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3 – O Terrível Misticismo da “Água Ungida”

 

         a) Ressurgindo o misticismo da Era Medieval. Martin N. Dreher na obra Bíblia — Suas Leituras e Interpretações na História do Cristianismo[12], destaca, por exemplo, que o culto no Período Medieval (entre os séculos V e XV) se tornou em extremo místico:

 

            Vendiam-se desde bolinhas da terra com a qual Adão fora feito até cera dos ouvidos e leite da Virgem Maria, estrume do burro do estábulo de Belém, fios do cabelo e da barba do Salvador. Mostrava-se, inclusive, o prepúcio circuncidado de Jesus. Ao todo, existiam nada menos do que 13 exemplares do prepúcio de Jesus em toda a Europa.

 

          “Esse misticismo foi uma marca inequívoca que o Cristianismo afastara-se da Palavra de Deus. A luta dos reformadores foi no sentido de que a Palavra de Deus voltasse a ocupar o seu lugar novamente.”[13]

        Da mesma maneira, hoje a Palavra do Senhor foi expulsa da maioria dos púlpitos. É o sinal apavorante da grande apostasia que antecederia a Segunda Vinda de Jesus (2Ts 2.2,3; 1Tm 4.1). Há práticas usadas, em nome da fé, que mais se associam às sessões espíritas, e não aos fundamentos da lídima fé cristã! Tais práticas levam os crentes a serem supersticiosos.

          As heresias da Era Medieval — de materializar o sagrado e de usar símbolos para pessoas depositarem a fé, ressurgiram volumosamente nos dias de hoje. Talvez os materiais e os objetos tidos como sagrados tenham mudado, mas as heresias que os sustêm renasceram a todo o vapor! Ora, não estão às escâncaras? A tal da “água ungida” é um exemplo clássico! Isso “lança o devoto em uma verdadeira adoração idolátrica [...] O objetivo é colocar o fiel em contato com algo palpável, material e sensível e dessa forma ter sua fé estimulada. A fé, sem dúvida, é estimulada, mas é uma fé idólatra!”[14] Se nos dias medievais tais coisas afastaram os cristãos da adoração e da fé verdadeiras, por conta disso tiveram de se voltar à Palavra pela Reforma Protestante, por que agora, que inúmeros cristãos e ministros trilham pelo mesmo caminho, não aceitam tal repreensão e se relutam voltar à simplicidade que há no Evangelho de Cristo? (2Co 11.3). Ora, tão só Ele não nos é suficiente?! Seguramente, o que faz divisão entre o homem e Deus, afastando-o da Palavra, é o pecado (cf. Is 59.2); portanto, essa fé mística representa terrível pecado!

 

         b) Baseada no misticismo antigo — água ungida: um amuleto. A “água ungida” — além de ser uma heresia católico-romana (água benta) e a prece do copo d’água uma doutrina espírita (água fluidificada), como visto acima —, torna-se um amuleto usado com finalidades místicas. A voz de Deus brada para que o Seu povo não se una com profanações, doutrinas falsas e tudo aquilo que é contrário à Sua Palavra: E a Meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir entre o impuro e o puro (Ez 44.23); Assim diz o Senhor: Se tu voltares, então te trarei, e estarás diante da Minha face, e se apartares o precioso do vil, serás como a Minha boca; tornem-se eles para ti, mas não voltes tu para eles (Jr 15.19); Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido (1Co 2.15).

            Sem sombra de dúvida, a “água ungida” é amuleto, já que amuleto é qualquer objeto ou coisa que uma pessoa atribui poder espiritual para se proteger de influências malignas, diabólicas, enfermidades, etc. É algo que alguém consagra a fim de, por meio dele, ser abençoado. É usado como “símbolo de fé”, um “elo”, um “ponto de contato” a caso de levar a alguém a depositar a fé no Senhor.

