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6 – Resposta aos Difusores da Maldição de Geração

 

         Os propagadores da Maldição de Família servem-se de vários textos da Palavra do Senhor — assassinando o verdadeiro sentido das passagens — a fim de, sutilmente, basearem-se para provar que as supostas maldições existem. No entanto, apresentaremos tais textos e as respectivas refutações; estas tirarão a máscara dos falsificadores da Palavra de Deus, que, expondo essa heresia, e deturpando os verdadeiros sentidos das passagens sagradas, se venderam aos espíritos do engano, pois “defendem um princípio quase-reencarnacionista, estabelecendo um carma [lei de causa e efeito que determina o destino] na vida da pessoa a partir de seus parentes”.[6]

 

 

 

1 – A maldade dos pais é visitada nos filhos?

 Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem (Ex 20.5, grifo acrescentado).

 

Argumento: A maldade dos pais é passada para os filhos até a quarta geração. Não há como negar: isso representa a Maldição Hereditária nas famílias. O texto de Êxodo apregoa a hereditariedade das maldições sofrida pelas famílias.

 

Resposta: É bem certo que a passagem preferida dos adeptos da Maldição de Família é a de Êxodo 20.5. Em paralelo, hão de usar os textos de Números 14.18 e Deuteronômio 5.9, já que revelam a mesma coisa.

         Algumas razões devem ser consideradas em relação a esse texto sagrado. Há uma diferença abissal entre o que ele quer-nos passar e aquilo que os promotores da Maldição de Geração lhe impõem.

         Primeiro, o contexto diz respeito ao segundo mandamento: “Não farás para ti imagem de escultura” (Ex 20.4). Os cristãos não são mais idólatras! Através do recebimento de Cristo deixamos “os ídolos e nos convertemos a Deus, para servirmos o Deus vivo e verdadeiro” (1Ts 1.9). Aquilo que praticamos no passado o Senhor Jeová não leva em conta, e diz: “Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais” (Hb 8.12). A promessa do Senhor cumpriu-se em nossas vidas: “E eu serei para vós Pai, e vós serei para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2 Co 6.18).

           Segundo, haja vista a palavra “zeloso” em Êxodo 20.5, referindo-se a Deus. Zelo é “atenção especial que se dedica a alguém ou algo; cuidado; dedicação. Carinho, meiguice”.[7] Consequentemente, o Todo-Poderoso dá atenção, é dedicado, cuidadoso, carinhoso e meigo com os Seus filhos, uma vez que, na conversão, nasceram d’Ele (Jo 1.12,13). Tanto assim que Cristo ressaltou: “Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem?” (Lc 11.13); com efeito, não permitiria que pagássemos por erros de nossos pais, porque, de nós, Ele cuida particularmente, visto que nos tornamos propriedade d’Ele!

            Além de tudo, mesmo os pais que andaram de maneira desumana não querem que suas barbáries — consumadas em certa época da vida — transmitam consequências terríveis (subentendidas como maldição) a seus filhos. Sendo assim, o Senhor — o Deus zeloso — não permitirá que Seus filhos paguem de igual forma! Nada se compara ao amor do Eterno! (Is 49.15; Jr 31.3).

         Finalmente, preste atenção à expressão: “daqueles que me aborrecem” (Ex 20.5), quer dizer, Deus só determina a iniquidade dos pais nos filhos sobre aqueles que O aborrecem. Isso não é aplicável aos cristãos verdadeiros, porque se converteram “das trevas para a maravilhosa luz” do Senhor Jesus (cf. 1Pd 2.9,10), de sorte que não aborrecem mais a Deus. Logo, se o filho imitar, praticar os mesmos pecados dos pais aborrecerá o Altíssimo da mesma forma; nesse caso, a maldição que afetou os pais afetá-lo-á também, porque virá como “consequência” dum viver tortuoso. A Bíblia diz: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Esta é a “Lei da Semeadura e da Sega”.

           Em suma, se houver “procedências iguais” do filho, isto é, “reproduções” das más obras praticadas por sua família, ele colherá as consequências daquilo que plantou, pois de igual modo um dia colheram os seus pais: as próprias maldições.

 

 

 

2 – Muitos filhos são consumidos por causa dos pecados dos pais?

E aqueles que entre vós ficarem se consumirão pela sua iniquidade nas terras dos vossos inimigos, e pela iniquidade de seus pais com eles se consumirão (Lv 26.39).

