©  by IFAP. All rights reserved.

Por Johny Mange

 

8.º Argumento

“E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” (Mt 25.10) — essa passagem, na Parábola das 10 virgens, é uma prova fatal de que a porta da salvação será totalmente fechada após o Arrebatamento?

 

A INTERPRETAÇÃO ERRADA: A Parábola das 10 virgens é uma forte prova contra os que pregam que haverá chance de salvação na Grande Tribulação. Ela é explicada da seguinte forma: 1) As cinco virgens prudentes representam a Igreja; 2) As bodas são as “Bodas do Cordeiro”; 3) O Noivo é Jesus Cristo; 4) O azeite é o Espírito Santo (até aí tudo bem, mas seguem...); e 5) A porta representa a porta da salvação. Isto é, após a Igreja subir no Arrebatamento e entrar para as bodas, as cinco virgens imprudentes — os crentes infiéis que não subiram — não terão absolutamente outra oportunidade de salvação na Terra. Por isso, a expressão “fechou-se a porta” (Mt 25.10) quer dizer que a porta da salvação há de ser fechada completamente depois do traslado da Igreja de Cristo.

 

CORRIGINDO A INTERPRETAÇÃO ERRADA: Esse é o texto preferido citado pelos “estudiosos” que negam a salvação na Tribulação. Eles torcem terrivelmente as passagens das Escrituras a fim de alicerçarem a visão de seu líder. Tal passagem já foi citada em seus programas de rádio e em suas reuniões ministeriais. É mais fácil, para eles, pisarem o Livro de Deus do que “sujarem” — comprometerem — a imagem do “missionário” deles! Todavia, torcem as Escrituras, ocultam a verdade e serão condenados eternamente, caso não se arrependam! (2Pd 3.16; Lc 13.3).

         A Parábola das 10 virgens não trata nem de longe dos fatos ocorridos durante a era da Grande Tribulação. Esse período é tratado minuciosamente em torno de 49 vezes nas profecias do Antigo Testamento e à volta de 15 vezes no Novo Testamento — nos Evangelhos, nas Epístolas e no Apocalipse; mas, de forma alguma, é aludido especificamente na Parábola das 10 virgens. Tal parábola, ainda que escatológica, não condiz com os fatos que acontecerão imediatamente após o Arrebatamento da Igreja. Para os estudiosos das profecias bíblicas, em sua maioria, isso é incontestável.

       Com efeito, se a passagem em apreço não tem a ver com os fatos da Grande Tribulação que sobrevirão logo após o Arrebatamento, é indubitável que a salvação na Grande Tribulação não é referida nem muito menos dada a entender na Parábola das 10 Virgens. Portanto, a expressão “fechou-se a porta” (Mt 25.10) e as cinco virgens, que não entraram para as bodas, nem por sombras têm a ver com os cristãos rebeldes que ficaram após o Arrebatamento! E mais: Nem de longe negam a salvação no período tribulacional!  

         Herbert Lockyer, em sua obra clássica “Todas as Parábolas da Bíblia”, diz:

 

      Há os que a aplicam totalmente à era atual, e outros rejeitam essa interpretação e a aplicam ao tempo quando a Igreja verdadeira for arrebatada, e os judeus crentes que restarem esperarão a vinda do Messias. Talvez a parábola tenha uma aplicação dupla, ou seja, a necessidade de vigilância por parte dos salvos, enquanto esperam seu Senhor que virá do céu e, por outro lado, uma referência a um período futuro na história de Israel, porque os judeus, assim como a Igreja, são vistos como a uma “virgem” (Is 23:12; 37:22; Jr 14:17).³³

 

