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Por Johny Mange

 

4 – Os Alimentos do Natal

 

           a) O Panetone. "Panetone" — do italianismo panettone — é um bolo ou pão redondo e alto, típico da culinária italiana, feito de massa fermentada com ovos, leite, manteiga açúcar, frutas cristalizadas e passas. O tradicional bolo com frutas secas chegou ao Brasil com os imigrantes italianos, após a Segunda Guerra Mundial (1945). Uma das versões mais aceita do surgimento desse quitute (iguaria delicada, saborosa e bem-feita), conta que o padeiro italiano Tôni inventou uma receita de pão e resolveu apelidá-lo de "Pane di Tone" — pão de Tôni —, cuja aglutinação dá-se o famoso "panetone".

           Anterior à associação com a data, tal pão ou bolo já era típico da cozinha italiana, e não tencionava sua inserção na festividade do Natal; todavia, ainda assim, precisamos ter precaução. A Bíblia diz: Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira (Jr 7.18; 44.19). Em Yule havia um bolo de frutas como parte da comemoração, mas, como se sabe, não é o panetone, cujo não foi produzido para a festa do Natal. Embora sem ligação, englobaram-no no dia pagão do Natal.

           É digno de nota que a "rainha dos céus" era o nome dado a Astarote — mulher de Baal, na cultura cananita. É a mesma Semíramis, mãe e mulher de Ninrode (em Babel); no entanto, com outro nome entre os cananeus.

 

           b) Porco-selvagem assado e comido em Yule.  Costumava-se, em Yule, matar um porco-selvagem e comê-lo com familiares e amigos. Dois textos nórdicos do século 13 d.C., falam sobre os costumes que envolvem a noite do solstício, no hemisfério norte:

 

“E eles sacrificavam um porco-selvagem ou sonarblót. Na véspera de Yule o porco-selvagem, sonarblót, era conduzido ao salão perante o rei; as pessoas então colocavam as mãos nos seus pelos e faziam votos” (Hervarar saga ok Heiðreks).

 

 “Naquela noite os grandes votos eram tomados; o porco-selvagem sagrado era trazido para dentro, os homens punham as suas mãos sobre ele, e faziam votos quando o rei brindava” (Helgakviða Hjörvarðssonar).

 

           O porco-selvagem de antigamente — sacrificado, assado e comido no dia de Yule — representa, nos dias de hoje, os mesmos perus, pernis, chesters, etc., assados e comidos no dia de Natal.

 

           c) Consumir os alimentos associados ao Natal, conforme uma perspectiva bíblica e cristã. Diante da história do paganismo infiltrado no Natal, podemos comer os alimentos atrelados a ele? Teria pecado nisso? E o panetone, o pernil, o chester, o frango e o peru? Hemos de comer? O que faremos?

           Pois bem, diferentemente das velas, da guirlanda, do azevinho, da árvore, do Papai Noel, do amigo-secreto, cujas exposições revelam adoração, aceitamento e prostração ao deus-sol; esses ornatos já

remeterão a isso, quer o histórico persa, quer o cananita, quer o babilônico, quer o grego, quer o romano, quer o saxão, quer o nórdico.

Logo, a Palavra de Deus salienta: "Não aprendais o caminho das nações [...] Porque os costumes dos povos são vaidade" (Jr 10.2,3); "Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada

imundo, e eu vos receberei" (2Co 6.17).

           Referente ao panetone, ao pernil, ao peru, ao frango, ao chester, já que são alimentos, e estes são criados pelo Senhor (cf. Sl 104.14,15; 1Tm 4.4,5), e não estão entre os alimentos condenados pelo Senhor quando consumidos nos outros dias (At 15.20,29; Ef 5.18); portanto, podem ser comidos fora do dia consagrado ao deus-sol — 25 de dezembro. Caso se coma no dia do Natal, há de ter estrita ligação com oferenda aos ídolos, com rituais pagãos da Brumália, da Saturnália, da Festa Mitraica, de Yule, e, consequentemente, com sacrifício a Satanás, personificado em Tamuz, Hórus, Baal, Odin, Éros, Júpiter, Mitra. Quanto a isso, esta é a opinião das Escrituras: Vede a Israel segundo a carne: os que comem os sacrifícios não são porventura participantes do altar? Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?Antes, digo que as coisas as quais os gentios sacrificam, sacrificam-nas aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios (1Co 10.20,21).