 

Argumento: A iniquidade dos pais — o que realizaram no passado em desobediência ao Senhor Deus — vêm em maldições que consomem o bem-estar, em determinadas áreas, das famílias.

 

Resposta: A realidade do versículo supramencionado é outra! Refere-se, certamente, ao povo de Israel. O Senhor entregou-lhe mandamentos contra a idolatria e sobre a guarda do sábado (cf. Lv 26.1,2). Passou, também, advertências no tocante às maldições que viriam caso desobedecessem essas ordenanças, como exemplo: “terror, tísica e febre ardente” (v.16), “terra sem colheitas e árvores infrutíferas” (v.20), “feras do campo de diminuição do gado” (v.22), “espalhamento de entre as nações, assolação da terra e deserção das cidades” (v.33). Nesse ínterim, os que ficassem seriam consumidos não apenas pelas suas iniquidades, mas, igualmente, pelas transgressões dos pais, caso as imitassem: Então [os filhos] confessarão a sua iniquidade e a iniquidade de seus pais, com as suas transgressões [as dos filhos], com que transgrediram contra Mim; como também eles [os pais] andaram contrariamente para Comigo (v.39). Atentemos para isto: as transgressões dos filhos, nessa passagem, estão sempre ao lado das transgressões dos pais, de maneira que os filhos andaram em oposição às ordenanças de Deus, a imitar o proceder iníquo de seus pais.

           Em resumo, o Altíssimo os visitaria — a amaldiçoá-los — se andassem contrariamente como andaram seus pais; longe disso, “a maldição sem causa não virá” (Pv 26.2).

 

 

 

3 – A maldição perante nós é a de nossos antepassados?

Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência (Dt 30:19).

 

Argumento: Está diante de nós a bênção e a maldição. A nossa escolha pode determinar o futuro de nossa descendência, de maneira que ela pode virar a Maldição de Família, se fizermos a escolha errada.

 

Resposta: Essa passagem não diz nada sobre Maldição Hereditária, mas do livre-arbítrio que o Senhor estabeleceu no homem. Dizemos assim pelo vocábulo “escolhe” — optar entre duas coisas — existente no versículo, cujo revela o consentimento de qualquer pecador quanto à salvação; visto que, na Maldição de Família, não há como escolher — o mal já vem no ventre por causa dos pais, e (segundo os propagadores dessa doutrina) precisa, indiscutivelmente, quebrar-se.

           O texto bíblico supramencionado gira em torno da nossa escolha referente à salvação ou condenação. Consideremos isso pelas seguintes razões:

            Primeiro, Deus não força a humanidade a nada: “Não por força nem por violência, mas, sim, pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6); “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7.13,14). Logo, a salvação é uma escolha mediante a fé! (At 16.30,31; Ef 2.8,9).

            Segundo, na passagem em questão, o Deus de Israel propõe duas coisas para escolha: (1) vida ou morte, e (2) bênção ou maldição.

          (1) Ele, o Santo de Israel, é a fonte da vida: “Porque em Ti está o manancial da vida; na Tua luz veremos a luz” (Sl 36.9) — isto representa a vida eterna (cf. Jo 5.24; Jo 8.51). O hino 109 da Harpa Cristã confirma: “Se alguém deseja não morrerá, pois a vida eterna sempre gozará; esta é a promessa que Jesus lhe dá: se alguém deseja venha!” A morte retrata a condenação — a trágica consequência do pecado: “Porque o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23; cf. Ap 21.8).

         (2) A “bênção”, proposta por Deus, é estar com Ele agora e no porvir (cf. Lm 3.26; Mt 25.34). “Maldição” é a eterna perdição para todos aqueles que andam no pecado (2Pd 2.13,14; Mt 25.41).

           Finalmente, “aborreço a duplicidade” — diz a Palavra do Senhor (Sl 119.113), uma vez “que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não para que não caiais em condenação” (Tg 5.12). O que o Todo-Poderoso abordou em Deuteronômio 30.19 foi justamente isto: o livre-arbítrio, no tocante à salvação ou à condenação; assunto este que é confirmado em toda a Bíblia (Js 24.15; 1Rs 18.21; Sl 119.30,173; Mt 7.13,14; Ap 22.17). Veja o contexto da passagem; ele confirma essa posição — Deuteronômio 30.14-19.    

 

 

 

4 – A ação do Diabo perpetua maldições?

