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Por Johny Mange

 

1.º Argumento

Em Apocalipse 7.14, a Grande Tribulação não representa um evento futuro que virá sobre a Terra, porém apenas faz alusão aos terríveis sofrimentos e martírios dos cristãos dos dias dos apóstolos?

 

A INTERPRETAÇÃO ERRADA: “Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (Ap 7.14, na Almeida Corrigida Fiel). Alguns tomam o particípio presente “têm vindo”, isto é, “vieram” (erchomenoi, em grego), para dizer que a parte da grande multidão (Ap 7.9) já havia passado pela Grande Tribulação nos próprios dias dos apóstolos.18 Ou seja, asseguram que os primeiros cristãos mortos nas arenas, comidos por leões, apedrejados, queimados vivos, enforcados, decapitados, esquartejados, empalados, serrados, etc., foram os que passaram pela Grande Tribulação.

 

CORRIGINDO A INTERPRETAÇÃO ERRADA: As terribilíssimas, atrozes e bárbaras perseguições sofridas pela Igreja nos dias dos apóstolos, na Idade Média, na Inquisição, etc., não têm a ver com a Grande Tribulação do Apocalipse. A Grande Tribulação é um evento único e ocorrerá após o Arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16-18; Lc 21.34-36; Rm 5.9; 2Ts 2.3,7,8; Ap 3.10). Por acaso, o Arrebatamento já aconteceu? Os crentes fiéis desapareceram abruptamente?

         A Grande Tribulação, descrita no Apocalipse 7.14, não diz respeito aos martírios dos primeiros cristãos. Assim sendo, diz respeito aos que vêm da Grande Tribulação final e são mártires acrescentados ao número de conservos e irmãos revelados na visão do quinto selo (Ap 6.9-11).

         A Primeira Ressurreição é uma das doutrinas fundamentais da Palavra de Deus. A ressurreição de Cristo é a prova concreta que acontecerá a Primeira Ressurreição (cf. 1Co 15.20-23). De tão gloriosa, ela abrange vários períodos da história humana. Veja:

 

         a) Cristo, as primícias dos milhares que serão ressurretos (1Co 15.20,23; Ap 1.18; Cl 1.18);

 

         b) Todos os santos redimidos, no momento do Arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16; 1Co 15.23);

 

         c) As duas testemunhas, durante a Grande Tribulação (Ap 11.11);

 

       d) Os santos martirizados durante a Grande Tribulação (judeus e gentios), que ressurgirão antes do Milênio (Ap 6.9-11; 20.4-6); e

 

        e) Todos os crentes do Milênio, após o seu término, ressuscitarão (ou serão transformados) às vésperas do Trono Branco, uma vez que, no Juízo Final, o Livro da Vida, em cujo há os nomes de todos os salvos (Fp 4.3; Ap 3.5; Ex 32.32), também será aberto; por conseguinte, subentende-se que, nesse mesmo instante, ocorra a transformação dos fiéis que morreram ou permaneceram vivos durante o Milênio (Ap 20.12,13; Dt 29.29).

 

      Consequentemente, em resposta à objeção exibida acima, os cristãos do século 1.º mortos nas arenas, comidos por leões, apedrejados, queimados vivos, enforcados, decapitados, esquartejados, empalados, serrados, etc., ressuscitarão no momento do Arrebatamento, e não há lógica pensar que eles ressuscitarão depois. Por que o Senhor não os ressuscitaria em corpos glorificados no momento do Arrebatamento, deixando-os para trás? Lembre-se: “os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1Ts 4.16); “os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1Co 15.52). Os Santos da Tribulação, como pode ser visto acima, fazem parte de outro estágio da Primeira Ressurreição, pois eles serão ressurgidos no final da Grande Tribulação e entrarão na bênção do Reino Milenar (Ap 20.4-6). É nesse ponto que eles receberão seus corpos ressurretos, quer dizer, glorificados.¹⁹

 

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Bibliografia

 

18 O Ensino Bíblico das Últimas Coisas, p. 99.

 

¹⁹ Profecias de A a Z, p. 135.

Os Santos da Tribulação