            Além disso, como a água, após a oração, é usada com finalidades espirituais, isso — incontestavelmente — tem ligação com o misticismo. Misticismo é acreditar que é possível alcançar comunhão com Deus através de símbolos, rituais e objetos sagrados. Depositar a fé em algo inanimado, atribuindo-lhe poder de conquista.

 

           c) A verdadeira fé em Deus contra a “água orada”. Fatalmente, devido à suposta “água ungida”, o poder da fé é excluído, visto que algo sem vida passa a ser utilizado como fonte de poder espiritual, daí, então, nasce a fé idólatra, que precisa de algo palpável para crer. Segundo a Bíblia os gregos — idólatras e pagãos, com seus milhares de deuses — tinham esse comportamento: Varões atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; porque, passando eu e vendo os vossos santuários. Achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO [...] para que buscassem ao Senhor, se, porventura, tateando, O pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós (At 17.22,23,27).

         No que concerne à verdade da Escritura — o que é fé? Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem (Hb 11.1). “Se a fé é a prova das coisas que não se veem, ao usar um objeto visível para despertá-la, na verdade, está-se fazendo uso de superstição, que é a transferência da fé em Deus, que não se vê, para um objeto que se vê”.[15] Logo, a fé verdadeira — “o firme fundamento” e “a prova das coisas que se não veem”, ou seja, a fé viva — exclui indiscutivelmente quaisquer amuletos ou talismãs (tal e qual a “água ungida”).

           A fé bíblica ampara-se tão somente em Deus para concretização do impossível e alcance das bênçãos: Pela fé [Moisés], deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível (Hb 11.27). Por conta disso, coisas inanimadas para alcançar e elevar fé ao Senhor tornam-se vãs (à semelhança dos ídolos — cf. Jr 2.11), pois tiram a primazia do depósito na fé no Deus da Bíblia, que é Invisível, Eterno e Imortal (1Tm 1.17) — “a Quem nenhum dos homens viu nem podem ver” (1Tm 6.16). Ele é Espírito (Jo 4.24), porém possui asseidade, isto é, tem vida em Si mesmo — não depende de nada para existir (Jo 5.26; Dt 5.24-26; Js 3.10), desse modo, não é necessário objeto de fé para ser alcançado: Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois Ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas (At 17.25).

        Além do quê, se, cabalmente, o Eterno Senhor não divide a Sua glória com nenhum ser humano, quanto mais com coisas inanimadas! Como seria profanado o Meu Nome? E a Minha glória não darei a outrem (Is 48.11). Somente não é confundido quem crê e deposita a fé no Deus Invisível (Rm 10.11; Mc 11.22-24). Amuletos não são precisos na vida do crente, pois — além de anular o poder da fé — a graça de Deus lhe basta (2Co 12.9). Basta a fé no Filho de Deus e em Sua Palavra para se achegar ao único e verdadeiro Deus (1Tm 2.5; Sl 119.168).

 

 

4 – A Verdadeira Água do Cristão

 

            a) A Água representando o Senhor Jesus. Cristo é a fonte d’águas puras, que mata a sede espiritual de qualquer vil pecador: Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a Mim, e beba (Jo 7.37).

            O Senhor Jesus — a Fonte d’Água Divina — supre as necessidades da vida espiritual de todo ser humano que O buscar, de modo que não é necessário recorrer a qualquer outra água, mas somente a Ele — a Água da Vida: Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nela uma fonte d’água que salte para a vida eterna! (Jo 4.14). As outras águas são de poços imundos, que fazem perecer. Por isso, a suposta “água ungida” torna-se transgressão, pois tira a supremacia de Cristo, induzindo o pecador a buscar algo palpável — proveniente de heresias católico-romanas, de misticismos da Era Medieval e de doutrina espírita — uma espécie de amuleto com fins místicos. Os crentes da Igreja Primitiva não possuíam tal ensino, e os fiéis cristãos de outros séculos o rejeitaram veementemente como heresia.

