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Por Johny Mange

 

5 – Resposta Bíblica Contra Três Perigosas Sofismas das Seitas Unicistas

 

          Sofisma é o “argumento em que a inferência não é deduzida de premissas; argumento engenhoso, inteligente, aparentemente lógico, mas falso, enganoso, falacioso, de má-fé, geralmente para confundir ou derrotar alguém num debate ou discussão”.[18]

               Conseguintemente, são apresentados pelos unicistas, além dos expostos acima, três argumentos a fim de “comprovarem” o batismo “em nome de Jesus”. Todos, para ser sincero, são sofismas e de fácil refutação. Eles não resistem à exegese bíblica e as provas históricas da Igreja Cristã em defesa do batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

 

 

a) A expressão “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, em Mateus 28.19, foi incluída propositalmente no Evangelho de Mateus para apoiar a doutrina e o batismo em nome dada Trindade?

 

Argumento unicista: A tradução correta de Mateus 28.19 seria: “Ide e tornai todas as nações discípulas em meu nome, ensinando-as a observar tudo o que vos ordenei” (grifo acrescentado), e não “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Este verso foi corrompido em relação a sua forma original para sustentar a doutrina da Trindade. Eusébio, bispo de Cesareia, e historiador da Igreja, citou esse verso várias vezes sem mencionar a frase “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Somente após o Concílio de Niceia (325 d.C.), que confirmou e sustentou a doutrina da Trindade, Eusébio de Cesareia passou a incluir a fórmula trinitária quando usava esse verso, em lugar da frase original “em meu nome”. Desta forma, sempre o batismo foi “em nome de Jesus”. O batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito é falso e foi incluído falsamente nas Escrituras.

 

Resposta Bíblica: É assaz a artimanha para bolar um argumento tão sutil e engenhoso, fechando os olhos para a verdade bíblica e histórica.

                Primeiro, Eusébio, bispo de Cesareia, redigiu o Credo de Niceia que o Concílio de Niceia adotou, mas, para tal, ele tinha conhecimento da frase “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, usada em Mateus 28.19. Na Carta para a Igreja de Cesareia, é vista a sua confissão de fé à luz do Concílio de Niceia: “[...] acreditando que cada um d'Estes serem e existirem, o Pai verdadeiramente Pai, e o Filho verdadeiramente Filho e o Espírito Santo verdadeiramente Espírito Santo, e também Nosso Senhor, enviando Seus discípulos para a pregação, dizendo, Vá, ensinem todas as nações, batizando-os em o Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo [...]”. Além do mais, no final de sua vida, após o Concílio de Niceia, Eusébio incluiu em obras como “Contra Marcelo de Ancira” e “Sobre a Teologia da Igreja” citações de Mateus 28.19, incluso o batismo “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”;

             Segundo, Eusébio mostrava tão somente a necessidade de os crentes cumprirem a ordem de Cristo e propagarem o Evangelho, por isso, citava apenas a parte de Mateus 28.19, que se enquadrava nesse propósito. Por haver incluído a expressão “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” na confissão, ele revela que estava ciente dessa parte na passagem de Mateus;

                 Terceiro, era normal, por vezes, Eusébio omitir partes de versículos quando os citava. De fato, os estudiosos atestam que Eusébio citava Mateus 28.19 de três formas diferentes: (1) “Ide e fazei discípulos de todas as nações”; (2) “Ide e fazei discípulos de todas as nações em Meu nome”; e (3) “Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. É importante frisar que Eusébio jamais citou o texto como se Jesus ordenasse o batismo usando as palavras “em Meu nome”, mas fazer discípulos em Meu nome;

