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OLIMPÍADAS:

RESSURGIMENTO DE UMA IDOLATRIA ANTIGA

Por Johny Mange

1 – A História das Olimpíadas

         a) Religião e esporte na Grécia antiga. A prática esportiva, bem como uma série de outras práticas desenvolvidas pelo ser humano, possuía — nas civilizações antigas — um fundamento religioso. Os Jogos Olímpicos, hoje em dia bastante popularizados, não fogem à regra. Tais jogos ocorreram pela primeira vez em Olímpia — uma das cidades-estado da Grécia antiga, em meados de 776 a.C. Por conta disso, chamavam-se Olimpíada, pois aconteciam na cidade de Olímpia. 
            Na Grécia antiga, quatro grandes festivais religiosos eram celebrados com jogos esportivos: 1) Os Píticos — dedicados a Apolo (deus do sol) e realizados no santuário de Delfos; 2) Os Ístmicos — realizados no santuário de Corinto e dedicados a Poseidon (deus dos mares); 3) Os Nemeus — realizados em Nemeia, no santuário de Zeus (o deus dos trovões, o pai dos deuses), e a ele dedicados; e 4) Os Olímpicos — realizados em Olímpia e também dedicados a Zeus, a sua esposa Hera (deusa protetora do casamento e da mulher) e aos deuses do Olimpo (montanha mais alta da Grécia, na qual moravam as principais divindades do panteão grego).

 

          b) O fundamento religioso das Olimpíadas. Dentro da tradição mitológica, os jogos de Olímpia foram criados pelo herói Hércules, filho do deus Zeus com uma mortal. Hércules foi obrigado pela deusa Hera a realizar doze trabalhos considerados impossíveis. O quinto desses trabalhos consistia em limpar os currais do rei Áugias, pois — além de não serem limpos há mais de 30 anos — continham milhares de animais. Após conseguir realizar o feito, Hércules decidiu inaugurar, em Olímpia, um festival esportivo em homenagem a Zeus, seu pai.
         À época, tal explicação mitológica harmonizava o entendimento dos gregos com os esportes olímpicos. Portanto, sempre que os jogos eram abertos, havia um ritual de sacrifício de animais e louvor a Zeus, com o acendimento da Chama Olímpica à deusa Hera, de maneira que cada competição relacionava-se com o culto a essas divindades. Os outros deuses gregos eram louvados também, mas os dois deuses principais eram Zeus e Hera.

 

             c) O acendimento da Tocha Olímpica. Esta também pode ser chamada de Chama Olímpica ou Fogo Olímpico. A Grécia antiga cultuava o poder e o fogo. Na Olimpíada, o fogo tinha significado divino, porque presumia-se que o titã Prometeu o roubou dos deuses e o entregou aos seres humanos. Por isso, o fogo estava presente para adornar os santuários dos deuses gregos. Constantemente, um fogo permanecia queimando no altar de Héstia (deusa do lar). Como os Jogos Olímpicos honravam principalmente dois deuses (Zeus e Hera) — fogos adicionais eram-lhes acesos em louvor, nos altares das cidades e dos lares.
            O templo de Hera recebia as competições de abertura da Olimpíada, de sorte que as sacerdotisas dessa deusa, esposa de Zeus, acendiam a Chama Olímpica utilizando um disco ou espelho côncavo chamado skaphia; este — como um moderno espelho parabólico — direcionava os raios do sol ao ponto determinado para acender o fogo na pira olímpica. A chama queimava durante os jogos como um sinal de pureza, sacrifício e paz.  O rito simbolizava, no entanto, a devolução do elemento divino a Zeus — o deus mais poderoso para os gregos. Além disso, desde o início, toda ritual em torno do Fogo Olímpico servia para adorar, honrar, homenagear, glorificar e prestar culto aos deuses da Olimpíada — Zeus e Hera.
           Atualmente, raios do sol refletidos através de um espelho dão origem à Chama Olímpica em frente às ruínas do templo de Hera, na mesma cidade de Olímpia, na Grécia, por mulheres vestidas como “sacerdotisas”. Elas — entre 90 e 100 dias antes de cada edição dos Jogos Olímpicos — realizam tal cerimônia, semelhante à da Grécia antiga.
           O revezamento da Tocha Olímpica. Para celebrar a passagem do fogo de Prometeu ao homem e enaltecer as principais divindades da Olimpíada, os gregos faziam corridas de revezamento com a Tocha Olímpica. Os atletas passavam-na entre si até que o vencedor cruzasse a linha de chegada. Na Era Moderna, a pira olímpica foi acesa pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Amsterdã (Holanda), em 1928. A partir das Olimpíadas de 1936, os atletas passaram a revezar a tocha, antes de, por meio dela, acenderem a pira no início das competições.  
 