           "Não é errado comê-los, pois ninguém come sacrificando aos rituais pagãos sobreditos" — alguém pode ponderar; isso é até aceitável.

Mas, o problema de tudo, é que uma vez descoberta a origem, a representação e a forma como foi imposta tal festividade à Igreja Cristã, o que também nos condenará a comer é a nossa consciência. Naquele momento a nossa mente não se voltará para a realidade dos fatos? Não será lembrado o histórico e a associação de tais alimentos às oferendas, as quais eram feitas nessa data? A consciência, uma vez aprendida a verdade, não nos acusará? Face ao exposto: "Porque, se alguém te vir a ti, que tens ciência, sentado à mesa do templo dos ídolos, não será a consciência do fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos ídolos?

E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo. Pelo que, se o manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão se não escandalize" (1Co 8.10-13). Portanto, caso a mente acuse, fique com essa palavra de admoestação. 

 

 

Conclusão

           A passagem de Lucas 2.8 é de forte elucidação para provar que Cristo não nasceu em dezembro: "Havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho". Em Israel, os últimos meses do ano era o inverno — tempo de fortes chuvas, ventos e frio. Veja Esdras 10.9 e 13. Ora, em se tratando dum inverno tão rigoroso assim, não há como pensar em pastores que guardavam suas ovelhas e cabras somente à noite; entretanto, o certo é que as guardariam o tempo todo — sob grandes pedras ou abrigos.

           Além do quê, César Augusto convocou um recenseamento nos dias do nascimento de Cristo (Lc 2.1-7). Logo, jamais o faria no inverno, pois a locomoção para o censo, por conta do inverno, chuvas e tempestades, seria impossível. Geralmente, esses recenseamentos eram feitos após as colheitas, quando não havia danos sérios à economia, o tempo era bom e as estradas estavam ainda secas, permitindo viagens mais fáceis.

           Igualmente, existem muitas mentiras, por causa do Natal, associadas ao nascimento do Senhor Jesus. Os presépios mostram três magos do Oriente oferecendo presentes ao Menino Jesus, na manjedoura. Entre os gregos, chamavam-se "magos" as pessoas sábias e estudiosas, que se dedicavam ao estudo das coisas celestiais, naturais e espirituais; por isso, os "magos", de Mateus 2.11, eram tão somente "sábios", e não têm a ver com o mesmo sentido da palavra "mago" à qual conhecemos — feiticeiros, encantadores, bruxos ou mágicos.

           Os magos presentearam a Jesus Cristo em casa e algum tempo (semanas ou meses) depois de Ele nascer, e não na manjedoura (cf. Mt 2.11,16). Ué! não eram três magos? Ué! não se chamavam Baltasar, Melchior e Gaspar (dois brancos e um negro, respectivamente)? Com efeito, há duas tradições sobre os magos, uma oriental, de doze sábios, e adotada pela Igreja Oriental, e outra de três. Quem fixou esse número, de três, foi Helena, mãe do imperador Constantino, no século IV. Os nomes decorrem de lendas narradas por 'Beda, o Venerável', em 735 d.C.

 

           Tudo isso não passa de lendas, interpolações e tradições antibíblicas: Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens [...] Invalidando assim a Palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas (Mc 7.8,13). Querer dizer que o amigo-oculto é sustentado pela passagem dos magos é camisa de força! Era costume oriental não se apresentar aos reis ou às pessoas importantes de mãos vazias. O amigo-secreto tem a ver com os costumes pagãos de troca de presentes

nos festivais do deus-sol, como vimos.