                 Quarto, como pastor e historiador da Igreja, você já imaginou quantas vezes Eusébio deva ter citado, em seus sermões (e durante toda a sua vida), o texto de Mateus 28.19? No entanto, segundo alguns estudiosos, apenas em torno de 16 a 18 vezes Eusébio citou “em meu nome”, em Mateus 28.19. E as outras inúmeras vezes? Pois bem, Eusébio tinha o hábito de fazer citações indiretas do Novo Testamento, agrupar passagens de grande proximidade que se relacionavam, de alguma forma, umas com as outras. Conseguintemente, ao mencionar o texto de Mateus 28.18-20, Eusébio combinava-o com Mateus 10.8; 24.14; Marcos 16.17; Lucas 24.47 e João 20.22. Com efeito, ele não citava as palavras de Mateus 28:19 de forma isolada, mas mesclava todas essas passagens. As palavras “em Meu nome” derivam de Marcos 16.17 e Lucas 24.47.[19] Por conta disso, de raro em raro citou apenas parte de Mateus 28.19, omitindo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito”, porquanto seu propósito era outro: apelar os cristãos à evangelização;

                Quinto, havia um pensamento uniforme que Mateus 28.19 expressava “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, uma vez que outros Pais da Igreja citaram essa passagem usando a fórmula trinitária. Por conseguinte, mostra que crer assim era um fato corrente entre eles. Como exemplo:

 

  • Inácio (aprox. 35-107 d.C.): Pois aquelas coisas que foram anunciadas pelos profetas, dizendo “Até Ele vir para quem lhe está reservado, e Ele será a esperança dos gentios” (Gn 49.10), foram cumpridas no Evangelho, [nosso Senhor dizendo] “Ide e ensinai todas as nações, batizando-os no nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28.19). Tudo então são juntamente bons, a lei, os profetas, os apóstolos, a inteira companhia [dos outros] que tem acreditado através deles: somente se nós amarmos uns aos outros (Espístola Aos de Filadélfia, IX);

  • Didaquê (aprox. 70 a 150 d.C.): Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

  • Justino Mártir (100-170 d.C.): Eles então executavam o banho na água, no nome do Pai do universo e do nosso Salvador Jesus Cristo e do Espírito Santo (1 Apol. 61.3);

  • Irineu (130-200 d.C.): E de novo, dando aos discípulos o poder... O Senhor disse a eles, “Ide e ensinais todas as nações, batizando-as no nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Contra as Heresias, Seção XVII);

  • Tertuliano (150-230 d.C.): Consequentemente, depois que um destes se perdeu, Ele comandou os outros onze, em sua partida para o Pai, para “ir e ensinar todas as nações, que deveriam ser batizadas no Pai, e no Filho e no Espírito Santo” (A Prescrição Contra os Hereges, XX);

 

              Sétimo, os estudiosos das Escrituras atestam que os cristãos sempre conheceram a expressão “Pai, Filho e Espírito Santo”, a exemplo: “ninguém pode duvidar que a fórmula trinitária já estava no princípio em Paulo”. Similarmente, “a concepção do Pai, Filho e Espírito Santo é claramente tão antiga quando a própria Sociedade Cristã”.[20];

               Finalmente, o Evangelho de Mateus, juntamente com a expressão “Pai, Filho e Espírito Santo” (28.19), fazem parte do cânone sagrado e sempre foram aceitos por toda a Igreja Cristã, pois o processo de coligir os escritos apostólicos confiáveis iniciou-se nos tempos do Novo Testamento. A segunda metade do século I viu o processo de seleção, de escolha (Lc 1.1-4; 1Ts 2.13), de leitura (1Ts 5.27), de circulação (Cl 4.16), de compilação (2Pd 3.15,16) e de citação (1Tm 5.18) da literatura apostólica. Todos os 27 livros foram escritos e copiados, começando a ser distribuídos entre as igrejas antes de encerrar-se o século I. Esta é a razão de, posteriormente, não só os pais primitivos da Igreja citaram os 27 livros do Novo Testamento, mas citaram quase todos os versículos de todos os 27 livros. Cinco pais, de Irineu a Eusébio, fizeram quase 36.000 citações do Novo Testamento. No século II, os escritos apostólicos tornaram-se conhecidos mais genericamente e circulavam com maior amplitude; igualmente houve exame desses escritos mediante a citação da autoridade divina de cada um desses 27 livros do Novo Testamento.[21]

 

 

b) As enciclopédias comprovam que os primeiros cristãos eram batizados “em nome de Jesus”?