            d) Modalidades esportivas da Olimpíada. Atletas de todas as cidades-estado da Grécia reuniam-se em Olímpia para disputar diversas competições esportivas, dentre as quais: atletismo, luta, boxe; corrida de cavalo (biga), corrida a pé; corrida com armadura e combate (hoplitodromia); pentatlo (luta, corrida, salto em distância, arremesso de dardo e de disco) e pancrácio (lutas sem regras, com permissão de socos, cabeçadas, cotoveladas, torções, estrangulamentos, etc.). O vencedor ganhava uma coroa de louros, era recebido como herói em sua cidade, consagrado para toda a vida e transformado em semideus.

 

         e) Duração dos Jogos Olímpicos. Naquele tempo, a Olimpíada acontecia também de quatro em quatro anos; porém, estabeleceu-se que alguns jogos ocorreriam mensalmente, enquanto outros todos os anos.

 

            f) A retomada dos Jogos Olímpicos na Era Moderna. Após mais de 1500 anos de a Olimpíada ser proibida pelo imperador romano Teodósio, os Jogos Olímpicos — a partir de 1896 — são retomados em Atenas por iniciativa do aristocrata francês Pierre de Frédy, mais conhecido como Barão de Coubertin. Os vencedores das provas passaram a ser premiados com medalhas.
           Adota-se, desde então, o termo “Olimpíadas”, pois — na competição da Era Moderna — cada modalidade é encarada como uma olimpíada à parte. Na Grécia antiga, era chamada meramente “Olimpíada” ou “Jogos Olímpicos”. Hoje, portanto, Olimpíadas ou Jogos Olímpicos.
      Na era presente, as Olimpíadas ocorrem a cada quatro anos. Num dos cinco continentes, o Comitê Olímpico Internacional (COI) escolhe uma cidade para sediá-las. Os Jogos Olímpicos contam aproximadamente com 42 modalidades de 33 esportes. São cerca de 206 países em busca das medalhas de ouro, prata ou bronze.  

 

            g) O símbolo das Olimpíadas. O símbolo das Olimpíadas é formado por cinco anéis entrelaçados, tipificando os cinco continentes. Cada qual é representado por uma cor: Oceania (verde), Ásia (amarelo), África (preto), Europa (azul) e América (vermelho). 

 


2 – O Império Romano Agasalha a Cultura e 
Religiosidade Gregas

            a) A tomada do Império Grego. Consoante o Manual Bíblico SBB: “Nos dois séculos anteriores ao nascimento de Cristo, o Império Grego caiu nas mãos dos romanos. Apesar da imposição do sistema administrativo romano na parte leste do Mar Mediterrâneo, a cultura dominante continuou sendo a grega (helenista)”. 

 

          b) Cultura e religião do Império Romano. A cultura romana foi bastante influenciada pela grega. Os romanos copiaram muitos aspectos da arte, pintura e arquitetura da Grécia. Também eles eram politeístas, isto é, criam em vários deuses. A maior parte dos deuses romanos foi retirada do panteão grego, porém os nomes originais foram mudados, contudo, os rituais e sacrifícios se mantiveram. Por exemplo, Júpiter (Zeus), Juno (Hera), Marte (Ares), Héstia (Vesta), Diana (Ártemis), Vênus (Afrodite), Minerva (Atena), Baco (Dionísio), Ceres (Deméter), etc. Assim formava-se a civilização, a cultura e o panteão religioso greco-romanos, ou seja, relativo aos gregos e aos romanos.

 

           c) A perduração dos Jogos Olímpicos, entre outros, no Império Romano. Ainda no Manual Bíblico SBB: “Uma das características das cidades do Oriente grego era a realização de jogos inspirados nas grandes festas esportivas de Olímpia e Delfos [como descrito acima]. [...] Jogos desse tipo ocorriam em intervalos fixos, geralmente de quatro em quatro anos, como os Jogos Olímpicos. [...] Os imperadores se interessavam pelos jogos, especialmente Nero [cujo ordenava que os leões devorassem os cristãos no Coliseu de Roma; presume-se que matou Pedro, e Paulo tenha morrido em seu reinado], que viajou pela Grécia participando dos eventos principais — alguns dos quais foram adiados para que ele pudesse participar — culminando com um discurso no estádio do santuário de Ístmia, onde declarou que a Grécia estava livre. O grande interesse que as pessoas tinham pelos jogos pode explicar as frequentes alusões de Paulo, em suas cartas, a corridas (1Co 9.24,26; Gl 2.2; 5.7; Fp 2.16) e prêmios (1Co 9.24,27; Fp 3.14)”. 
          Portanto, não há como negar: Cristo ergueu a Sua Igreja no período do Império Romano. Na época dos deuses, cultura, Olimpíada, jogos greco-romanos os cristãos primitivos estavam a todo o vapor! Mas qual foi a posição deles perante os tais? Adiante, saberemos.

