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Por Johny Mange

 

 

4 – Resposta Bíblica e Histórica contra o Batismo Somente “em nome de Jesus”, que é uma gravíssima heresia!

 

 

               A fórmula batismal é padronizada, e as passagens de Atos não o são “Fórmula” é “método fixado para fazer alguma coisa; é o modo de proceder; o procedimento”.[16] Os textos de Atos dos Apóstolos não são uniformes e mudam entre si; conseguintemente, não tratam da fórmula batismal. A fórmula é inalterável e padronizada. Isso não ocorre com as citações de Atos; logo, de qual, pois, hão de se valer para efetuação do batismo?

 

  • Atos 2.38: “seja batizado em nome de Jesus Cristo”;

  • Atos 8.16: “em nome do Senhor Jesus” (omitido o nome Cristo);

  • Atos 10.48: “em nome do Senhor” (omitido o nome Jesus Cristo);

  • Atos 19.5: “E os que ouviram foram batizados em do Senhor Jesus" (omitido Cristo).

 

              Por conseguinte, todas essas quatro passagens de Atos dos Apóstolos não revelam a fórmula batismal, visto que diferem entre si. Além do quê, cabalmente, há mais provas teológica e histórica contra o batismo somente “em nome de Jesus”. Existem suficientemente confirmações bíblicas e históricas do batismo tão somente em nome da Trindade. Resumidamente, estão separadas em quatro pontos:

 

              Primeiro, “batizar em nome de Jesus”, conforme os textos de Atos, apegando-se à expressão “em nome de”, dão luz a vários significados que explicam o ato do batismo, e como este era ministrado:

 

a) Consoante Atos dos Apóstolos, batizar “em nome de Jesus” quer dizer batizar “pela autoridade de” ou "pelo poder de". É sabido que “em nome de”, naqueles dias, possuía o significado de “pela autoridade de” ou “pelo poder de”.  Ou seja, os discípulos ministravam o batismo nas águas não pela autoridade humana, mas pela autoridade e pelo poder do próprio Cristo. Fica claro, portanto, que os textos do batismo nas águas, em Atos, que não mencionam as pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, referem-se à idéia de “pela autoridade de” ou “pelo poder de Jesus”, como se lê em Atos 3.16 e 16.18, em que a autoridade de Jesus é invocada; nesse caso, também, expressava-se assim porque era invocada no rito batismal.

 

b) “Em nome de” — terminologia bancária  grego-helenística da época, que traz a lume a ideia de apropriação, dedicação e submissão. Naqueles dias, “em nome de” também era uma terminologia bancária grego-helenística, que, em si, evidenciava “apropriação, dedicação e submissão. Desta forma, eram dedicados e submissos ao mandamento deixado pelo Filho de Deus (cf. Mc 16.15,16; Mt 28.18-20), e o novos crentes, quando eram batizados, apropriavam-se de Cristo (cf. Gl 3.27).

 

c) “Em nome de Jesus”, partindo do uso hebraico-aramaico, significa “com respeito a” ou “por causa de”. “Em nome de” era uma locução hebraico-aramaica naqueles dias dos apóstolos. A sociedade daquela época era familiarizada com tal expressão. Consequentemente, no livro de Atos, os apóstolos batizavam “em nome de Jesus” não como a fórmula batismal, mas “por causa de”, isto é, “em consequência da” ordem de Cristo (Mc 16.15,16). Eles batizavam “em nome de Jesus”, ou seja, “com respeito a”, o mesmo que “relativamente”, “no tocante ao” Santo Preceito entregue por Jesus à Igreja (Mt 28.19,20).

 

d) Entendendo a terminologia “em nome de”. Em 1Coríntios 1.10-15, é aprendido que Paulo estava muito desgostoso porque havia contenda entre a os irmãos, uma vez que pelejavam entre si, a dizer: “eu sou de Paulo, e eu sou de Apolos, e eu de Cefas, e eu de Cristo”. Paulo, então, declarou aos crentes de Corinto: “Para que ninguém diga fostes batizados em meu nome”. Será que os corintos foram batizados “em nome de Paulo”? “Em nome de Paulo” é compreendido como uma fórmula do batismo deles? É indiscutível que não! Se partir da premissa de que “batizar em nome de Jesus”, consoante os registros de Atos, expressa a fórmula do batismo, tem de admitir-se que os coríntios também foram batizados em nome de Paulo. Puro absurdo! Paulo quis dizer que eles não foram batizados “em seu nome”, isto é, “por sua autoridade”, “pelo seu poder” ou “por causa dele”. Por conseqüência, o mesmo se dá com os quatro textos de Atos, que não revelam, em hipótese alguma, a fórmula batismal, mas a autoridade e o poder no cumprimento da ordenança do Cristo de Deus. Urge também ressaltar que, no próprio livro de Atos, a locução “em nome de” tem o significado de “pela autoridade de” ou “pelo poder de”: E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isto? (At 4.7).

 

 

Segundo, batizar “em nome de Jesus” — conforme exposto em Atos dos Apóstolos — é a maneira de diferenciar o batismo cristão (em nome da Trindade: Mt 28.19) dos outros batismos que existiam na época, tais como o “batismos dos prosélitos” — imposto pelos judeus aos gentios que abraçavam o Judaísmo (Is 1.16), os batismos promovidos pelos seguidores de João Batista (At 18.25; 19.3) e o batismo pelos mortos — heresia nos tempos de Paulo, que se batizava um vivo por um morto (1Co 15.29), ainda hoje praticado pela seita dos Mórmons. Quando é expressado que os apóstolos batizavam “em nome de Jesus”, eles queriam dizer que efetuavam o batismo cristão, conforme o Santo Mandamento de Mateus 28.19, diferenciando-o dos outros batismos sobreditos.

