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Por Johny Mange

 

  • Apocalipse 20.4: E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-​lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela Palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos.

 

Exame Bíblico

       Este texto dispensa comentários. Ele por si só resplandece mais que a luz do meio-dia e desmantela os que negam a salvação na Tribulação.

        Apocalipse 20.4 concerne aos tronos para julgar (isto é, para “governar”, que é o significado mais comum dessa palavra no Antigo Testamento). A mensagem é para todas as igrejas (Ap 3.21,22), e indica que esse grupo compreende todos os crentes do período da Igreja, que permaneceram fiéis, vencendo, ou seja, conquistando, triunfando (Ap 2.26,27. 3.21; ver também 1Jo 5.4). Entre eles, como Jesus prometeu, estão os 12 apóstolos, julgando (governando) as 12 tribos de Israel (Lc 22.30) — visto que o Israel restaurado, purificado e cheio do Espírito Santo de Deus (Zc 12.10), sem dúvida nenhuma, ocupará toda a terra prometida a Abraão (Gn 15.18).

       Além dos vencedores do período da Igreja, João viu “as almas”, quer dizer, as pessoas fiéis que haviam sido martirizadas durante a Tribulação (Ap 6.9-11; 12.15). Esses dois grupos são unidos para reinar com Cristo por mil anos.¹¹ “E viveram e reinaram com Cristo durante mil anos” é uma referência à ressurreição corpórea, e não à ressurreição espiritual.¹²

    Os corpos ressurretos serão os mesmos que possuíram na Terra, porém transformados de modo a se conformarem (ajustarem-se, amoldarem-se) com a natureza glorificada do corpo de Jesus (Fp 3.21; 1Jo 3.2). O corpo ressurreto do crente também é descrito como “espiritual”, em contraste com o presente, “natural” (1Co 15.44). Geralmente, concorda-se que “espiritual” não significa “constituído de espírito, nem se trata de corpo imaterial, etéreo, ou de falta de densidade física, mas que o corpo ressurreto assumirá qualidades sobrenaturais que envolvem poder e glória.¹³

 

 

 

  • Atos 2.19-21: E farei aparecer prodígios em cima, no céu: e sinais embaixo na terra, sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, e lua em sangue antes de chegar o grande e o glorioso dia do Senhor; E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Veja também Joel 2.30-32.

 

Exame Bíblico

       Esta passagem prova absolutamente haver salvação na Grande Tribulação. O “Dia do Senhor” é um dos assuntos tratados pela Palavra Profética. Quatro facetas do Dia do Senhor são perceptíveis nas Escrituras. Quando for lido “Dia do Senhor”, na Bíblia Sagrada, deve-se prestar atenção no desenrolar do trecho bíblico, visto que o contexto esclarecerá qual das quatro facetas representa o “Dia do Senhor” da passagem. As quatro facetas do “Dia do Senhor” são:  

       Primeira, a histórica, ou seja, a intervenção de Deus na história passada de Israel (Sf 1.14-18; Jl 1.15) e das nações pagãs (Is 13.6; Jr 46.10; Ez 30.3);

        Segunda, a ilustrativa, em que um incidente histórico representa um cumprimento parcial do Dia do Senhor escatológico (Jl 2.1-11; Is 13.6-13);

     Terceira, subsequente aos sofrimentos e à morte de Cristo (Sl 118.16-23), havia uma profecia no Antigo Testamento que seria criado, pelo Senhor, outro dia especial para adoração e louvor (Sl 118.24). Este dia é o domingo, porquanto foi nele que o Senhor Jesus ressuscitou corporalmente, vencendo definitivamente os grilhões da morte! (Mc 16.9). Após a ressurreição de Cristo, os principais eventos da Igreja deram-se no domingo (Jo 20.19,26; At 20.7; 1Co 16.2). A palavra “domingo”, do grego kyriake hemera, e do latim dominica die, significa literalmente “o Dia do Senhor” e foi criada pelo Apóstolo João, na Ilha de Patmos, no século 1.º. A palavra “domingo”, bem como as suas equivalentes, não existia em nenhuma língua do mundo até o apóstolo inspirado criá-la e registrá-la no Apocalipse. Foi no “Dia do Senhor”, isto é, no domingo, que João foi arrebatado e viu o Cristo glorificado: Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor (Ap 1.10, veja do versículo 11 ao 19). Não é um dia para ser guardado como era o sábado pelos judeus, pois no Novo Testamento não há mandamento para guarda de dias, meses ou anos (Cl 2.16,17; Gl 4.9-11); todavia, é um dia especial de louvor e adoração em memória do evento mais importante ocorrido, em todos os tempos, no céu e na terra: a ressurreição de Jesus, o Filho de Deus (1Co 15.14).   