Não deis lugar ao Diabo (Ef 4.27)

 

Argumento: Muitas famílias estão sofrendo males não quebrados, porque seus ancestrais deram lugar a Satanás. Assim sendo, o Diabo está a atuar até hoje em muitos lares; por isso, sofrem a Maldição de Geração.

 

Resposta: Se nenhum texto bíblico acima deu suporte à Maldição de Geração, muito menos esse! O contexto, no versículo 26, diz: “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”. Qual seja, o Apóstolo Paulo admoesta-nos para que, através da ira, não podemos culpar ou descontar os nossos erros em outras pessoas, nem por nervosos incontroláveis chegarmos ao ponto de fazer coisas absurdas dando lugar ao Maligno (v.27). Nossa ira deve durar um momento só (cf. Sl 30.5), e não ser posta sobre o sol, isto é, “sobre todos”, a perdurar “vários dias”. Visto que esse texto não é prova dessa heresia, ele, ainda, rebate e desqualifica a Maldição não Quebrada.

           Primeiro, os que advogam essa passagem para evidenciar o Pecado de Geração, entram em contradição com o próprio ensino deles! Eles ensinam que os filhos pagarão pelos pecados dos antepassados. É inviolável: as transgressões dos pais virão em desgraças às vidas dos filhos, quer desejem quer não, pois é involuntário — não depende da vontade deles, mas é um pagamento a ser aceito e um mal que precisa quebrar-se. Contudo, Efésios 4.27, salienta: “Não deis lugar ao diabo” (grifo acrescido); ou seja, évoluntário (depende da vontade própria): a pessoa só dá lugar ao Adversário se ela quiser; caso não queira, ele será vencido e derrotado pelo poder de Cristo.

           Segundo, esse versículo exorta a nossa vigilância, pois “o Diabo, nosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pd 5.8). Só basta lhe darmos lugar e a desgraça está feita. Temos o exemplo de Pedro, que deu lugar a Satanás e queria impedir a morte de Cristo (cf. Mt 16.21,22); no entanto, Jesus disse: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mt 16.23). Outro caso é o de Judas, que intentara vender o Filho de Deus por 30 moedas de prata (cf. Mt 26.15,16), roubou o dinheiro do alforje do sustento dos apóstolos (Jo 12.6; 13.29; 1Co 9.13,14) e tomou a Ceia do Senhor em pecado (Mc 14.18-21; Jo 13.21-30); por conta disso, “entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze” (Lc 22.3). Logo, somos advertidos pelas Santas Escrituras: “Sede sóbrios, vigiai” (1Pd 5.8), “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mc 14.38).

            Por fim, se algo depende da vontade, do consentimento, do querer do homem — cujo é a explicação de Efésios 4.27 — não pode classificar-se como “defesa” para a Maldição Hereditária, já que ela independe do ser humano: é um mal a quebrar-se. Portanto, mais uma vez a Palavra de Deus triunfou. Não há lugar para essa doutrina na Bíblia. A Maldição de Geração, sem sombra de dúvida, é “doutrina de demônios” (1 Tm 4.1).

 

 

 

7 – Resposta aos Supostos Meios de “Quebra de Maldição”

 

           a) Os especialistas e os livros indicados não possuem autoridade e inspiração divinas. Todo crente fiel — com a vida no Altar — detém o poder de Deus contra Satanás e suas hostes: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.19); “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios...” (Mc 16.17). O livro que se deve estudar, guardar, praticar, viver e obedecer é a Bíblia Sagrada, já que, através dele, nenhum mal chegará à vida do cristão: “Ordem os meus passos na Tua Palavra, e não se apodere de mim iniquidade alguma” (Sl 119.133); “Pelos Teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho” (Sl 119.104); “Aflição e angústia se apoderam de mim; contudo os Teus mandamentos são o meu prazer” (Sl 119.143); “(...) a Sua verdade será o teu escudo e broquel. (...) A Tua Palavra é a verdade” (Sl 91.4; Jo 17.17).

         Os livros cristãos (2Tm 4.13) são escritos fundamentos na Palavra de Deus (1Co 4.6), e não firmados em interpretações próprias que não se harmonizam com o Cristianismo histórico-ortodoxo (1Tm 6.3-5; Pv 30.5,6). A doutrina da Maldição de Família se baseia em “outro evangelho” (Gl 1.8), desprezando a onipotência de Deus e a transferindo às criaturas (Rm 1.25).