 

Argumento unicista: O batismo verdadeiro é somente o realizado “em nome de Jesus”, pois deste modo procedia a Igreja Cristã logo após a morte de Cristo. As enciclopédias provam que assim era realizado nos primeiros séculos, e, posteriormente, mudaram-no e inventaram o batismo “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”:

 

  • Enciclopédia Britannica,11.ª Edição, Vol.3 — págs. 365-366,82, em inglês: “A fórmula batismal foi mudada do nome de Jesus Cristo para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo pela Igreja Católica no 2º Século [...] Sempre nas fontes antigas menciona que o batismo era em nome de Jesus Cristo”.

 

  • Enciclopédia da ReligiãoCanney, pág. 53, em inglês: “A religião primitiva sempre batizava em nome do Senhor Jesus até o desenvolvimento de doutrina da trindade no 2° Século.”

 

  • Enciclopédia da ReligiãoHastings, Vol. 2, págs. 377, 378, 389 (em inglês): “O batismo cristão era administrado usando o nome de Jesus. O uso da fórmula trinitariana de nenhuma forma foi sugerida pela história da igreja primitiva; o batismo foi sempre em nome do Senhor Jesus até o tempo do mártir Justino quando a fórmula da trindade foi usada.”

 

  • Nova Enciclopédia Internacional – Vol. 22, pág. 477, em inglês: “O termo “trindade” se originou com Tertuliano, padre da Igreja Católica Romana”.

 

 

Resposta Bíblica: É motivo de estupefação a sutileza e astúcia maligna dos unicistas. Quando é provado que o batismo correto é “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, através da ordem suprema de Cristo no Evangelho de Mateus, corroborada nos registros históricos dos cristãos primitivos, os unicistas dirão que estamos usando outras fontes, e não “sola Escriptura”, qual seja, “somente a Escritura”. Todavia, em nítido contraste a isso, eles mesmos usam outras fontes quando lhes são conveniente, a fim de confirmarem o batismo “em nome de Jesus”, Absurdo, não?! Cadê agora a “sola Escriptura”?

                Primeiro, a Palavra de Deus é infalível e inerrante (Jo 10.35; Is 34.16; Mt 24.35; 2Tm 3.15-17), porém as enciclopédias humanas são falíveis, propensas a erros e passíveis de mudança (2Cr 6.35; Jr 17.5). O batismo “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito” é provado suficientemente nas Escrituras (Mt 28.19) e a história cristã testifica sua realização após a morte do Senhor. Entretanto, mesmo diante da falibilidade das enciclopédias, os unicistas usaram somente as que lhes foram convenientes, visto que inúmeras enciclopédias confirmam que o batismo cristão sempre foi realizado “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, e, ainda que com vários tipos de batismo nas igrejas cristãs, esta fórmula batismal permaneceu invariável ao longo dos séculos; a exemplo:

 

  • Grande Enciclopédia Barsa: “Batismo é o sacramento de iniciação em todas as religiões cristãs. Descrito com grande clareza no Novo Testamento e praticado pelas primeiras comunidades cristãs, seus elementos são a ablução e a expressão “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:19). Ambos se mantiveram invariáveis ao longo do tempo e nas diversas igrejas cristãs”. [22]

 

  • Enciclopédia Britannica: “Batismo — um sacramento de admissão à Igreja Cristã. As formas e os rituais de várias igrejas variam, mas, o batismo, quase que invariavelmente envolve o uso de água e a invocação da Trindade: “Eu te batizo: Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” [...] Embora não haja uma descrição verdadeira de quando foi instituído o batismo por Jesus, o Evangelho Segundo Mateus descreve o Cristo ressuscitado emitindo a "Grande Comissão" para seus seguidores: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do pai e do Filho e do Espírito Santo”. [23]