 

3 – Olimpíadas: O Moderno Culto aos Demônios

            a) Zeus, Hera e Cia.: falsos deuses da Grécia antiga. Não podemos negar que, além da religiosidade — a espinha dorsal dos Jogos Olímpicos —, os gregos buscavam, por meio deles, paz e a harmonia entre as cidades que compunham a civilização da Grécia antiga. Contudo sabemos, ao certo, que a Olimpíada servia para demonstrar fervor espiritual e exaltação aos deuses do Monte Olimpo; porém, Zeus e Hera eram as divindades principais que recebiam sacrifícios de animais, louvores, honraria e prestação de culto no começo, no meio e no fim dos Jogos Olímpicos. Mas, para elucidação — quem eram Zeus e Hera?
             * Zeus — O mesmo Júpiter dos romanos. O deus do trovão e o pai dos deuses. Filho de Cronos e Reia. Tomou o poder do pai ao obrigá-lo a ingerir uma poção mágica que o fez regurgitar os seus próprios filhos que havia engolido. Marido de Hera, com o qual teve vários filhos. 
               * Hera — A mesma Juno dos romanos. Deusa protetora do casamento, da vida e da mulher. Filha de Cronos e Reia. Casou-se com Zeus, seu próprio irmão. Celebrizou-se pelo ciúme que tinha do marido infiel, perturbando com isso a vida de deusas e mortais. 
       Os gregos antigos não tinham conhecimento do único e verdadeiro Deus. Achavam que seus deuses eram-lhes necessários, pois por eles explicavam a origem e realidade das coisas. Na verdade, eram ídolos pagãos — deuses falsos —, que, a despeito de serem imortais, possuíam características e atitudes semelhantes às dos seres humanos.
          Os muitos deuses do politeísmo entram em guerras e roubam as esposas uns dos outros, e ninguém estabelece um padrão nem chama o universo a prestar contas disso. Não há fundamento para a moral, a verdade ou a paz no céu; portanto, isso também não pode ocorrer na terra. Se um deus é mais forte ou tem mais autoridade do que os outros, logo, nenhum dos outros deuses pode realmente ser Deus. Assim, retornamos ao monoteísmo. Conforme a Bíblia diz: Entre os deuses não há semelhante a Ti, Senhor, nem há obras como as Tuas. [...] Porque Tu és Grande e operas maravilhas; só Tu és Deus (Sl 86.8,10). 

 