        Quarta, a escatológica (alusiva ao fim); este dia “escatológico” inclui o período da Grande Tribulação (Is 2.12-19; 4.1; Sf 1.18; 2Ts 2.2; Jr 30.7), a Segunda Fase da Segunda Vinda de Cristo (Jl 2.30-32; At 2.19,20), e o Milênio (Is 4.2; cap. 12; 19.23-25; Jr 30.7-9).

       Os sinais apontados tanto em Joel (2.31) como em Atos (2.19,20) — sangue, fogo e vapor de fumo; o sol se convertendo em trevas, e a lua em sangue — são abalos e fenômenos que ocorrerão na Grande Tribulação (cf. Mt 24.29; Ap 6.12-14; 16.8,18). Depois de tais abalos e fenômenos, conforme os dois textos sobreditos, há de vir o “Dia do Senhor”. E o que ocorrerá no fim da Tribulação? A Segunda Fase da Segunda Vinda de Cristo (Ap 16.13-16; 17.14; Mt 24.30,31), a qual representa “o Dia do Senhor” — cumprindo literalmente a profecia suprarreferida.

        Por conseguinte, antes do “Dia do Senhor” — a Segunda Fase da Segunda Vinda de Cristo — é dito “que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2.21; Jl 2.32). Em que momento invocarão o Nome de Jesus, antes do terrível “Dia do Senhor”? — Na Grande Tribulação, uma vez que é a época em que estarão vivendo. A despeito disso, a Palavra salienta que os tais serão salvos! Aleluia!

         Mais uma prova contundente que haverá oportunidade para aqueles que ficarem após o Arrebatamento.  

 

 

 

  • Daniel 11.32-35: E aos violadores do concerto ele com lisonjas perverterá, mas o povo que conhece ao seu Deus se esforçará e fará proezas. E os entendidos entre o povo ensinarão a muitos; todavia cairão pela espada, e pelo fogo, e pelo cativeiro, e pelo roubo, por muitos dias. E, caindo eles, serão ajudados com pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles com lisonjas. E alguns dos entendidos cairão para serem provados, e purificados, e embranquecidos, até ao fim do tempo, porque será ainda no tempo determinado.

 

Exame Bíblico

        O Arrebatamento acontece antes da Grande Tribulação (1Ts 1.10; 4.16,17). Na passagem citada, os “entendidos entre o povo” representam as pessoas que não subiram no Arrebatamento da Igreja. Esses crentes, que outrora foram rebeldes, embora estejam na Tribulação, são chamadas de “santos”, uma vez que se humilharam e perseveraram guardando a fé e os mandamentos de Jesus (Ap 14.12). Todavia, eles “cairão pela espada, e pelo fogo, e pelo cativeiro, e pelo roubo, por muitos dias”; quer dizer, passarão horrendas perseguições, sofrerão torturas bárbaras, atrozes, cruéis, desumanas (Ap 13.7,10; Dn 7.21; Mc 13.19,20) por não aceitarem a marca da Besta (Ap 15.2; 14.9-11). Por fim, serão brutalmente martirizados por amor à Palavra de Deus; entretanto, salvos pelo sangue de Cristo (Ap 20.4; 6.9-11; 7.9-14).

      Por que é dito no trecho bíblico “pequeno socorro”? O Senhor Jesus disse: “E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos que escolheu, abreviou aqueles dias” (Mc 13.20). Certamente, os sete anos da Grande Tribulação representam o “pequeno socorro”, que, por sua vez, fazem alusão aos “dias abreviados pelo Senhor”. E perceba: O Altíssimo abreviou os dias porque neles ainda há escolhidos; há “carne”, qual seja, “seres humanos” para serem salvos!