 

  • Enciclopédia Merriam-Webster: No cristianismo [...] a cerimônia [do batismo] é normalmente acompanhada pelas palavras “eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. De fato, os cristãos acreditam que depois de sua ressurreição, Jesus apareceu aos seus discípulos e lhes ordenou a batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo [...] O batismo era um ritual importante na Igreja primitiva do primeiro século [...]”. [24]

 

  • Grande Sacconi — Comentado, Crítico e Enciclopédico: “A expressão Santíssima Trindade vem do tempo de Tertuliano (séc. II). A Trindade é um dogma da fé cristã reconhecida pela primeira geração de cristãos, que já batizavam seus filhos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A Igreja, posteriormente, passou a expressar nas suas orações: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.” [25]

 

                Segundo, disse sabiamente um pastor que, como nem toda obra é perfeita, as enciclopédias têm seus pecados.[26] E isso é pura verdade! Quase sempre omissões, contradições e erros são vistos nas enciclopédias, ainda mais quando se referem a assuntos da Bíblia e da fé cristã. Como exemplo, haja vista a falibilidade da Enciclopédia Britânica:

 

No caso da história dos povos heteus, até mesmo a Enciclopédia Britânica, edição de 1860, no resumido comentário a eles dedicado, manifestava dúvida quanto às declarações das Escrituras. Isso foi lamentável. A Enciclopédia, entretanto, reparou esse erro, na edição de 1947, na qual apresentou um estudo equilibrado a respeito do império dos heteus ou hititas. Na edição de 1860, dedicou seis linhas pessimistas relativas aos heteus. Em razão das descobertas arqueológicas de 1906, essa Enciclopédia pôde apresentar dez páginas, em que a autenticidade da narrativa da Bíblia foi plenamente estabelecida. Esses fatos precisam ser conhecidos pelos leitores e pelos homens.[27]

 

                Exatamente foi isso que aconteceu nas enciclopédias suprarreferidas, ao citarem que o batismo era realizado “em nome de Jesus”. Por conseguinte, além dos unicistas esconderem propositalmente as outras enciclopédias que afirmam categoricamente a historicidade do batismo em nome da Trindade, uma delas — a Britannica — a 11.ª edição (em inglês), menciona o batismo “em nome de Jesus”; em contrapartida, nós mostramos que a versão inglesa (de 2014) atesta que o batismo era “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Percebeu? As obras humanas são falíveis, propensas a erros e passíveis de mudança!... Inerrante, perfeita e infalível é a Palavra do Senhor! (Mc 13.31; Jo 10.35; Sl 19.7). Atualmente, “existem 5.300 manuscritos gregos e porções, 10.000 da Vulgata Latina, e 9.300 de outras versões. A documentação bíblica maciça abrange 24.000 porções de manuscritos, manuscritos inteiros, e versões, sendo que os fragmentos mais antigos datam entre 50 e 300 anos após o manuscrito original ter sido escrito”. [28] É o Livro de Deus que revela a ordem suprema do Senhor Jesus Cristo de efetuar o batismo de todas as nações “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19). Os primeiros cristãos, conforme a História, cumpriram ao pé da letra essa ordenança!

                Terceiro, enquanto a Bíblia é a Palavra do Deus Altíssimo “que não pode mentir” (Tt 1.2; Hb 6.18), cujo disse “que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.18), não se pode dizer o mesmo das enciclopédias humanas. Veja:

 

Em 14 de dezembro de 2005, o jornal científico ‘Nature’ publicou os resultados de um estudo comparativo entre a Enciclopédia Britannica e a Wikipédia acerca da preocupação científica nos artigos. Os cientistas não sabiam a fonte dos artigos e foram solicitados a procurar. Eles apontaram erros factuais, omissões ou declarações enganosas e mal interpretadas. Após examinarem 42 artigos de ambas as enciclopédias, a revista ‘Nature’ obteve o seguinte resultado: * Britannica: 123 erros, em média a cada 2.92 artigos; * Wikipédia: 162 erros, em média a cada 3.86 artigos.[29]