             b) O Deus de Israel se opõe a outros deuses. A palavra idolatria é formada por dois vocábulos gregos: eidolon (ídolo) + latria (adoração, veneração). Idolatria, portanto, é a adoração a ídolos, ou a tudo aquilo que, em nosso coração, tira o predomínio de Deus (Cl 3.5; Mc 12.30). 
            A idolatria é um pecado grosseiro e afrontoso ao único e verdadeiro Deus, porque: 1) rouba-lhe a glória, e consagra-a às obras que nada são; 2) ignora-lhe a eterna e inquestionável soberania; e 3) zomba do poder divino, tirando-lhe a exclusividade.
         Sendo assim, Zeus, Hera e quaisquer outros deuses entram na classificação de ídolos, já que tomam a adoração, a devoção, a honra e a exclusividade do Deus da Bíblia (no hebraico, YHWH) — Yahweh, Javé ou Jeová: * o Excelso Criador (Sl 8.3-9), * Infinito (Sl 57.11; Zc 14.9), * Pessoal (Sl 113.6; 1Cr 28.9; Jr 24.7; Jo 17.3; Lc 10.22), * Trino (Mt 28.19; 1Jo 5.7; 2Co 13.13), * Amor (1Jo 4.8,16), * Santíssimo (Is 6.3; Ap 4.8; Lv 11.45). Dizem as Sagradas Escrituras: Falou mais Deus a Moisés e disse-lhe: Eu sou Jeová, e apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo-Poderoso; mas pelo Meu Nome Jeová [YHWH] não lhes fui conhecido (Ex 6.2,3, Tradução Brasileira). Na sarça ardente, Deus explicou o significado de Seu Nome: “EU SOU O QUE SOU” (Ex 3.13,14). Portanto, Javé não significa apenas Aquele que é, mas Aquele que tem existência própria, que é em Si mesmo e por Si mesmo.
            Yahweh é chamado 203 vezes de “Deus de Israel” na Escritura. E diz o Deus de Israel: Não terás outros deuses diante de Mim (Dt 5.6). Somente Ele é o verdadeiro Deus: O Senhor é Deus; nenhum outro há senão Ele. Pelo que hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus em cima no céu, e em baixo da terra; nenhum outro há (Dt 4.35,39). 
             Os deuses das nações — tanto os antigos como os atuais — são, por certo, divindades falsas criadas pela imaginação do homem: Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, posto que não são deuses? Todavia o meu povo trocou a sua glória pelo que não é de nenhum proveito (Jr 2.11; cf. Is 44.8). Nenhuma divindade é semelhante ao Deus de Israel — Lembrai-vos [...] Eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a Mim (Is 46.9); Para que saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de Mim não há outro: Eu sou o Senhor, e não há outro (Is 45.6). De modo que Zeus e outros deuses são, entretanto, ídolos: deuses falsos.
             Por conseguinte, temos a verdade do Deus Altíssimo acerca de Zeus, Hera e dos outros que lhes fazem companhia:
                  a)  São ídolos sem sentidos, porque não veem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram (Sl 115.4; Dt 4.28); 
                  b) São ídolos imotos (não se movem de maneira alguma), por isso não andam nem se mexem (Sl 40.20); 
                  c) São ídolos impotentes, pois nada podem fazer (Jr 10.5; Is 45.20); 
                  d) São ídolos enganadores, porque torcem a imagem de Deus (Jr 10.15; Rm 1.22,23);
                  e) São falsos e vãos (1Co 16.26; Jr 10.5,15). 
         O Santo de Israel condena fortemente a idolatria (Dt 5.7-9; 1Jo 5.21). Incluindo a idolatria moderna de adoração e formas de culto a deuses antigos, a humanidade há de ser julgada — e de forma justa — por essa grande tolice. A consciência e inteligência que Deus nos deu, contradiz tamanha loucura supersticiosa. A Bíblia aponta para a loucura de se confiar nos ídolos (Sl 115.4-8; Ap 21.8). Há um demônio por trás de cada ídolo: e ele constituiu para si sacerdotes para os altos, e para os demônios, e para os bezerros que fizera (2Cr 11.15). Logo, o Diabo opera mediante os ídolos, porque são personificações os demônios. Veja Salmo 106.36-38; 1Coríntios 10.19-21. 

 