 

          b) Correntes, campanhas e confissão de antigos erros: um mau remédio! Correntes e campanhas para esse fim são irrelevantes. Se o Pecado de Geração não existe, como o Eterno ouvirá algo que não consta no rol de Seus propósitos para com os homens? Diz o Senhor: “Não vos fieis em palavras falsas” (Jr 7.4). Das coisas passadas, Deus não quer saber: “Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jr 31.34). A aceitação de Cristo anulou as nossas obras más praticadas no passado: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17). As palavras de maldição, jogadas pelos antepassados, ficarão sobre eles mesmos: “Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem [eles] hão de dar conta no dia do juízo” (Mt 12.36).

          Nada contra campanhas que são fundamentadas na Palavra de Deus, todavia, contrariamente, não existe Maldição Hereditária — como vimos —; sendo assim, os pastores que oferecem a quebra da Maldição de Família por meio de “propósitos fortes”, “sacrifícios”, fazem-na por valores exorbitantes. Certamente, são cafetões da prosperidade — os quais ensinam os ingênuos e extremamente aflitos a fazer “toma lá dá cá” (troca de favores, benesses) na Casa de Deus, já que, às ocultas, agem com avareza, com interesse de seus cofres ficarem cheios. Veja Miqueias 3.11.

         Campanha de quebra da Maldição Hereditária é uma “história inventada” tão só para tirar dinheiro de pessoas simples e incautas, que, desesperadas, correm atrás de solução: E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, vos explorarão, com histórias inventadas. Há muito tempo o seu julgamento já está em ação e a sua destruição não tarda (2Pd 2.3 — Alfalit, grifo acrescentado).

          De fato, tais pastores, bispos são falsificadores da Palavra de Deus (2Co 2.17) e falsos apóstolos (2Co 11.13-15); não servem ao Salvador Jesus, mas ao próprio ventre: terríveis inimigos da cruz de Cristo (cf. Fp 3.18,19), fazendo do Evangelho “causa de ganho” (1Tm 6.5).

             Vendendo a “quebra” da suposta maldição, praticam o pecado de “simonia”. O que é simonia?

 

           Tomás de Aquino definiu a simonia como “a deliberada vontade de comprar ou vender algo espiritual”. A palavra vem de Simão mágico, de Samaria, que pretendeu comprar com dinheiro as coisas espirituais (At 8.18-21). Hoje, é aplicada aos mercadores da fé que oferecem por dinheiro as bênçãos divinas. A sua presença é constante em algumas igrejas neopentecostais.[8]

 

          Simonia é um pecado, por certo os que o praticam estão afastados de Deus (Is 59.2). Logo, o cristão deve buscar e exercer o discernimento espiritual (1Co 2.15). O intuito dos cafetões da prosperidade não é apregoar a salvação nem fazer propósitos ou campanhas para o bem-estar espiritual dos crentes, mas sugar tudo o que eles têm, como sanguessugas (Pv 30.15). “Aparta-te dos tais”, 1Tm 6.5.

 

 

       c) Não adianta determinar, porquanto o que permanece é a vontade de Deus: “Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor” (Ef 5.17); “para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2); “Pai nosso (...) seja feita a Tua vontade” (Mt 6.9,10). Deus não é nosso garçom, disposto a servir-nos à hora que bem quisermos. Ele é sabedor das nossas necessidades: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fp 4.19). Até aquilo que pedimos, o Senhor dar-nos-á se for conforme a vontade dEle: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14). Este “determinismo” não faz parte dos preceitos divinos “porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum” (2 Pd 1.21). “Cristo é tudo em todos” (Cl 3.11).

 

        d) Amaldiçoar Satanás, para quê? O Diabo é o príncipe das trevas. Outrossim, “ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele” (Jo 8.44); então, sentir-se-á prazenteiro pelos xingamentos e insultos. Pense: esta é natureza dele, denotará sua obra e soará como elogios. Por isso, o arcanjo Miguel “não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele [o Diabo]; mas disse: O Senhor te repreenda” (Jd v.9). Os cristãos temos de livrar-nos das parvoíces, isto é, deixar de ser tolos (Ef 5.4,5). A Bíblia diz: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4.29). Dos nossos lábios devem sair glorificações a Deus mesmo em momentos angustiantes! O sacrifício de louvor ao Senhor Jesus é o fruto dos lábios que confessam o Seu nome” (Hb 13.15).

