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Por Johny Mange

 

5.º Argumento

Escutei dizer que não haverá salvação na Grande Tribulação, pois após o fechamento da porta da arca, que Deus havia ordenado Noé fazer, ninguém mais se salvou. Assim será também na Vinda de Jesus. Isso está certo?

 

A INTERPRETAÇÃO ERRADA: Alguns pregam que, após o Arrebatamento da Igreja, os que ficarem na Grande Tribulação não terão nova chance de salvação, uma vez que a Vinda de Jesus será como nos dias de Noé: depois do fechamento da porta da arca ninguém se salvou; isto é, após o Arrebatamento, de igual modo, ninguém se salvará (Mt 24.37-39).

 

CORRIGINDO A INTERPRETAÇÃO ERRADA: A Grande Tribulação, nas Sagradas Escrituras, é citada aproximadamente 49 vezes no Antigo Testamento e em torno de 15 vezes no Novo Testamento (cf. Jr 30.7; Dn 9.27; Is 26.20; 28.15,18,21; 34.8; 35.4; 61.2; Dt 4.30; 32.35; Ob vv.12,14; Dn 11.35,36; 12.1; Sf 1.15,16; Am 5.18,20; Jl 2.2; 1Ts 1.10; 5.2,3,9; Ap 7.14; 3.10; 8.16,17; 11.18; 14.7,10,19; 15.1,7; 16.1; Mt 24.21,29; etc.). Os detalhes fornecidos em todas essas passagens bíblicas tornam óbvio que esse é um evento futuro, pois nenhum período da história como os descritos jamais ocorreu na história humana.²⁶ Os textos que comparam os dias de Noé com a Segunda Vinda de Jesus não estão entre os textos que tratam diretamente acerca da Grande Tribulação.

        O povo que não foi salvo nos dias de Noé não representa os infiéis que ficarão na Grande Tribulação. Os antediluvianos pereceram nas águas por rejeitarem a pregação de Noé (1Pd 3.20). A arca do Cristianismo é Jesus (Jo 10.9; At 4.12). Quem rejeitar o Senhor Jesus não tem salvação (Jo 3.18,36). É condenado aquele recusar a oportunidade de salvação oferecida pelo Filho de Deus (1Jo 5.10-12; 2Co 11.4; Ap 3.20). Diferentemente da Grande Tribulação, uma vez que os registros bíblicos a respeito desse tempo são outros: aquele que rejeitar a marca da Besta (Ap 15.2), confessar o Nome de Jesus (At 2.21; Jl 2.32), purificar-se no sangue da expiação (Ap 7.14) e ser martirizado por abraçar a fé (Ap 13.10): será salvo! (Ap 7.9-14; 20.4).

         Logo, as passagens que comparam os dias de Noé com a Segunda Vinda do Senhor Jesus (Mt 24.37-39; Lc 17.26,27), não se referem aos fatos que ocorrerão na Grande Tribulação após o Arrebatamento da Igreja, mas tais textos são concernentes aos fatos que antecedem o Arrebatamento. 

        Os dias de Noé são um sinal da vinda de Jesus e representam a similaridade dos últimos dias com os de Noé, caracterizado por, pelo menos, três coisas: materialismo, indiferença e violência. Não é o que vemos hoje, em grande escala? Os homens estão cada vez mais materialistas. Como vivem fazendo planos para aumentar o seu patrimônio (Lc 12.16-20), não conseguem pensar nas “coisas de cima” (Cl 3.1,2), relativas ao Reino de Deus (Lc 12.31). A Palavra do Senhor assevera que devemos nos guardar da idolátrica avareza (Ef 5.5; 1Tm 6.10).

        O materialismo torna as pessoas indiferentes ao Criador. Os antediluvianos só pensavam em seu bem-estar; sentiam-se seguros. E é assim que muitos, em nossos dias, estão-se comportando. Mas a indiferença e a aparente segurança nada representaram diante do juízo divino: “comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt 24.38,39).

        Além de indiferentes e materialistas, os antediluvianos eram violentos (Gn 6.11-13). O mundo nunca esteve tão cheio de violência como hoje! O que isso? Como diz a Palavra de Deus: “Perto está o Senhor” (Fp 4.5).27

Portanto, os dias de Noé não expressam os acontecimentos após o Arrebatamento, mas, sim, os eventos que hão de ocorrer antes do Arrebatamento.

 

 

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Bibliografia

 

²⁶ LAHAYE, T.; ICE, T. Glorioso Retorno: O Final dos Tempos. São Paulo: Abba Press, 2004, pp. 54, 55.

 

27 Teologia Sistemática Pentecostal, p. 494, adaptado. 

Os Santos da Tribulação