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A Modéstia Cristã

Por Johny Mange

 

1 – A santidade do corpo (cf. 1 Co 6.20)

           Santidade é um ato posicional que, perante o mundo, o crente mostra separação, mudança e diferença (cf. Lv 22.32; 10.3). Desde o Velho Testamento, o Santo de Israel exigiu santidade de seu povo (cf. Js 3.5; Lv 20.7); sendo isso confirmado cabalmente nos escritos do Novo Testamento (cf. Mt 6.9; 1 Ts 4.3,7,8; 1 Pe 1.15,16). A santidade cristã abrange “toda maneira de viver” (1 Pe 1.15) com “estatutos e juízos” (Dt 4.1), ou seja, “mandamentos que não são pesados” (1 Jo 5.3), para “não apartar o coração todos os dias” (Dt 4.9), sendo “nova criatura” (Gl 6.15), com um novo “modo de viver” (2 Tm 3.10), “mostrando a diferença entre o justo e o ímpio, quem serve a Deus e quem não serve” (Ml 3.18). Nisto é incluso a modéstia cristã (cf. 1 Tm 2.9,10).

 

2 – A modéstia Cristã

          No passado, todo o tipo de jóias, bijuterias: correntes, colares, pulseiras, anéis, brincos, tornozeleiras, gargantilhas, etc., maquiagens: pinturas dos lábios, dos olhos, do cabelo, das unhas, dos cílios, etc., eram consideradas como “enfeites de prostituta” (Pv 7.10). Note que a parábola de Ezequiel, capítulo 23, Jeová discrimina duas cidades: Aolá – representando Samaria, e Aolibá – Jerusalém (cf. Ez 23.4), por contaminação de falsos deuses, nações pagãs e impudícias (cf. Ez 23.10-14), o que representara como símbolo desta “prostituição” – as maquiagens e os adornos pecaminosos (Ez 23.40-45). Igualmente, Jezabel, rainha nos tempos de Acabe, pintou-se e enfeitou-se (cf. 2 Rs 9.30-35) e, posteriormente, foi comparada a uma prostituta (cf. Ap 2.20). Prostituição é infidelidade, usar da arte ou ciência para fins desonestos: aviltar, degradar, desmoralizar, desonrar. Para uma cristã é um ato infiel, pois desobedecerá a Palavra de Deus; desonesto porque desfaz a “beleza natural”; avilta quando acha que está “bela” – quando perante Deus está horrível; degrada ao “cair da graça”; desmoraliza o próprio corpo, templo do Espírito Santo, ficando igual às ímpias e, por fim, desonra a Deus: “Confessam que conhece a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis e desobedientes, e reprovados para toda boa obra” (Tt 1.16).

 

3 – A proibição das Sagradas Escrituras

            Antes da Lei, nos tempos de Jacó, Deus já tinha proibido essas coisas (cf. Gn 35.2-5). Nos dias de Moisés, na época da Lei, as mulheres já usavam brincos (cf. Êx 32.2-4), pois ele estava no monte (cf. Êx 32.1); quando desceu, viu que os adornos serviram para a feitura de um ídolo, então, “irado e sem pecado” (cf. Ef 4.26), ordenou-as beberem, depois de derretido, o bezerro de ouro feito com os brincos (cf. Êx 32.20) e, logo após, mandou-as destruir todos os atavios, adornos, vaidades que restaram (cf. Êx 33.5,6), sendo banidos no pé do monte (cf. Êx 33.6).

          Os israelitas seguiram as nações pagãs voltando às práticas errôneas (cf. Jz 2.11-13); porém, Deus levantou Isaías, para condenar os atavios – brincos, colares, anéis, jóias, etc., que as filhas de Sião copiaram das ímpias (cf. Is 3.16-24). Ergueu Jeremias para escarnecer as maquiagens (cf. Jr 4.30). Colocou de pé a Ezequiel (cf. Ez 2.2) – onde, dentre muitas coisas, rechaçou as pinturas, os brincos e as pulseiras (Ez 23.40-45).

 

4 – A comparação das maquiagens e atavios

          Jezabel foi morta por Jeú (2 Rs 9.31-33) em cumprimento à profecia de Elias (cf. 1 Rs 21.23). Vejam como as pinturas são tão imundas: nem os cães comeram as partes maquiadas de Jezabel – muito menos as mãos que ela usou para se maquiar (2 Rs 9.30,35). As maquiagens e as bijuterias na mulher ou no homem são contra a semelhança do Senhor (cf. Gn 1.26), a simplicidade (cf. Mt 10.16), o “uso natural” (cf. Rm 1.25), “é converter a glória de Deus em infâmia” (Sl 4.2), amar a vaidade e buscar a mentira (cf. Sl 4.2) e, finalmente, “Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação” (1 Ts 4.7). Essas coisas não são imundas?

