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RASTROS DE PERSEVERANÇA

UM POUCO DA HISTÓRIA DA IGREJA DA FÉ APOSTÓLICA

Por Johny Mange

VEIO A MIM A PALAVRA DO SENHOR


Ainda jovem, exercia a função de secretário da Diretoria da denominação à qual pertenci. Em meados de 2011, no término de uma das reuniões semanais da Diretoria, fiquei na mesa com o Missionário David Miranda e o Pr. Nerísio Costa. Estávamos sós. Naquele momento, repentinamente (impelido pelo Espírito) o Missionário tirou os óculos e dirigiu-se a mim, dizendo:


— “No dia em que você sair da Igreja Deus É Amor e fundar outra igreja, pode saber que Deus aprovará essa igreja. Muitos saíram daqui e Deus não aprovou as igrejas que eles abriram, porque não criam de coração na doutrina e abriram as portas para o pecado, mas se você fundar outra igreja e persistir na doutrina do Senhor — como lhe tenho visto pregar — ela será aprovada por Deus, irá para frente e crescerá. Pode crer no que estou falando. É por Deus.”


   Seguidamente, reiterou as mesmas palavras ao Pr. Nerísio. Saímos dali em estado de choque — sem entender a causa de ele ter-nos dito tais palavras; todavia, calamo-nos, já que os pensamentos do Eterno são mais altos do que os pensamentos dos homens (cf. Is 55.9). Em nossas vidas, o Senhor estava começando a desvendar um grande mistério e inquietou o nosso antigo líder para revelar o que Ele faria dali a alguns anos, cumprindo as palavras de Amós 3.7: Certamente, o Senhor Jeová não fará coisa alguma, sem ter revelado o Seu segredo aos Seus servos, os profetas.
   O certo é que jamais tinha em mente abrir uma igreja, pois sabia das cargas e das lutas terríveis que sofrem os que possuem esse chamado. O Apóstolo Paulo asseverou: O que preside, faça-o com cuidado (Rm 12.8).

 

O PRENÚNCIO DE UMA GRANDE PROVA


   Andava muito aflito e com o pressentimento que um vendaval viria, porque a inveja contra mim estava à vista de todos; procuravam ocasiões para me derrubar de qualquer jeito. Decidi que arranjaria um emprego de professor e entregaria a função de secretário da Diretoria, para me safar de um mal previsto. Como as inscrições estavam encerradas para professor temporário do governo de São Paulo, pedi a jovem, também professora de português, que trabalhava comigo no prédio administrativo, como uma das editoras do jornal O Testemunho e da revista Ide, para me arranjar um emprego, a fim de dar aulas novamente. Algumas escolas entraram em contato, analisaram meu currículo, mas me deixaram na lista de espera. Ficava cada dia mais aflito.
 

