15.55), ascendeu gloriosamente ao céu e assentou-se sobre o Seu trono (At 1.9-11; At 2.30). Ao que vencer lhe concederei que se assente Comigo no Meu trono; assim como Eu venci, e me assentei com Meu Pai no Seu trono (Ap 3.21).

 

            i) E a mulher fugiu para o deserto (v.6). Segundo as Escrituras “haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo” (Dn 12.1). Terá sete anos (Dn 9.27 – esta semana profética representa sete anos, pois é a ultima parte das Setentas Semanas) – divididos em duas partes de três anos e meio cada. Os últimos três anos e meio são os piores dias da história humana: a Grande Tribulação (Mt 24.21; Ap cap. 6 ao 18). Esse período é descrito nas Escrituras por estas expressões: 1260 dias (Ap 12.6,14; 11.3), 42 meses (Ap 11.2; 13.5) e “um tempo, tempos e metade de um tempo” (Ap 12.4; Dn 7.25). Após os primeiros três anos e meio, o Anticristo, incitado pelo Diabo, quebra o pacto de paz feito com os judeus (cf. Dn 9.27; Is 28.15). Por isso que é dito que “a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias” (Ap 12.6). Ou seja, os judeus fugirão do Anticristo para os deserto e montes (Mt 24.15-21; Ap 12.6), mas o Senhor os preservará por três anos e meio, os quais correspondem a 1260 dias. Por que tal fuga? O Anticristo se assentará no templo querendo ser adorado como Deus (2Ts 2.3,4) e o povo de Israel contemplará a abominação no lugar santo (Mt 24.15; Dn 11.31); decerto, eles não adorarão outro deus, senão o Deus da Bíblia! (Dt 6.4).

 

            j) A batalha no céu e a precipitação de Satanás (vv.7-12). Hoje o quartel-general de Satanás é nas regiões celestiais (Ef 2.2; 6.12), porém, de acordo com Apocalipse 12.7-12, no meio da Tribulação, ele será lançado de lá e passará a operar precisamente na Terra por meio da trindade satânica (Ap 16.13; 20.10), a concentrar de forma direta a sua atuação contra os moradores da terra (Ap 12.12). Enquanto ocorre a guerra na terra entre o Anticristo e os dez reis, também há uma guerra ocorrendo no céu. O conflito entre o arcanjo Miguel e suas forças e o Arqui-inimigo de Deus, Satanás, e seus anjos. Miguel será vitorioso, pois clamará o sangue do Senhor Jesus, e os demônios serão lançados e confinados à terra. O confinamento de Satanás traz dois resultados:

            Primeiro, o relativo acesso de Satanás é removido e ele não mais poderá ficar diante do Trono de Deus e ser o acusador dos Seus servos (Jó 1.6; Zc 3.1,2). Por isso, haverá muito regozijo no céu (Ap 12.10-12). Quem regozijará? Os santos que subiram no Arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16,17; 1Co 15.51,52), que se dará antes da Tribulação (1Ts 1.10; Lc 34-36; 2Ts 2.3,7,8; Ap 3.10), e os santos mártires da Grande Tribulação (Ap 13.7,10; 15.2; 7.9-14; Dn 11.33-35), uma vez que estão diante do Cordeiro (cf. Ap 12.11,12).

           Segundo, Satã estará cheio de ira contumaz (Ap 12.12). Sua ira é devido ao fato de saber que lhe resta pouco tempo. Quanto daria este “pouco tempo”? 1260 dias, que correspondem aos últimos três anos e meio da Grande Tribulação (Ap 12.6,12). Por causa da cólera do Diabo é dito: “Ai da terra e do mar” (Ap 12.12). Nessa altura, o verdadeiro caráter e a intenção do Anticristo são revelados na chamada “abominação da desolação” (Mt 24.15; Dn 11.31). E, nesse tempo, inicia-se a terrível perseguição contra os judeus.