          Embora — com a devida precaução — não seja vedado pregar a Parábola das 10 virgens como exortação à vigilância por causa da hora inesperada do Arrebatamento; no entanto, deve-a restringir-se a isso, e só! O máximo que ela pode expressar é a doutrina da “iminência”, isto é, “o ensino neotestamentário de que Cristo pode voltar a qualquer momento e arrebatar a Sua Igreja sem sinais ou advertências prévias”.34 Não se pode ir mais longe, nem tampouco querer harmonizar a Grande Tribulação com essa parábola, uma vez que ocorrerá em grave erro doutrinário e em desfecho de inúmeras heresias. E a Bíblia Sagrada — o Livro de Deus — é quem prova a salvação na Grande Tribulação (Ap 6.9-11 comp. 7.9-14; 20.4; 15.2; Dn 11.33-35; Jl 2.32; At 2.20; Mt 24.22). Logo, Ela não se contradiz nunca! (Hb 6.18; Tt 1.2; Lc 21.33; Is 34.16).

 

       Por que existem restrições para pregar as 10 virgens, atendo-se somente à “eminência”, e não a comparando com a Grande Tribulação? Porquanto o verdadeiro sentido dessa parábola é o “julgamento sobre Israel”. A cronologia dos acontecimentos profetizados é resumida com base nas instruções ilustrativas da palavra “então”, em Mateus 25.41. Na Parábola das 10 Virgens, o Senhor declara que, após o ajuntamento de Israel (Mt 24.31), que não se dará no Arrebatamento, mas, sim, por ocasião da Segunda Fase da Segunda Vinda de Cristo — esta acontecerá no final da Grande Tribulação e após o Armagedom —, o próximo acontecimento será o julgamento do Israel vivente na terra para saber quem entrará no Reino do Milênio.

         Antes de tudo, deve-se ter em mente que, na profecia, existem vários acontecimentos importantíssimos que serão descortinados no Glorioso Retorno (a Segunda Fase da Segunda Vinda de Cristo), os quais darão margem à entrada no Milênio: a) os Santos da Tribulação ressuscitarão (Ap 20.4-6); b) o julgamento dos judeus vivos que sobreviveram à Grande Tribulação (cf. Ez 20.34-38); c) o julgamento das nações no que tange à postura e ao tratamento que prestaram a Israel e à Igreja (Zc 14.1-21; Mt 25.32-46) .

          Eis os fatos da correta interpretação, interpretados à luz da cronologia bíblica dos eventos finais:

 

        Primeiro, a palavra “então” é uma chave de interpretação, pois une a Parábola das 10 virgens ao texto anterior, não havendo interrupção para o novo discurso do texto posterior. Quando o Reino dos Céus é semelhante a 10 virgens? Ora, quando o Senhor Jesus voltar, no fim dos tempos, para instituir o Seu Reino visível e literal sobre a Terra. E quando isso se sucederá? Após a Segunda Fase da Sua Segunda Vinda, dado que ajuntou Israel para ser julgado a fito de gozar a bênção do Milênio. Por conseguinte, o período indicado pela palavra “então” (Mt 25.1) não seria uma referência à era da Igreja, mas continuaria a cronologia dos acontecimentos ligados a Israel, à medida que o Senhor continua a responder à pergunta original cujo referencial de tempo fora interrompido por “agora”, em Mateus 24.32.

         Segundo, já que o Senhor está voltando a Terra como Noivo para as bodas, Ele deverá estar acompanhado pela Noiva. Logo, os que estão esperando na Terra não poderiam ser, em hipótese alguma, a Noiva; isso é fato! Portanto, a Noiva é a Igreja que subiu no Arrebatamento (1Ts 4.16,17; 2Co 11.2; Ef 5.27). As virgens representam o ajuntamento do Israel que sobreviveu às catástrofes do Armagedom (Lc 17.37; Ap 16.16; 19.11-21; Zc 12.3,9; Mt 24.31). É preciso distinguir entre as Bodas do Cordeiro e as “bodas” da Parábola das 10 virgens (Mt 25.10). As Bodas do Cordeiro ocorrem no céu logo após o Arrebatamento da Igreja (Ap 19.7-8), uma vez que é o casamento da Noiva com o Noivo, a saber, da Igreja com Jesus (Ap 21.9). Já as “bodas”, da parábola suprarreferida, representam o Milênio, ou seja, o Senhor julgará e determinará os fiéis judeus que gozarão do Seu Reino. Além do mais, é digno de nota que, perante os testemunhos das Escrituras, haja um banquete na Terra na instauração do Reino visível e literal do Cristo de Deus — o Milênio (cf. Lc 12.35-37; Mt 8.11; 25.10). Conseguintemente, há duas celebrações, uma no céu, após o Arrebatamento, e a outra após a Segunda Vinda (o Glorioso Retorno), na Terra.