 

                Dentre as enciclopédias que os unicistas citam a fim de fundamentar o batismo somente “em nome de Jesus”, está vendo o exemplo de falibilidade e propensão a erros da Enciclopédia Britânia? É o exemplo de uma, contudo já imaginou os erros e omissões das outras enciclopédias que eles mencionaram? Só na Britânica há erros, omissões ou declarações enganosas e, além do quê, às vezes, não manifestam a fonte dos artigos... É por isso que nela não estão inseridas as provas do batismo “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”: omitiram-nas e não citaram as fontes dos cristãos primitivos. Por outro lado, conforme foi citado na nossa resposta às seitas unicitas, a Britânica também atesta o batismo em nome da Trindade. E agora?  — É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem! (Sl 118.8). Isso é um golpe fatal nos unicistas, que, usando algumas enciclopédias que lhes são convenientes (e omitindo opiniões das outras), querem fundamentar o falso batismo somente “em nome de Jesus”. Enquanto isso, um grande teólogo alemão, A. Luescher, constatou em uma de suas obras que, no ano 1850, os críticos apresentaram setecentos argumentos científicos contra a veracidade da Bíblia. Hoje, seiscentos destes argumentos já foram deixados por descobertas mais atualizadas.[30] A fé cristã está fundamentada na Bíblia tão somente, e não em enciclopédias e obras que são frutos de sabedoria humana (cf. 1Co 2.4,5). Portanto, é a Escritura e os subsequentes registros históricos da Igreja Cristã que atestam que o batismo era realizado “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.

               Finalmente, os crentes primitivos seguiram à risca a ordem de Cristo. Eles desconheciam tal batismo “em nome de Jesus”, uma vez que, desde os dias apostólicos, o batismo era ministrado “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”, consoante o Santo Preceito do Senhor Jesus. Isso é provado historicamente em todas as eras:

 

                 Inácio (aprox. 35-107 d.C.) — “Não há três Pais e nem três Filhos, e nem três Paracletos. Portanto, o Senhor, enviando os apóstolos a fazer discípulos de todas as nações, ordenou-lhes que batizassem no nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, não em três nomes, nem em três encarnações, mas em nome dos três de igual honra”;

 

               Didaquê — Manual Eclesiástico “O Ensino dos 12 Apóstolos” (aprox. 70-150 d.C.) — “Agora concernente ao batismo, batizai da forma: depois de dar ensinamentos primeiramente de todas as coisas, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo... O bispo ou presbítero, deve batizar desta maneira, conforme nos mandou o Senhor, dizendo: Ide fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (22);

 

              Justino Mártir (100-170 d.C.)— “São trazidos (os novos convertidos) a um lugar onde existe água e recebem de nós o batismo em água, em nome do Pai, Senhor de todo o universo, e de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos” (ano 151 d.C., I Apologia 61);

 

               Irineu (130-200 d.C.)— “Ao dar a Seus discípulos poder... o Senhor lhes disse: Ide e fazei discípulos Meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Contra as Heresias);

 

                Clemente de Alexandria (150-215 d.C.) — “O homem batizado entrou em Deus, e recebeu poder sobre escorpiões, para pisar serpentes: os poderes malignos. E aos apóstolos ordenou: Ide pregar, e aqueles que creem, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

 

               Tertuliano (150-230 d.C.) — “Foi estabelecida a lei de batizar e prescrita a fórmula: Ide, ensinai os povos batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Tertuliano, ano 210, Do Batismo 13);

 

 

c) A Bíblia de Jerusalém prova que o batismo era “em nome de Jesus”?