 

       e) Amarrar Satanás e a maldição – expressões antibíblicas. Quando Cristo andou na terra nunca amarrou Satanás, todavia, expulsou-o: “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás” (Lc 4.8). Expulsou também muitos demônios e fez com que se calassem: “E estava na sinagoga deles um homem com um espírito imundo. (...) E repreendeu-o Jesus, dizendo: Cala-te, e sai dele. Então o espírito imundo convulsionando-o, e clamando com grande voz, saiu dele” (Mc 1.23,25,26). O arcanjo Miguel e o sacerdote Josué expulsaram o Adversário pronunciando: “O Senhor te repreenda” (Zc 3.2 e Jd v.9). Não precisa amarrar o Diabo, pois diante do nome de Cristo perde as forças, porque é vencido. Jesus concedeu autoridade aos crentes para expulsar os demônios, e não amarrá-los nem entrevistá-los (Mt 17.21; At 16.16-18).

            Os defensores da expressão ‘tá amarrado gostam de citar estes dois textos para atestarem a “amarração de demônios” praticada por eles — Mateus 12.29 e Marcos 3.27. Ambas passagens são semelhantes, e Cristo Jesus usa a analogia de um ladrão que invade uma casa e amarra o dono para roubar-lhe os bens: “ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa”. Isso demonstra que não fazia sentido expulsar demônios (cf. Mt 12.22-26; Mc 3.22-26) sendo que um deles, “o valente” — Satanás — ficasse livre a operar; por conseguinte, o dono tinha de ser amordaçado (amarrado). Entrar na casa do “valente” e amarrá-lo a fim de saquear seus bens é, metaforicamente, entrar no mundo (que jaz no Maligno — 1Jo 5.19), anular a atuação das trevas e salvar as vidas dominadas por Satanás. Quem fez isso, exclusivamente, foi o Filho de Deus! (cf. Mt 4.16,17; Hb 2.14-18), de maneira que é mais forte que o Inimigo, e definitivamente o venceu! (Cl 2.14,15; 1Jo 3.8). Hoje, por essa obra perfeita e gloriosa — o sacrifício e a vitória dEle contra o império das trevas — podemos tirar as almas do poder do mal (At 26.18; 1Co 15.55-56; 2Pd 2.20). Portanto, não há suporte bíblico para afirmar a necessidade de “amarrar” espíritos malignos.

            Cremos que o Diabo será amarrado, sim, no Milênio! (cf. Ap 20.1,2). Pois bem, quanto à maldição não quebrada, esta não existe! “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres” (Jo 8.36).

 

 

Conclusão

             Existem pessoas tão alienadas que chegam até a mudar de nome. Os defensores da Maldição de Geração afirmam que se a pessoa tiver um nome contrário, a maldição deste ficará nela; por exemplo, Cláudio: coxo, manco; Jacó: suplantador ou enganador; Ulisses: o irritado[9]; Adriana: deusa das trevas[10]; Maria das Dores, etc. Entretanto, “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17).

             Cristo nos chamou do pecado pelo nosso nome e ainda pôs o nosso sobrenome: “Assim diz o SENHOR que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu” (Is 43.1, grifo nosso); “Eu te chamei pelo teu nome, pus o teu sobrenome, ainda que não me conhecesses” (Is 45.4).

            No céu, teremos um novo nome dado por Deus: “Ao que vencer (...) dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Ap 2.17).

 

 

 

Bibliografia

 

1 - Minidicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa Caldas Aulete. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2004, p. 509.

 

2 - MATHER, George A.; NICHOLAS, Larry A. Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. São Paulo: Vida, 2000, p. 274.

 

3 - LINHARES, Jorge. Bênção e Maldição. Minas Gerais: Getsêmani, 2004, p.16.

 

4 - RODOVALHO, Robson. Quebrando as Maldições Hereditárias. 3.ª Ed. Goiânia: Koinonia Comunidade e Edições, 1992, pp. 28, 29.

 

5 - BROWN, Rebeca; YODER, Daniel. Maldições Não Quebradas. Rio de Janeiro: Danprewan, 2004, p. 5.

 

6 - SILAS, Daniel. Há evangélicos supersticiosos? Resposta Fiel. Rio de Janeiro: CPAD, p. 25, Ano 2, n.º 6.

 

7 - Minidicionário Caldas Aulete, p. 826.

 

8 - SOARES, Esequias. Heresias e Modismos: Uma análise crítica das sutilezas de Satanás. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 320,321.

 

9 - LOPES, Evandro de Souza. Os Nomes Bíblicos e Seus Significados. 14ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, pp.78, 153 e 171.

 

10 - Dicionário de Religioões, Crenças e Ocultimos, p . 274.