        c) Rituais malignos ressurgidos a olhos vistos nas Olimpíadas. Por acaso, nos dias de hoje, não são as Olimpíadas, desde sua origem, a continuação dos cultos e oferendas aos falsos deuses Zeus e Hera? Os Jogos Olímpicos serviam para prestar-lhes adoração e honra — até oferendas de vidas imoladas sobre o altar. Como se chama isso? — Culto aos demônios: E nunca mais sacrificarão os seus sacrifícios aos demônios, após os quais se prostituem (Lv 17.7).
          Embora a figura deles não esteja em proeminência atualmente, a realidade é que eles ainda prosseguem sendo louvados e glorificados através das Olimpíadas. Suas figuras desapareceram, porém o sistema de culto está em alta! Quem está sob tal evento — participando ou torcendo — oferece, de igual modo, sacrifício de si mesmo aos demônios: Porque te não inclinarás diante de outro deus; pois o Nome do SENHOR é Zeloso; Deus zeloso é Ele; para que não faças concerto com os moradores da terra, e não se prostituam após os seus deuses, nem sacrifiquem aos seus deuses, e tu, convidado deles, comas dos seus sacrifícios, e tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, e suas filhas, prostituindo-se após os seus deuses, façam que também teus filhos se prostituam após os seus deuses (Dt 34.14-16). 
           O ritual de exaltação a Satanás por intermédio de Zeus e Hera continua nas Olimpíadas às claras — tal qual no passado, a provar que é o ressurgimento do culto ao Maligno em plena Era Moderna. No passado, no momento da Olimpíada, em total glorificação a Zeus — por ter restituído o fogo (elemento sagrado) que um titã havia roubado dos deuses, acendiam-se fogueiras nos templos e nos lares dos antigos gregos. E não apenas isso: havia um ritual sombrio no templo de Hera — recebedor dos Jogos Olímpicos na antiguidade —, onde sacerdotisas (para evocar a presença e a participação dos deuses nas competições) apanhavam uma quantidade de grama seca e a punham voltada para a skaphia — espécie de espelho côncavo capaz de agregar os raios do sol num só ponto, de sorte que formavam, na pira — a Chama Olímpica. Até que o vencedor cruzasse a linha de chegada, a Tocha Olímpica era revezada pelas mãos dos atletas, como ritual de adoração e júbilo a Zeus, denominado muito “poderoso” por haver resgatado o fogo de volta aos deuses.
            Entre 90 e 100 dias antes do início das Olimpíadas atuais, defronte das ruínas do templo de Hera — em Olímpia — no mesmo local em que faziam o rito na antiguidade (ante as câmeras), 11 mulheres ficam vestidas a caráter — como sacerdotisas e representantes do ritual de Hera, enquanto uma delas acende a Tocha Olímpica pelos raios solares concentrados através de um espelho parabólico. Após isso, o Fogo Olímpico é levado ao país onde sucederá o evento, seguindo a celebração de revezamento de cidade em cidade, num percurso que termina no Estádio Olímpico; neste é acesa a pira, a iniciar os Jogos Olímpicos.  
            Na atualidade — de maneira escancarada, será que tudo isso é mera coincidência? Não! É o ressurgimento a olho nu do culto aos demônios! É o homem desviado de Deus e a serviço de Satanás nos adias atuais. A Escritura é categórica: E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar (Ap 9.20); Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominações o irritaram. Sacrifícios ofereceram aos diabos, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, dos quais não se estremeceram seus pais (Dt 32.16,17).
        Os que se entregam às Olimpíadas, com certeza, comem com voracidade os manjares de Satanás atirados à humanidade. O Diabo cegou os homens (2Co 4.4), e através dos Jogos Olímpicos estão o servindo. O Deus Altíssimo exige pureza comportamental e doutrinária: E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente. Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza. Mas vós não aprendestes assim a Cristo (Ef 4.17-20).  


4 – O Testemunho da História: Os Cristãos Primitivos Eram contra os Jogos Olímpicos

             a) A Igreja é a Ekklesia de Deus. Quando os autores do Novo Testamento escreveram sobre a Igreja, o Espírito Santo os inspirou (2Pd 1.21) a usarem a palavra Ekklesia cerca de 112 vezes. Esta palavra encerra em si só o sentido: “chamado para fora” — expressão que coincide com tudo aquilo que a Bíblia fala sobre a Igreja.

 

            b) Do povo que Deus “chamou para fora”, Ele fez “um povo Seu e especial” (Tt 2.14). A Bíblia diz que esse povo foi feito “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (1Pd 2.9; cf. Ex 15.16,17). “Um povo que formei para Mim, que Me desse louvor” (Is 43.21). Quando Deus disse: “Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo” (2Co 6.16), impôs como condição que se apartassem da “Babilônia deste mundo” e não “tocassem em nada imundo” (2Co 6.14-18). É este povo, o povo que foi salvo do mundo a fim de viver para o Senhor, que é a verdadeira Ekklesia — a Igreja de Deus — tão preciosa aos olhos dEle! As Escrituras dizem que Ele a escolheu para o Seu tesouro especial (Sl 135.4), e Seu particular tesouro (Ml 3.17). 

 

            c) Os crentes primitivos, participantes da Ekklesia — chamados para fora do mundo — condenavam quaisquer jogos e esportes. Os cristãos primitivos não se entregaram aos esportes, nem aos jogos, nem à Olimpíada. A história dá-nos provas incontestáveis dessa verdade. O Apóstolo Paulo disse: Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade (2Co 13.8). A voz da história brada a testificar o modo de viver dos primeiros seguidores da fé cristã. Eis as provas:

 

         * Clemente de Alexandria (195 d.C.): “Mas, se me dizem que tomam os espetáculos como um tipo de jogo, como diversão e passatempo, eu afirmo que não são prudentes aquelas cidades que levam a sério os jogos. Não, já não são jogos essa cruel ambição de glória, que chega ao extremo da morte; também não a cobiça de vaidades, nem esses irracionais luxos e gastos sem sentido”.