 

Argumento unicista: O batismo “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” é invenção da Igreja Católica Romana. A obra mais importante do Catolicismo Romano — a Bíblia de Jerusalém — prova que o batismo primitivo era só “em nome de Jesus”. Posteriormente, ela inventou a fórmula trinitária. Sobre o texto de Mateus 28.19, a nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém diz:

 

É possível que em sua forma precisa, essa fórmula reflita influência do uso litúrgico posteriormente fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro dos Atos fala em batizar ‘no nome de Jesus’ (cf. At 1,5+, 2,38+). Mais tarde deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade.[31]

 

Resposta Bíblica: Preste atenção: o batismo trinitário, segundo a nota citada, é a “forma precisa”, isto é, “forma determinada”, “forma indicada do modo exato”, “forma prescrita”, “forma ordenada”, “forma estabelecida”, cujos primeiros cristãos, em obediência a tal ordem, foram influenciados a cumpri-la. Portanto, a verdade é que os eruditos, que escreveram as notas da Bíblia de Jerusalém, não estão negando nem a historicidade nem a fórmula batismal de Mateus 28.19. O que poderiam estar fazendo, no mínimo, é citando a passagem conforme o método histórico-crítico que nega partes da Palavra de Deus. Entretanto, a Bíblia Sagrada plenamente é a Palavra de Deus! (2Tm 3.16,17; 2Pd 1.20,21; Jo 10.35; 17.17; Ap 1.3). Tanto assim que, na nota de rodapé de Atos 2.38, da Bíblia de Jerusalém, eles sustentam que as palavras “em nome de Jesus” evidenciam a profissão de fé dos apóstolos e a invocação do nome do Senhor Jesus Cristo sobre os batizados, pelas quais eles se apossam e consagram-se a Cristo, mas não se reportam à formula batismal, uma vez que esta é a de Mateus 28.19. Isto está claramente provado:

 

O batismo é dado ‘em nome de Jesus Cristo’ (cf. [At] 1,5+) e é recebido ‘invocando-se o nome do Senhor Jesus’ (cf. [At] 2,21+; 3,16+; 8,16; 10:48; 19,5; 22,16; 1Cor 1,13.15; 6,11; 10,2; Gl 3,27; Rm 6,3, cf. Tg 2,7). Essa maneira de falar talvez não vise tanto à fórmula ritual do batismo (cf. Mt 28,19), quanto ao significado do próprio rito: profissão de fé em Cristo, tomada de posse, por Cristo, daqueles que doravante Lhe são consagrados.[32]

 

                  É de praxe, em diálogo com falsificadores da Palavra de Deus — os unicistas, que batizam apenas “em nome de Jesus” — eles citarem a nota de rodapé (de Mateus 28.19) da Bíblia de Jerusalém; todavia, na contraofensiva, cite a nota de rodapé de Atos 2.38 (da mesma bíblia), e eles titubearão!

                Em resumo, o batismo do Cristianismo tem como base o batismo de Seu Mestre Jesus, no qual se manifestaram as Três Pessoas da Trindade (Lc 3.21,22); por isso, Ele deixou a fórmula batismal em nome da Trindade: Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mt 28.19). No grego, o termo “nome” em Mateus 28.19 está no singular, indicando que existe apenas um Deus. Mas existem Três Pessoas em Deus, cada uma delas acompanhada de um artigo definido (o que no idioma grego firmemente indica distinção) — o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O verso não diz “nos nomes [plural] do Pai, do Filho e do Espírito Santo” e nem tampouco diz “em o nome do Pai, em o nome do Filho, e em o nome do Espírito Santo” (omitindo os artigos definidos gregos). Mas o verso diz: “em nome [singular, afirmando a unidade de Deus] do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (cada uma sendo distinta das outras, como Pessoas). Esse verso demonstra muito claramente a doutrina da Trindade.[33]

 

 

CONTINUAÇÃO

 

 

A Fórmula Batismal e o Desmoronamento da Doutrina Unicista