 

Terceiro, as passagem de Atos (2.38; 8.16; 10.48; 19.5) não revelam, em hipótese alguma, que os apóstolos batizavam expressando a fórmula “em nome de Jesus”. Essas passagens significam que os apóstolos cumpriam tudo conforme a “autoridade” e o “poder” do Senhor Jesus; cumpriam porque eram “submissos” a Cristo e realizavam o ato batismal “por causa de” Cristo. Os apóstolos faziam tudo em nome de Jesus (Cl 3.17): pregavam (Lc 24.47), curavam (At 3.6,16), expulsavam demônios, falavam em línguas, eram livrados (Mc 16.17,18) e disciplinavam na igreja (2Ts 3.6). Assim, quando batizavam, faziam isso também “em nome de Jesus”, quer dizer, ministravam o batismo “por causa de” Cristo, porque eram “submissos” a Cristo; efetuavam o batismo sob a “autoridade” e sob o “poder” de Cristo! Porém, na hora do ato de imergir o novo crente, eles batizavam-no “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19), conforme a ordem do próprio Jesus, que não pode ser revogada (Mt 5.17,18; Lc 21.33).

 

Quarto, a História da Igreja prova que o batismo era realizado “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” desde os dias dos apostólicos aos séculos seguintes. Esta ordem jamais foi revogada (1Pd 1.25; Mc 13.31). Há exemplo de obras e dos primeiros cristãos que comprovam taxativamente o batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Veja:

 

                a) Inácio (pastor que viveu aprox. 35-107 d.C.) escreveu: Não há três Pais e nem três Filhos, e nem três Paracletos. Portanto, o Senhor, enviando os apóstolos a fazer discípulos de todas as nações, ordenou-lhes que batizassem no nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, não em três nomes, nem em três encarnações, mas em nome dos três de igual honra.

 

                b) O Didaquê - Também chamado de Ensino dos 12 Apóstolos, datado entre os anos 70 e 150 d.C., confirma o batismo trinitário (em nome da Trindade). Embora o Didaquê 9.12 descreva que eles batizavam “em nome do Senhor”, quando esse manual eclesiástico descreve o rito batismal detalhadamente, o discipulado que o antecede, a cerimônia e a imersão, descreve-o, convictamente, “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”:

 

Agora concernente ao batismo, batizai da forma: depois de dar ensinamentos primeiramente de todas as coisas, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo... O bispo ou presbítero, deve batizar desta maneira, conforme nos mandou o Senhor, dizendo: ‘Ide fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Didaquê 22);

 

No que diz respeito ao Batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente... (Didaquê 7.1).

 

                c) Justino Mártir (100-170 d.C.), escrevendo em volta do ano 151 d.C., disse: São trazidos (os novos convertidos) a um lugar onde existe água e recebem de nós o batismo em água, em nome do Pai, Senhor de todo o universo, e de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos (Justino Mártir, I Apologia 61).

 

                d) Irineu (130-202 d.C.): Ao dar a Seus discípulos poder... o Senhor lhes disse: Ide e fazei discípulos Meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Contra as Heresias). Disse mais Irineu: "Temos recebido o batismo [...] em nome de Deus, o Pai, em nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus que se encarnou e que morreu e ressuscitou, e em nome do Espírito Santo de Deus.

 

                e) Clemente de Alexandria (150-215 d.C.): O homem batizado entrou em Deus, entrou em Deus, e recebeu poder sobre escorpiões, para pisar serpentes — os poderes malignos. E aos apóstolos ordenou: ‘Ide pregar, e aqueles que creem, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’.

 

            f) Tertuliano (150-230 d.C.): Foi estabelecida a lei de batizar e prescrita a fórmula: ‘Ide, ensinai os povos batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo’ (Tertuliano, ano 210, Do Batismo 13).

 

             Desde os apóstolos aos séculos seguintes, poderiam ser citadas outras fontes comprobatórias do batismo “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, dentre as quais: Cipriano de Catargo (240-258 d.C.), Dídimo de Alexandria, Basílio Magno, a “Tradição Apostólica de Hipólito de Roma” (21), a obra “Dos Sacramentos” – de Ambrósio (2.105), o “Sacramentário Gelasiano” (449), etc.

           Os unicistas podem objetar que alguns dos autores, ou das fontes supracitadas, criam no batismo por aspersão e no batismo infantil. Isso pode ser. Todavia, a “própria Igreja Católica reconhece, em seu Ritual e Pontifical Romano, ter sido a imersão a forma original do batismo ordenado por Cristo. Os católicos deixaram de observar o batismo por imersão por volta do século XVI [...] A Igreja Católica Grega observa, ainda hoje, o batismo por imersão”.[17]

              Logo, segundo tais relatos e o significado da palavra “batizar” — “imergir, mergulhar, afundar, meter dentro”, prova-se que o batismo por imersão é o correto. E o batismo infantil não era senso comum da Igreja, visto que apenas em 426 d.C. essa prática alastrou-se. O batismo é ministrado em quem crê (Mc 16.16) e conscientemente confessa o Senhor Jesus (At 8.36-38). Uma criança tem condições de fazer essas coisas? 

           Na verdade, o que está em pauta é que todos eles, independentemente do tipo de batismo, batizavam e atestaram o ato “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, provando indiscutivelmente ser essa a fórmula batismal desde os dias de Jesus.

 

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Bibliografia

 

[16] SACCONI, Luiz Antonio. Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa: comentado, crítico e enciclopédico. São Paulo: Nova Geração, 2010, p. 980.

 

[17] ANDRADE, Claudionor Corrêa. Manual da Harpa Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 41.

A Fórmula Batismal e o Desmoronamento da Doutrina Unicista