       “Pequeno socorro” e “dias abreviados” são entendidos a partir da percepção das Setenta Semanas reveladas pelo Santo de Israel a Daniel (Dn 9.25-27). Deve ser levado “em consideração que estas semanas são proféticas. Ou seja: cada uma delas equivale a sete anos segundo a cronologia humana. Logo: temos ao todo 490 anos designados por Deus para que Israel vença todas as suas dificuldades, e firme-se novamente como povo da aliança”.14

       Segundo a Palavra Profética, as 70 semanas dividem-se em três períodos. O Missionário Eurico Bergstén explica de modo surpreendente o cumprimento desta profecia, divida em três períodos:

 

         A primeira metade compreende “sete semanas”, isto é, 7 x 7, ou 49 anos (Dn 9.25), e destaca, com clareza, o começo da contagem dessas “semanas” — “desde a saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém” [...] (Ne 2.4-9). Daquela data até à conclusão desse trabalho (Ne 6.15) passaram-se realmente 49 anos.

         A segunda etapa compreende “sessenta e duas semanas”, isto é, 62 x 7, ou 434 anos, tempo que abrange da restauração de Jerusalém ao Messias, o Príncipe, Dn 9.25. É realmente impressionante observar que desde a data do decreto para a restauração até à data da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mt 21.1-10) passaram-se exatamente 69 “semanas” ou 69 x 7, que são 483 anos.

       A terceira parte compreende a última semana, isto é, a septuagésima semana, sobre a qual a profecia diz: “Ele firmará um concerto com muitos por uma semana, e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares, e sobre a asa das abominações virá o assolador...”, Dn 9.27. Comparando esta expressão com a palavra de Jesus, quando profetizava sobre esses acontecimentos (Mt 24.15,21), fica provado que a septuagésima semana, sem dúvida, representa o tempo da grande aflição.¹⁵

 

       Portanto, a “Septuagésima Semana” (semana número 70) é o último período das Setentas Semanas, durante o qual terá lugar o reinado do Anticristo e a Grande Tribulação. Esta semana será inaugurada logo após o Arrebatamento da Igreja (2Ts 2.7; Ap 3.10). Como as demais terá a duração de sete anos; será dividida em duas partes de três anos e meio cada: a primeira será ocupada pelo reinado do Anticristo; a segunda será marcada pela Grande Tribulação (Ap 11.2,3; 12.6). No final dessa semana, aparecerá o Senhor Jesus, juntamente com a Sua Igreja (Jd v.14; Ap 19.11-21; Cl 3.4), para implantar na Terra o Reino Milenar (Ap 20.1-6; Is 35).¹⁶

      Os sete anos da Grande Tribulação — a “Septuagésima Semana” — são os “dias abreviados” nos quais o Todo-Poderoso preparou um “pequeno socorro”, embora difícil e escabroso (como visto acima), para os judeus e os gentios receberem a salvação. Por conseguinte, o texto de Daniel 11.32-35 é claríssimo!

 

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Bibliografia

 

4 ICE, T.; DEMY, T. Profecias de A a Z. Porto Alegre: Actual, 2003, pp. 134, 135. Adaptado.

 

Santa Bíblia: Versão di Nelson — VDN. Sociedade Bíblica do Verbo, 2010-13, p. 2223, nota de rodapé – adaptada.

 

Bíblia de Estudo Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), 2000, p. 366, nota de rodapé – adaptada.

 

7 BOYER, O. Espada Cortante 1. Rio de Janeiro: CPAD, p. 231.

 

8 SACCONI, L. A. Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa: comentado, crítico e explicativo. São Paulo: Nova Geração, 2010, p. 263.

 

⁹ MANGE, J. O Caminho Preparado para o Anticristo. Disponível em: <http://www.igrejadafeapostolica.com/#!o-caminho-preparado-para-o-anticristo/cxf2>. Acesso em 28 abr. 2014.

 

¹º_____________. A Besta que Sobe do Mar. Disponível em: <http://www.igrejadafeapostolica.com/#!besta-que-sobe-do-mar/ccni>. Acesso em 28 abr. 2014.

 

¹¹ HORTON, S. M. O Ensino Bíblico das Últimas Coisas. 3.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 166.

 

¹² O Ensino Bíblico das Últimas Coisas, p. 165.

 

¹³ idem, pp. 67-69.

 

14 ANDRADE, C. C. de. Dicionário de Escatologia Bíblica: Os vocábulos e expressões mais significativos da Doutrina das Últimas Coisas. 2.ª ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 157.

 

¹⁵ BERGSTÉN, E. Coleção de Ensino Teológico: Teologia Sistemática — A Doutrina das Últimas Coisas: Vol. 9. Rio de Janeiro: CPAD, 1980, pp. 16, 17.

 

¹⁶ Dicionário de Escatologia Bíblica, p. 158.

Os Santos da Tribulação