 

5 – Deus não mudou!

O ensino continua patente no Novo Testamento

           No Novo Testamento tudo isso é confirmado. “Vaidade” significa: “Qualidade do que é vão, instável ou de pouca duração. Desejo imoderado e infundado de merecer admiração dos outros. Vanglória, ostentação (...) Coisa vã, fútil, sem sentido.¹ “Vaidade” no hebraico vem de duas palavras: habel e shaw – ambas significam oco, vazio. No grego vaidade é mataiotes – significando “algo vazio”. Vamos agora fazer uma combinação: Uma mulher que se maquia, põe jóias ou bijuterias – desfaz-se, achando, assim, que com essas coisas fica mais bonita – ela não tem desejo de ser admirada? Não requer admiração para si? Essas coisas duram muito tempo? Não são de pouco duração? Não são fúteis e sem sentido? Não são tentativas “ocas” e “vazias”? Oco e vazio – são coisas vãs, insignificantes, insensatas e sem juízo.² Eis aí as “crentes pintadas” – “transformam a verdade de Deus em mentira” (Rm 1.25), ficando “ocas” e “vazias” – com coisas banais que não significam nada, não tendo juízo, caindo na loucura da “beleza exterior”. Finalmente, modéstia é ausência de vaidade. Só a palavra “modéstia” prova que uma cristã deve abster-se destas contaminações.

 

6 – O testemunho do cristão

           Devemos portar-nos em distinção dos gentios (cf. Ef 4.17), pois nós nos acheguemos “pertos de Deus” (cf. Ef 2.13) e eles estão “separados de Deus” (cf. Ef 4.18). Paulo pregou a modéstia: “Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas ou vestidos preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras” (1 Tm 2.9,10); “se ataviem” – enfeitem-se, arrumem-se, fiquem bonitas, sem vaidades, mas como convém; “traje honesto” – decoroso; “pudor” – decência”; “modéstia” – sem vaidade. O apóstolo Pedro disse: “O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos, mas o homem encoberto no coração; no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam as santas mulheres que esperavam em Deus... ” (1 Pe 3.3-5). Os adornos de Sara, Maria , Isabel, Débora, Eva, Ana, etc. eram no coração – não no exterior! Elas mesmas reprovavam essas “falsas aparências!”

          O nosso enfeite é o coração limpo (cf. Mt 5.8). Devemos fazer tudo para a glória de Deus (1 Co 10.31); agir em nome de Jesus, dando graças a Deus (Cl 3.17); servir de todo o coração. Como ao Senhor e não aos homens (Cl 3.23); praticar o que é lícito e conveniente diante de Deus (1 Co 10.23). Não podemos ser motivo de escândalo ao irmão mais fraco (1 Co 8.9-13). Nada fazer em caso de dúvida (Rm 14.23); lembrando que vamos dar contas a Deus de todas as coisas (Rm 14.11,12); evitar a aparência do mal (1 Ts 5.22). O crente que se porta semelhante ao mundo, dá mau testemunho de Cristo, compromete sua igreja e torna-se escândalo para os mais fracos e pedra de tropeço para o descrente que necessita de salvação.³ Temos uma nuvem de testemunhas ao nosso redor (cf. Hb 12.1) e, ainda, Satanás ao derredor  (cf. 1 Pe 5.8), por isso, devemos ser santos todos os dias, momentos e horas, por duas razões: 1) não sabemos a hora do arrebatamento (cf. Mc 13.32,33; Lc 22.34-36), e 2) “sem santificação ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). E lembre-se: a santidade inclui espírito, alma e corpo! (cf. 1 Ts 5.23).