PADECENDO TERRIVELMENTE POR NÃO NEGAR A PALAVRA
 

   Em abril de 2012, no mesmo dia em que falei que há salvação na Grande Tribulação no Programa “A Voz da Libertação”, ao acabar o estudo, na gravada oração da meia-noite, antes do meu ex-líder entrar ao vivo, conversei com o operador de mesa para me arranjar um trabalho na rádio Bandeirantes, no setor de redação. Quando saí do estúdio, o ex-líder entrou ao vivo, de sua casa, e vociferou contra o que eu havia ensinado — dentro das Escrituras, que há, pelo sangue de Jesus, embora difícil, salvação no período tribulacional aos judeus e aos gentios (cf. Ap 6.9-11; 7.9-14; 14.13; 15.2; 20.4). Era quinta-feira.
   Na segunda, passei pelo crivo dele. Estava com o CD gravado dos últimos dez minutos dum estudo de quase duas horas sobre a Grande Tribulação. Usou tão somente os dez minutos. Foram mais de três horas de terror! Ouvi a gravação mais de seis vezes. Depois solicitou que o estúdio soltasse pelo telefone; novamente me ouvi pelo viva-voz mais de 3 vezes. Isso me feriu tanto psicologicamente que, até hoje, ouço raramente as pregações e os estudos que dava na Sede Mundial. Vêm-me lembranças e sinto pavor!
   Ele era idoso e estava muito nervoso, pois queria que fosse à rádio me retratar e expor que eu errei. Isso não faria, mesmo que fosse condenado à pena de morte! Quando me converti aos nove anos, em 1994, na Escola Dominical, no porão da igreja, recebi uma fé que fartou a minha alma. Senti o dom gratuito da salvação entrando em mim. Desde a infância prometi ao Senhor Jesus Cristo que jamais deixaria alguém tirar aquela fé tão forte que me fez chorar muito e soluçar na hora daquele apelo. Logo, não negaria a Palavra de Deus nem mesmo diante dele que tanto afeiçoava. A Bíblia diz: Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida (Ap 2.10). Jamais podemos negar as doutrinas da Escrituras, por nada nesta vida — quer por dinheiro, quer por cargos, quer por fama, quer por posições, quer por propostas: Qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de Mim e das Minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de Seu Pai, com os santos anjos (Mc 8.38). Caso me retratasse, prosseguiria na Diretoria e continuaria exercendo todas as minhas funções na Obra de Deus. Além do mais, não me deixaram explicar biblicamente essa doutrina escatológica para sanar eventuais dúvidas. Decidi que não voltaria atrás, visto que o meu maior tesouro era a Palavra de Deus e por nada iria negar os Santos da Tribulação. Porém, encontrava-se muito irado (descontrolado, em razão da idade avançada) e minha prova de respeito a ele seria ir ao programa e gravar um estudo contra o que eu mesmo preguei... A minha resposta, de modo respeitoso, foi negativa, e contra o meu pastor não me irei, nem me alterei, nem o insultei com palavras; só lhe reiterei que não iria contra esse princípio da fé: Porque quem estendeu a sua mão contra o ungido do Senhor e ficou inocente? O Senhor me guarde de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor (1Sm 26.9,11).
   Deliberou, portanto, a minha exclusão. Sua esposa tomou a frente e não deixou, porque alegava que não pequei. Ela — muito espiritual e humana — com discernimento dos Céus pediu-lhe para apurar. Recebi um ano de disciplina. Um diretor, de São José dos Campos (SP), tentou me ajudar, explicando-lhe que não preguei heresia. Foi disciplinado por um ano também. Quando me levantei para ir embora, o Missionário — perante todos os diretores — me disse:

 

— O Senhor me disse que enviaria um jovem, escolhido Dele, para ser meu sucessor. Deus o trouxe para cá. Você era o meu sucessor. Deus o escolheu, mas o Diabo o enganou.


   Contudo, sei que o Inimigo não me havia enganado. Minha posição era bíblica e verdadeira. Meu antigo pastor manifestou aquilo em virtude da ira.
 

LANÇADO FORA SEM CAUSA
 

   Saímos do prédio administrativo. Saí cheio de Bíblias, livros e dicionários que guardava lá, devido ao programa de rádio e aos estudos escritos que fazia para O Testemunho e para a Ide. O ex-diretor de São José dos Campos ajudou-me a levar. Fomos a pé, rumo a Conde de Sarzedas. Lá morava, num quarto que a vozinha Araci Miranda havia-me emprestado. Ele chorava bastante no caminho, e, por várias vezes, parava a caso de encostar-se para prantear. Pedi que levantasse a cabeça e citei-lhe o texto de Atos 5.41: Retiraram-se, pois, da presença do conselho, regozijando-se de terem sido julgados dignos de padecer afrontas pelo nome de Jesus. Recobrou-se e chegamos ao prédio (de três pavimentos) onde morava. Dei-lhe água e foi-se embora. Quanto a mim, estava alegre no lado espiritual — o Altíssimo deu-me forças e fui fiel à Palavra; todavia, no lado humano — encontrava-me triste pela dureza, injustiça e desconsideração. Pois Ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó (Sl 103.14). Não culpo a ninguém por tudo isso, porquanto a vontade do Redentor era tirar-me de lá e algo tinha de suceder para que a vontade de Deus se concretizasse: E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto (Rm 8.28). Tudo foi pela permissão de Deus! Louvado seja Deus!
   No outro dia, fui visitar a vozinha Araci, que estava entre vida e a morte. Nada disse sobre o corrido. Conversei com ela, orei pelos enfermos nos quartos. Uma semana após a disciplina Deus a recolheu: Preciosa é à vista do Senhor a morte de Seus santos (Sl 116.15). Fiquei arrasado e totalmente desolado. Aí, sim, uma grande tristeza invadiu meu ser. Havia perdido tudo em poucos dias: Não podia pregar, nem exercer o diaconato, nem tomar a Ceia do Senhor; tinha de correr atrás de emprego, em função das contas, para não atrasar, etc. Por último, a vozinha que tanto me ajudou e me amou...