 

          * Tertuliano (197 d.C.): “Todo zelo na busca de glória e honra está morto em nós […] Entre nós nunca se diz, vê ou escuta nada que tenha algo em comum com a loucura do circo, com a desonestidade do teatro, com as atrocidades dos jogos de areia ou com o exercício inútil do campo de luta livre. Por que se ofendem conosco se divergimos de vocês quanto a seus prazeres? [...] Muito menos pode transtornar-nos as festas dos espetáculos, porque igualmente renunciamos estas festas — como sua origem supersticiosa e as ações com que se celebram [...] Em que lhes ofendemos em presumir que há outros deleites mais gostosos do que seus jogos?”

 

          * Marco Minúcio Félix (200 d.C.). Este cita, em seus escritos, o que um romano disse a um cristão: “Vocês [cristãos] não assistem aos jogos esportivos. Não têm nenhum interesse nas diversões, nem vais a espetáculo, nem participas de procissão. Recusam os banquetes, e detestam os jogos sagrados […] Desta maneira, se têm vocês sensatez ou juízo algum, deixem de fixar-se nos céus e nos destinos e segredos do mundo” (Minúcio Felix. Octavius, capítulos 8,12). 

 

       * Lactâncio (304-313 d.C.): “As celebrações dos jogos são festividades em honra aos deuses, pois elas foram instituídas devido à data de seu nascimento ou à dedicação de novos templos […] Portanto, se alguém está presente nos espetáculos nos quais se reúnem os homens por causa de sua religião, desviou-se da adoração de Deus". 

 

             Igualmente, o historiador Tácito destaca que os cristãos eram considerados os “odiosos da humanidade” — isto é, eles se apartavam terrivelmente do esportismo e das jogatinas que chegavam a “inspirar profunda aversão, antipatia, desprezo, asco ou nojo”. As palavras de Jesus, em João 15.19, cumpriam-se neles: Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece. Definitivamente, o estilo de vida deles — em virtude da fé que abraçaram — abstinha-os de jogos, de esportes, de teatros e de lazer, visto que a vida social e cultural do Império Romano girava em torno dos deuses pagãos. Os Jogos Olímpicos eram uma ocasião de festejo religioso para os gregos, que aproveitavam os dias da competição com o fito de dar oferendas nos templos destinados aos deuses Zeus e Hera. A Olimpíada, de igual modo, perdurou no Império Romano. Em tais jogos e competições, Júpiter e Juno (como Zeus e Hera eram chamados na mitologia romana) recebiam adoração, sacrifícios de animais, acendimento e revezamento da tocha, honraria e louvores. O estopim de jogos e esportes remonta à idolatria e ao paganismo, pois serviam de culto e sacrifício aos falsos deuses. 
          Sob o Império Romano, os crentes primitivos viveram na época dos Jogos Olímpicos. Mas perante eles a Olimpíada perdeu as forças, reduziu-se a cinzas, porque se comportaram exclusivamente como “Noiva de Cristo” (virgem e imaculada), e não se comprometeram nem fizeram alianças com o estilo de vida, jogos e diversões carnais que honravam os falsos deuses, pois entendiam, segundo a Palavra de Deus, que o salvo não deve assentar-se à mesa do Senhor e à mesa dos demônios (1Co 10.20,21).  

 

            d)  O posicionamento de Teodósio no tocante à Olimpíada. No ano 380 d.C., o imperador romano Teodósio I converteu-se ao Cristianismo e foi batizado. Por consequência, no ano 392 d.C., as manifestações religiosas do politeísmo grego, a adoração pública dos antigos deuses, teatros, circos e os Jogos Olímpicos foram terminantemente proibidos. 
           E por que Teodósio fez isso? — Muito bem! A Igreja nunca foi a favor da Olimpíada nem de jogos, esportes, teatros, etc., pois eram práticas derivadas dos falsos deuses, e oriundas de celebrações pagãs e sacrifícios aos ídolos. Os santos dos primeiros séculos da Era Cristã guardavam as recomendações dos Apóstolos do Cordeiro, dentre as quais: Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele [...] Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (1Jo 2.15; 5.21). Como vimos, o testemunho da história mostra que os crentes primitivos eram intransigentes para com essas práticas. Teodósio apenas confirmou e impôs ao império um estilo de vida santo — consagrado e separado para Deus, já vivido pelos cristãos desde a ascensão do Senhor Jesus!
          A Bíblia diz: Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século [uma vida] sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do Grande Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo; o qual Se deu a Si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para Si um povo Seu especial, zeloso de boas obras — Tito 2.12-14.