 

           k) Duas asas de grande águia (v.14). Com a queda de Satã das regiões celestiais, ele passará a perseguir brutalmente o povo judeu, instigando o Anticristo e as nações para dar cabo de Israel (Ap 12.13). Por consequência, Israel ganha “duas asas de grande águia”, quer dizer, representam o livramento do Todo-Poderoso. O Eterno o conduzirá a um lugar a fim de livrá-lo de Satã. Lá estará protegido contra o mal (Ex 19.4; Sl 27.5; Sl 91.1,4).

 

            l) A serpente lançou água na mulher (v.15). A água, à semelhança do rio, que o dragão (Satã) lança contra a mulher (Israel), são “povos, nações e línguas” (Ap 12.14; 17.15). Ou seja, as nações se levantarão contra Israel por se recusar a adorar o Anticristo e a receber a marca da Besta (2Ts 2.4; Ap 13.16-18).

 

            m) “a terra ajudou a mulher... tragou o rio” (v.16) — Isso tange à interveniência de Deus a favor dos judeus (cf. Rm 11.25-27). O Senhor Jesus, vindo nos ares com a Igreja (Jd v.14; Cl 3.4; Ap 19.11-21; Zc 14.4,5), livrará Israel por meio de Seu Glorioso Retorno (Zc 14.2-9), visto que os judeus O verão nos céus com Seus exércitos, o mesmo que eles traspassaram; de modo que receberão o Espírito Santo e confessarão a salvação que só pode ser concedida mediante a Pessoa de Cristo! (Zc 12.10; Ap 1.7). Consequentemente, Jesus amarrará a Besta do mar (o Anticristo) e o Falso Profeta, lançando-os no Lago de Fogo, também destruirá os exércitos contrários a Israel (Ap 19.20). Assim, Israel é livre e entra no gozo do Milênio com Cristo (Ap 20.1-6; Is cap. 35; cap 11; Dn 2.44, etc.).

 

 

Conclusão

            As provas bíblicas são incontestáveis: a “mulher” de Apocalipse 12 não é a Igreja, e muito menos Maria...

            Representa, certamente, segundo a Palavra Profética, os remanescentes que o Altíssimo levantará na Grande Tribulação: “E o dragão irou-se contra a mulher [Israel], e foi fazer guerra ao resto da sua semente [os judeus, qual seja, os remanescentes que se levantarão na Grande Tribulação], os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus”.

            A Bíblia, que interpreta a Si própria (e fala por Si), é aquela que assegura tal asserção: “Assim, pois, a Palavra do Senhor lhes será mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali” (Is 28.13). Quando o cristão procura interpretá-la diante de outros textos claros, jamais será conduzido a heresias, como as que foram apresentadas e respondidas no estudo em apreço.

            Por isso, foi de suma importância o esclarecimento da verdadeira identidade da “mulher” de Apocalipse 12, uma vez que, para haver real compreensão da revelação profética das Escrituras concernente ao fim dos tempos, é indispensável que se tenha em mente o papel de Israel no cenário da profecia.

 

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Bibliografia

 

1. COFFEY, Tony. Resposta às Perguntas que os Católicos Costumam Fazer. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pág. 197.

 

2. Revista Família Cristã. São Paulo: Paulinas, p. 8, outubro de 2004 (ênfase acrescentada).

 

3. PESCH, Léo (Padre). Parusia: A Segunda Vinda de Jesus. Campinas: Raboni, 1995, págs. 64,65.

 

4. SOARES, Matos. Bíblia Sagrada. 3.ª Ed. São Paulo: Paulinas, 1989, pág. 1349, nota de rodapé.

 

5. HUNT, Dave. O Dia do Juízo! — O Islã, Israel e as Nações. Porto Alegre: Actual, 2007, págs. 279,290,404,405, adaptado.

 

6. O Dia do Juízo!, págs. 293,294,297,298, adaptado.

 

7. ICE, Thomas; DEMY, Timothy. Profecias de A a Z. Porto Alegre: Actual, 2003, págs. 170,171, adaptado.

Maria, a “mulher” de Apocalipse 12? A inconsistente doutrina da Igreja Romana