 

DE VOLTA À CASA DOS MEUS PAIS E FIRME A CUMPRIR A DISCIPLINA, AINDA QUE INJUSTA
 

   Em julho de 2012, meu pai foi-me buscar e voltei a Cubatão (SP). Passei a dar aulas de português numa escola de formação de técnicos em segurança do trabalho. Frequentava a congregação (da igreja à qual pertencia) do Jardim Costa e Silva. Todos os dias estava lá, exceto três, na semana. Minha fé em Jesus estava a todo vapor! Aleluias! Embora na denominação estivesse de todo impedido, a Palavra do Senhor não estava presa; por isso, evangelizava nas ruas, fazia visita aos enfermos nos hospitais, chamavam-me para fazer cerimônias fúnebres: Pelo que sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a Palavra de Deus não está presa (2Tm 2.9).
   Durante o tempo da disciplina, pessoas me ligavam pedindo para eu fundar uma igreja. Umas irmãs de Cubatão, que me conhecem desde a adolescência, também faziam tal pedido. Não aceitava nem gostava que tocassem nesse assunto, pois teria de cumprir o tempo dado pelo líder: Obedecei a vossos pastores... (Hb 13.17). Que exemplo daria se cedesse a tais tentações? Esse é o papel e o perfil de um homem de Deus? Se fundasse antes da completude da disciplina, incorreria em pecado de rebelião e divisão (cf. 1Sm 15.23). Mesmo sem dever, por vezes, devemos sofrer o dano para que o Adversário seja vencido e envergonhado. Assim Paulo fazia (2Co 2.10,11). Sabia que Yahweh tinha essa Obra através de mim, como um instrumento Seu; contudo, tinha de ser na hora certa e acabada a disciplina. Onde estaria minha submissão?

 

VOLTA EM COMUNHÃO: A MENTIRA MAQUIADA DE VERDADE
 

   Esqueceram-se de mim. Dentre os diretores, companheiros de mesa, somente duas pessoas me ligaram para saber se estava bem; uma das quais foi a esposa do líder. A suspensão era de um ano, contudo deixaram-me um ano e sessenta dias. Quando um diretor me ligou para dar a resolução da Diretoria, finalmente, expôs que seria apenas membro — não podendo mais pregar, nem exercer o episcopado. Todavia, na Circular de junho de 2013, constou-se que estava liberado para exercer todas as minhas funções ministeriais. Isso era uma grande mentira. Procederam impiamente para não alarmar o povo contra a resolução injusta e houvessem revoltas contra eles.
 

OBEDECENDO AO CHAMADO DE DEUS
 

   Estava em oração há tempos. Guardava o que meu líder havia-me dito e, além do quê, inúmeras pessoas falavam-me — desde a infância, passando pela adolescência, mediante profecias, revelações (em outra oportunidade as detalho) — as mesmas palavras, confirmando o intuito do Deus Eterno. Lutava com Deus para não abrir uma igreja. Entretanto, sentia a dor das almas por conta do Evangelho verdadeiro. Precisavam de uma igreja séria, que viva (sem enganos) na doutrina da santificação tríplice — no espírito, na alma e no corpo (1Ts 5.23) — e que combata as heresias atuais e as falsas doutrinas das religiões pagãs; uma Obra sem misticismos, nem imitações do neopentecostalismo, sem as músicas gospel — desses cantores cuja parte é com Satanás, porque estão apartados do Evangelho, buscando o bel-prazer (cf. Am 5.23; Pv 27.21); uma Obra que preze pelos rudimentos do pentecostalismo clássico e seja de oração, jejum, ar-livres, discipulados e bem-fincada na Escritura, com seriedade. Só que o meu desejo era fugir do chamado. Entrei em contato com uma doutora da USP, que foi minha professora na universidade, para me ajudar, porque queria fazer um mestrado. Por várias vezes, ao me ligar, a esposa do líder tentava fazer-me voltar normalmente; porém, todas as vezes, algo de errado sucedia. Ou dava tudo certo, mas no outro dia ligava, pois subitamente mudaram. Entendi que a porta que Deus fecha, ninguém abre. Outrossim, foi quando estudando a Palavra li, em Marcos 8.35, que devemos dar a vida por amor de Cristo e do Evangelho. Esse texto me tocou fortemente. “Que servo de Deus sou se não der a vida por Ele, se não sofrer pelo Seu Nome?, ponderei.
   Com o objetivo, de uma vez por todas, de ouvir a voz do Altíssimo e ter certeza de Sua vontade para mim, resolvi ir a uma igreja que ninguém me conhecesse, nem soubesse o que estava passando. Entrei numa Igreja Batista (no Jardim Casqueiro, Cubatão/SP), bem-tradicional, que não aceita o batismo no Espírito Santo nem a atualidade dos dons. No entanto, queria que Deus falasse comigo pela pregação da Escritura. Assim, teria o asseguramento de que as revelações, profecias e visões eram verdadeiras, uma vez que a palavra final, confirmando-as, seria das Santas Escrituras!
   O pastor leu Lucas 8.22, e o tema da mensagem era Passemos para a outra banda do lago. Numa das partes do sermão, dizia:

— Não perca a oportunidade que Deus lhe dá. Antes de ser pastor, trabalhava nas docas, no Porto de Santos. Meu ex-patrão me contou, em lágrimas, que perdeu a oportunidade de hoje ser um dos principais colunistas do Estadão. Ele havia se formado em Jornalismo. Seu amigo de classe quis aventurar-se e o chamou para ir à sede do Estadão pedir emprego. Meu ex-patrão trabalhava no escritório das docas e falou que não sairia dali para tentar emprego, pois de repente poderia perder tudo. Por fim, seu amigo tornou-se um jornalista renomado no Brasil e ele? Permaneceu na mesma coisa até hoje!
   Deus está-lhe dizendo para atravessar o lago, mas você fica preso no ciclo religioso no qual nasceu. Só porque você cresceu nessa igreja? Desapegue da denominação. Obedeça ao Senhor Jesus! Só porque lá Deus o honrou? Tem medo de se aventurar? Atravesse o lago. Deus tem algo grande para fazer do outro lado. Sua mente ainda não tem conhecimento do que o Senhor fará. É uma obra muito grande. Se Ele já fez algo grandioso em sua vida, isso não é nada perto do que Ele vai fazer. Mas precisa atravessar o lago. Muitos sofrimentos e lutas virão, porém vitórias e almas salvas virão também de todos os lados. O Espírito de Deus honrará a Obra em suas mãos. Apenas atravesse o lago. Tenha coragem. Não perca a oportunidade. As oportunidades passam, e muitas não voltam mais...

 

    Aquele pastor não sabia de nada. Meu Deus! O único e verdadeiro Deus revelou a minha vida. Parece que ele me conhecia; só que nunca havia me visto. Comecei a chorar. Dei “glórias a Deus!” e “aleluias!”, e alguns deles me olharam assustados, dado que os batistas tradicionais não possuem tal forma de adoração nos cultos. A confirmação pela Escritura foi enfática. Com efeito, as profecias e revelações eram verdadeiras. O que meu ex-líder me expôs naquela mesa era verdade. Realmente, o tempo era chegado.
   Já estava conversando — engatando o namoro para o futuro noivado e casamento — com a que hoje é minha esposa: a amada e doce Helena. Cheguei do culto e falei a ela tudo o que tinha ocorrido. Ela glorificava a Deus do outro lado do celular. Falei para ela: “Atravessarei o lago, porque hei de obedecer ao Deus de Israel!” E ela decidiu sofrer pelo Evangelho comigo, pôr a mão no arado e lutar pelas almas.

 

MEU ÚLTIMO CULTO NA ANTIGA DENOMINAÇÃO
 

   Chegou o dia da Santa Ceia, na minha antiga denominação. Era uma data em meados de junho. Fui cear. E aquele seria o meu último culto no ministério. Participei da Ceia e comecei os preparativos para a fundação da Obra. Não enviei carta de desligamento à igreja de outrora, porque como os líderes dela praticaram um ato de comportamento baixo, censurável, indigno de pessoas honestas, relativo à minha comunhão (como exposto acima), percebi que são indignos de confiança e não há uma maneira honrada de sair da denominação, por mais que qualquer um almeje.
 