         Terceiro, posto que não seja como nos dias de hoje (habitando nos crentes e fazendo deles o Seu templo, 1Co 6.19); contudo, o Espírito Santo continuará atuando após o Arrebatamento. Haverá uma relação do Espírito Santo com os Santos da Tribulação, e especialmente com as duas testemunhas (Ap 11.3,4) e com os 144 mil judeus (Ap 7.3-8; 9.4; 14.1 comp. Ef 1.13). Assim sendo, é lógico que o Espírito agirá na manifestação do Cristo em glória (após o Armagedom), na culminação da Grande Tribulação. É por conta disso que a parábola salienta “o azeite” (Mt 25.3,4,7,8 e 9), que é um símbolo do Espírito Santo. Logo, a referência ao Espírito Santo é apropriada, pois o Espírito de Deus há de ser derramado sobre os judeus no momento da Segunda Vinda: E sobre à casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de Graça e de Súplicas; e olharão para Mim, a Quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito (Zc 12.10).

         Quarto, na parábola não só as virgens prudentes, mas também as virgens loucas, que estavam destinadas ao julgamento, foram ao encontro do Noivo (Mt 25.10-13). Isso não pode retratar o Arrebatamento, pois, como este grande evento é inesperado, não tem como nenhuma pessoa não-salva subir ao encontro de Cristo naquela hora. A retirada será brusca e rápida, por consequência, quem ficou, ficou; quem partiu, partiu! Não dará tempo de os rebeldes irem até o Senhor Jesus e perguntar o porquê de não subirem, visto que o Arrebatamento e a transformação são “num momento, num abrir e fechar de olhos” (1Co 15.52).

        Quinto, o termo “choro e ranger de dentes” (Mt 25.30), apurado pelo contexto, em inúmeras passagens, refere-se aos gentios condenados; de igual modo, há bastantes ocorrências que se referem a Israel nos Evangelhos (Mt 8.12; 13.42,50; 22.13; Lc 13.28) e parece referir-se também a Israel aqui.

         Sexto, a principal consideração nessa parábola parece estar no versículo 10: “as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas”. Portanto, o Senhor está ensinando que, após o Seu Glorioso Retorno (a Segunda Fase da Segunda Vinda) e o ajuntamento de Israel, haverá um julgamento na terra para o Israel vivente, a fim de determinar quem entrará no Reino, isto é, no Milênio, que também é chamado na parábola de “bodas”, e quem dele será excluído.

        Finalmente, as dez virgens representam o remanescente de Israel após a Igreja ser levada. As cinco virgens prudentes são o remanescente fiel, as cinco virgens néscias são o infiel, que apenas nominalmente professam estar esperando o Messias vir com poder. Por isso, a expressão “fechou-se a porta” (Mt 25.10) quer dizer que, após o ajuntamento para o juízo de Israel, as virgens loucas — que não receberam o Espírito Santo nem se arrependeram — serão condenadas e não gozarão a entrada no Milênio com o Senhor Jesus Cristo. Veja Ezequiel 20.34-38.³⁵

 

Voltar à Página Anterior

 

 

Bibliografia

 

³³ LOCKYER, H. Todas as Parábolas da Bíblia: Uma análise detalhada de todas as parábolas das Escrituras. 4.ª imp. São Paulo: Vida, 2004, p. 271.

 

34 Profecias de A a Z, p. 107.

 

³⁵ PENTECOST, J. D. Manual de Escatologia: Uma análise detalhada dos eventos futuros. São Paulo: Vida, 2006, pp. 249, 303-305.