Em suma, haja vista que o Natal não é uma "simples reunião de família" como nos contestam os falsificadores da Palavra de Deus (2Co 2.17). A verdade é que os tais já venderam as suas almas a Satanás e não querem deixar o paganismo, pois ―nada é puro para os contaminados e infiéis: antes o seu entendimento e consciência estão contaminados‖ (Tt 1.15). Para os tais, este conselho: "Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus"

(2Co 7:1).

           Concernente ao Natal, é dito na própria Enciclopédia Católica, de 1911: "A festa do Natal não estava incluída entre as primeiras festividades da Igreja [...] Os primeiros indícios dela são provenientes do Egito [...] Os cultos pagãos relacionados com o princípio do ano se concentram na festa do Natal". A Enciclopédia Barsa, de 1998, ressalta que a data de 25 de dezembro, aplicada ao nascimento de Jesus, foi fixada "a fim de  cristianizar grandes festas pagãs realizadas neste dia".

           Famílias não são unidas por costumes enraizados no paganismo. Quem assim pensa é tolo, obtuso e cabeça-dura! As famílias precisam firmar-se na Palavra de Deus (Sl 128; Dt 6.4-9; Cl 3.18-24). Aquilo que

não é firmado nas Escrituras despencará (Mt 7.26,27). Doa a quem doer, este é o dever dos lares cristãos: "Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade" (1Tm 4.7). 

           Famílias que comemoram a festa pagã do Natal, pagãs são também! ―Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de aborrecer um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom" (Lc 16.13). 

           Dizer "Natal" é anticristão, antibíblico, mundanismo e pecaminoso, por três razões:

           1) "Natal" significa "nascimento", mas, como vimos acima, o Senhor Jesus não nasceu nessa data; tal data é aniversário do deus-sol e dia de festivais pagãs aos deuses, à natureza, ao sol, no solstício de inverno. No entanto, a Escritura enfatiza: "o que se desboca em mentiras é enganador [...] Maldito seja o enganador" (Pv 14.25; Ml 1.14);

           2) Essa data se originou em Constantino, em 313 d.C., que aniversariou "Jesus" na mesma data de seu ídolo: o Sol Invencível – deus Mitra, e foi oficializada pelo bispo Libério, em 354 d.C. Todavia, os apóstolos desconheciam essa data. A Bíblia ordena celebrar é a morte de Jesus (1Co 11.23-26). E mais: "Que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?" (2Co 6.15); e 

           3) Se Jesus provadamente não nasceu nessa data, se tal dia é associado a um falso deus e a rituais demoníacos, como associá-lo ao Senhor Jesus Cristo? Não estaríamos mentindo? "Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros" (Ef 4:25). Por isso, a felicitação "feliz Natal" é danosa à nossa fé: "Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o Adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós" (Tt 2:8).

 

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Bibliografia

 

MANGE, Johny. O Paganismo do Natal. Disponível em: <http://www.igrejadafeapostolica.com/#!o-paganismo-do-natal/cxl9>. Acesso em: 15 out. 2014.

 

MANGE, Johny. Estudo Sobre o Natal. Disponível em: <http://www.ipda.com.br/nova/natal/index.html>. Acesso em: 16 out. 2014.

 

SILVEIRA, Horácio. Santos Padres e Santos Podres — Existem ambos? Belo Horizonte: Dynamus, 2001, págs. 201-212.

 

FIGUEIREDO, Onézio. Cristologia. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1988, pág. 30, adaptado

 

Enciclopédia Barsa. Volume 11. São Paulo, 1998, pág. 274ss.

 

AMARAL, Otto. Natal a 25 de dezembro: De onde veio essa data? Disponível em: <http://www.restaurarnt.org/natal.html>. Acesso em: 11 de dez. 2014.

 

Yule. Disponível em: <http://eusouex.wordpress.com/2011/06/15/yule/>. Acesso em: 20 out. 2014.

 

Yule (ou Natal) — O Nascimento da Criança da Promessa. Disponível em: <http://fabianavianna.wordpress.com/2011/12/21/origem-donatal-pagao-yule-ou-natal-o-nascimento-da-crianca-da->. Acesso em: 20 out. 2014.

 

A Ligação do Natal com o Paganismo de Yule