PROCURANDO SALÃO PARA A IFAP E O PERFIL QUE DEUS REQUER DE NÓS
 

   Comecei a procurar salão para inaugurar a primeira igreja. Achei um, na Rua Monte Castelo, n.º 622, Vila Nova, Cubatão. Só que é digno de nota que nunca fui atrás de nenhum crente do ministério de outrora. Nunca liguei chamando uma alma sequer para congregar comigo. Até os telefones de obreiros do Brasil e do exterior apaguei, a fito de não tê-los mais e me acusarem falsamente de tentar trazê-los, pois o meu intuito era abrir um trabalho para ganhar almas. Nunca fui à Internet falar disso ou daquilo, fazer contendas, fermentar, expor pessoas e me vitimizar. Isso não é papel dum homem de Deus (cf. Tg 4.11). Devemos chorar aos pés do Senhor. É Ele Quem nos justifica: Quem intentará acusações contra os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica (Rm 8.33). Sabia que teria de sair às ruas, evangelizar, apregoar a verdade de Deus, dar estudos bíblicos para que santos de Deus estivessem preparados para responder a razão da esperança contida neles (1Pd 3.15).
 

O PORQUÊ DO NOME IGREJA DA FÉ APOSTÓLICA
 

Missão da Fé Apostólica era o título do novel movimento pentecostal nos Estados Unidos, de 1906 a 1909, principiado na Rua Azusa, n.º 312 – Los Angeles, num antigo depósito de cereais, por Wiliiam Seymour. No Brasil, Missão da Fé Apostólica foi o nome que, devido ao avivamento da Azusa Street, os missionários suecos (Gunnar Vingren e Daniel Berg) deram à igreja aberta em 1911, em Belém do Pará. Contudo, em 1918 a igreja recebe personalidade jurídica e passa a usar o nome de Assembleia de Deus, já que também era usado nos Estados Unidos desde 1914, deixando o uso do nome Fé Apostólica. Por isso, resgatei a herança histórica desse nome, e, segundo a anuência de Deus, a Obra foi registrada como Igreja da Fé Apostólica — IFAP, pois tal nome remonta ao avivamento da Rua Azusa, à genuína e sã doutrina pentecostal, ao pentecostalismo clássico e verdadeiro. Aleluia! Perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele (Jr 6.16).
 

ASSEMBLEIA DE FUNDAÇÃO DA IFAP
 

   Já fechado o contrato do imóvel da primeira congregação da IFAP, em julho, reuni-me com os irmãos na casa da Ir. Isabel, na Avenida Henry Borden, Vila Santa Rosa, Cubatão, a caso de fazer a Assembleia Geral e a Ata de Fundação da IFAP. Lá tratei com os presentes das diretrizes da Obra, do zelo pela doutrina da santificação, da busca dos dons, da seriedade na Palavra e nos estudos bíblicos, da parte administrativa e do amor que devíamos ter pelas almas. Sabendo que tudo estava engatilhado para a fundação, alguns irmãos e irmãs com as quais evangelizava, pregava e visitava (do antigo ministério) na hora H abandonaram-me. Ainda assim, passaram a dizer que nunca falaram de sair. O pecado da hipocrisia e da mentira os tomou! Não me preocupava, porque tinha certeza da voz de Deus. Além de tudo, a IFAP estava sendo fundada para voltarmos ao pentecostalismo primitivo, à doutrina da santificação, à igreja de Atos, que lutava pela causa de Deus. Convicto, não temia nada.
 