 

7 – Os dois tipos de adorno

           Biblicamente, há dois tipos de adorno: os pecaminosos (como vimos acima) e os simbólicos. Quem não atentar para isso faz uma confusão doutrinária, como Ricardo Gondim, no livro É Proibido: O que a Bíblia permite e a igreja proíbe, da editora Mundo Cristão. Ele mistura os significados e coloca os adornos todos da mesma maneira. Somente pelo porte de Gondim, sabemos que é um pastor indigno de nossa confiança: concorda com cinemas, filmes mundanos e carnais, pp. 103-115, no entanto, a Santa Palavra os condena (cf. Sl 101.3; Mt 6.22,23; 1 Co 10.23; Rm 14.23; 2 Co 6.14-18; 7.1; Gl 5. 24,25; 1 Jo 2.17). Gondim é a favor de ouvir músicas de cantores seculares, pp. 117-134, entretanto, as Escrituras reprovam tais práticas (cf. Am 5.23; Cl 3.16; Fp 4.8; 1 Co 10.31; 2 Tm 3.2; Hb 12.16; Sl 22.3). Ainda, ele apregoa a “Teologia do esporte e lazer”, no cap. 6, pp.135-150, não obstante, a Palavra da Verdade o coloca na categoria dos “falsos profetas”, da “porta larga”, do “caminho largo” condutores ao inferno (cf. Mt 7.13-15); os esportes não edificam, não trazem luz e não ensinam o caminho do céu (cf. Rm 14.23)  – são mundanos e diabólicos – portanto, condenados pelas Santas Escrituras (cf. 1 Tm 4.7-9; 1 Jo 2.15; Tg 4.4,5; 1 Co 6.12). Os cristãos primitivos não se entregaram aos esportes e aos jogos de Roma. O historiador Minúcio Félix cita, em seus escritos, um romano que disse a um cristão: “Não vais a espetáculo, nem participas de procissão e detestas os jogos sagrados...”. Igualmente o historiador Tácito, destaca que os cristãos eram considerados os “odiadores da humanidade”, pois o estilo de vida deles abstinha-os de jogos, de esportes, de teatros e de lazer; de fato, a vida social e cultural do Império Romano girava em torno dos deuses pagãos. O estopim de jogos e esportes remonta à idolatria e ao paganismo. Logo, não devemos nos assentar à mesa so Senhor e à mesa dos demônios (1Co 10.20,21). E não se esqueça: seguimos a “doutrina dos apóstolos” (At 2.42) e somos edificados em Cristo, sob o fundamento dos apóstolos do Cordeiro! (Ef 2.20-22). O prazer do salvo é o “gozo” como fruto do espírito (cf. Gl 5.22), e a meditação na Lei do Senhor! (cf. Sl 1.2). Assim nos aconselharia os pastores Paulo Macalão, Roberto Montanheiro, José de Menezes, Satyro Loureiro, Emílio Conde, Gunnar Vingren, Otto Nelson, Cícero Canuto, Clímaco Bueno, João Corrêa, Daniel Berg, Bruno Skolimowski, Eurico Bergstén, Bill Burkett, e muitos outros, que fizeram a História do pentecostalismo em solo brasileiro, a nos abster dos falsos ensinos de Ricardo Gondim. Veja sobre isso o que a Bíblia diz (cf. 2 Ts 2.15; 3.6; Pv 22.28). Gondim é um sofista, e seu livro deve ser queimado por crentes espirituais (cf. At 19.19).

          Os adornos de Rebeca (Gn 24.22,30, 47) simbolizam “compromisso”, “identificação” de seu conhecimento com Isaque para o matrimônio. Os adornos de José (Gn 41.42), de Daniel (Dn 5.29), do filho pródigo (Lc 15.22) simbolizam “autoridade” e “capacidade” para um cargo ou posto. Os adornos de Ezequiel, cap. 16, que Deus pôs, simbolizam “preciosidade”, “valor”, coisas “caríssimas” – o que está em vigor não são as jóias, mas a preciosidade delas! Essa mesma interpretação é valida para Jeremias 2.32; Is 52.1; Êx 28.4-6; Ct 1.10,11; 4.9.10. Vaidades as pessoa as coloca por vontade própria, sem esforço de alguém, exigência, quando é para o bel-prazer. Nesses textos, nada disso acontece: quem os colocou foi Jeová, provando ser simbolismo!

          Não se esqueça “o corpo do crente é templo do Espírito Santo” (cf. 1 Co 3.16,17), ele é “uma nova criatura” (cf. Gl 6.15) e Deus jamais irá contra a Sua Palavra (cf. Mc 13.31). As vaidades devem ser destruídas!

 

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas

¹ Michaelis: Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1998, p. 2172

 

² idem, p. 1478

 

³ RENOVATO, Elinaldo. Lições Bíblicas: Aprendendo diariamente com Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 3º trimestre – 2003, pp. 85,86.