DIAS DE FURACÃO: PERSEGUIÇÕES, MENTIRAS, CALÚNIAS E PRAGUEJAMENTOS CONTRA A OBRA
 

   Não fiz rebelião nem divisão. Nunca chamei uma alma da igreja de outrora. Como também os irmãos de Adamantina e Flórida Paulista — por livre e espontânea vontade — estavam se reunindo e averiguando salão a fim de alugar para a IFAP ser aberta lá, um diácono de Flórida Paulista (da igreja a que pertencíamos) presumiu a abertura, e como era contra os irmãos, em razão de inveja, enviou um fax à Sede do Ministério dele. Como nunca mais fui à antiga denominação desde a Ceia, calcularam que sairia; ademais com o fax, decidiram nos oprimir cruelmente. Deste modo, a Sede enviava todos os dias um evangelista para pregar na congregação do Jd. Costa e Silva e os faziam distribuir um livrete, alegando que era divisor. Um diretor desceu e fez uma reunião, em Cubatão, e mentiu descaradamente que eu andava de porta em porta pedindo ofertas aos membros e aos obreiros. Os próprios presentes começaram a contestá-lo e retruca-lo publicamente. Conheciam-me desde a infância e sabem que jamais fiz isso em toda a minha vida. O mesmo diretor foi a Santos (igreja que dirigi por três anos, Praça dos Andradas, n.º 9) e lá verbalizou o meu nome às claras, mentindo todo mal contra mim e me difamando por mero capricho. Somente para se ter ideia: diretores ofereciam vantagens (cargos, prebendas, viagens, estar junto deles como “amigos”) a pessoas ligadas tanto a mim quanto à Helena para descobrir o que faríamos e listar aonde íamos, com o propósito de nos perseguir, desterrar a Obra e nos desmoralizar. O ex-líder (embebedado de pessoas carnais e invejosas que ansiavam por minha saída, em face daquilo que confessou aos diretores no dia da minha disciplina, e porque não me submeti ao seu gosto de me retratar) — à farta, não media palavras contra mim nas cadeias de emissora de todo o Brasil e exterior, expondo que preguei doutrina do Diabo e fui enganado por Satanás. Ria e asseverava que nem dinheiro para pagar o aluguel do salão conseguiria. Contavam-me tudo isso, mas não dava lugar à tristeza nem ao desânimo. Sabia que a vocação era divina e, segundo as palavras do Filho de Deus, bem-aventurado sois vós quando vos perseguirem e injuriarem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós, por Minha causa (Mt 5.11).
Para atenuar a perseguição um pouco e ter como inaugurar a IFAP, pedi sabedoria a Deus (Tg 1.5). O Senhor me enviou a Adamantina e às cidades arredores, no Oeste Paulista, juntamente com o Coop. Bruno Tiveron e outro cooperador. Enquanto nos perseguiam na Baixada Santista, onde evangelistas e diretores iam e viam (muitos até nem falavam nada contra a minha pessoa, já que sabiam da idoneidade, integridade e do caráter que demonstrei enquanto estive lá), fazia com os dois cooperadores cultos ao ar livre nas praças, feiras e bairros das cidades circunvizinhas, visita à Santa Casa de Adamantina, evangelizações, etc. Levei o meu trombonito e o outro cooperador tocava o trompete — fazíamos dueto — enquanto o Coop. Bruno e o Coop. Eduardo Luís, de Flórida Pta., cantavam fervorosamente. A Sede da nossa velha igreja ficou sabendo e enviou uma turba de evangelistas para lá. Aí, sim, havia chegada a hora de inaugurar a primeira IFAP. O campo estava livre. Na Baixada Santista, as perseguições, calúnias e injúrias atenuaram um pouco, porque pensavam que estava no Interior de SP. Realmente, foi sabedoria dos Céus! O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena (Pv 27.12).

 

INAUGURAÇÃO DA PRIMEIRA IFAP, EM PRAÇA PÚBLICA
 

   A Igreja da Fé Apostólica foi inaugurada em 25 de agosto de 2013. Cerca de vinte irmãos estavam comigo nessa empreitada espiritual, após grandes lutas e perseguições. Destes, alguns eram de Cubatão, Cerquilho, São Vicente, Flórida Paulista, Guarulhos, Adamantina e São Paulo. Dentre os tais, encontrava-se aquela moça linda e modesta — Helena — que seria dali a um ano e cinco dias a minha esposa. Estávamos na Praça Miquelina Rodrigues. Ali inauguramos a Obra. Estava a uma quadra do salão locado à IFAP. Fizemos o culto na praça e, de lá, todos fomos abrir as portas de uma obra que nasceu para prezar pela evangelização dos povos e pela doutrina do Senhor Jesus!
Abri as portas, para que entre nela a nação justa, que observa a verdade (Is 26.2).
   As pelejas, calúnias, perseguições e ultrajes árduos se intensificaram. Muitos não aguentaram e recuaram, deixando o arado. Outros posteriormente saíram, alguns se rebelaram; todavia, o Deus dos santos profetas nunca deixou a Obra Dele perecer. Ele sempre prepara ajudadores e homens de Deus para estarmos juntos na labuta. O Senhor Jesus tem salvado muitas almas e as batizado no Espírito Santo. O escopo não me permite prosseguir, no entanto, essa é uma pequena mostra das dificuldades, lutas e vitórias da IFAP, em poucos anos de fundação. Faltou dizer muitas coisas, de sorte que, em outra oportunidade, prosseguiremos. Face ao exposto, só tenho a dizer: Até aqui nos ajudou o Senhor! — 1Sm 7.12.