 

         b) A Água representando a Palavra de Deus. Para a santificar, purificando-o com a lavagem da água, pela Palavra (Ef 5.26). Quando o coração é aberto para receber as palavras da Bíblia Sagrada em obediência e temor, elas agem dentro do homem como água — lavando poderosamente todas as impurezas deixadas pelo pecado, pois penetram até a divisão da alma e do espírito, das juntas e das medulas (Hb 4.12) — locais onde o ser humano não pode entrar.

          A Escritura sempre é tida como água. Até mesmo a expressão “nascer da água” — conforme a doutrina de Jesus (Jo 3.5) — significa ser regenerado, nascer da Palavra do Senhor: Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela Palavra de Deus — viva, e que permanece para sempre (1Pd 1.23). Ou seja, aquele que recebe a salvação passará a ser guiado pela Palavra, e, submetendo-se a Ela, porá completamente todos os setores de sua vida debaixo de Seus mandamentos (Sl 119.105,112; 1Pd 1.15,16; Gl 2.20).

         Verdadeiramente, podemos a cada dia ser inundados da Água Limpa — a Escritura Sagrada: Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo os corações purificados com água limpa (Hb 10.22); Quem crer em Mim, como dizem as Escrituras, rios d’água viva correrão do seu ventre [interior] (Jo 7.38). O máximo que as “águas oradas” deste mundo pode fazer é tocar no corpo, porém nunca no homem interior — alma e espírito (Rm 7.22). 

 

             c) A Água como símbolo da obra do Espírito Santo.

             * A água refresca e tira a sede (Sl 42.2; 23.2). O Espírito Santo consola (Jo 14.16).

            * A água faz brotar árvores e erva (Jó 14.9; Is 44.4). O Espírito Santo renova e faz o crente produzir frutos (Tt 3.5; Gl 5.22).

             * A água limpa (Hb 10.22). O Espírito lava e limpa (Tt 3.5).

             * A água suporta a carga (1Pd 3.20). O Espírito também suporta a nossa fraqueza e intercede por nós (Rm 8.26,27)

             * A água (pela chuva) vem do céu (Is 55.10). O Espírito foi enviado do Céu (1Pd 1.12).

           * A água fertiliza e faz prosperar (Is 44.3). Estas utilidades são reais, prováveis e representam as bênçãos do Espírito Santo que temos experimentado e podem ser experimentadas por quantos as buscam com fé.[16]

 

            O salvo em Cristo tem o Espírito Santo (Rm 8.9; Ef 4.30). Logo, não necessita de outra água para apoiar a sua fé. As necessidades, em todas as áreas da vida, são supridas pela Pessoa do Espírito Santo!

 

 

5 – Conclusão

            Os que defendem de unhas e dentes a “água ungida” (doutrina católico-romana e espírita) — e outros objetos (selo da prosperidade, rosa ungida, fronha dos sonhos, tijolo ungido, par de meias consagradas, vassoura ungida, bala ungida, cântaros, pedras de Davi, espada de Gideão, buzina de Josué, vara de Jacó, etc.) como canais de fé — apresentarão algumas objeções, pinçando a Bíblia aqui e ali para defender sua tese. Todavia, na conclusão deste estudo, responderemos aos falsificadores da Palavra de Deus (2Co 2.17).

 

 

a) O azeite da unção

 

             Objeção 1: Se, segundo o estudo em apreço, não podemos ter nenhum objeto consagrado para utilização e depósito de fé — porque Deus e a fé são invisíveis —, o que fazer, então, com o azeite para a unção? O azeite também não levará muitos ao misticismo? Ele não é, do mesmo modo, um símbolo? Não é por isso que alguns teólogos dizem que a unção com óleo não é doutrina bíblica, e o azeite usado pelos apóstolos era tão somente medicinal?

 

           Resposta: O texto bíblico diz: Está alguém dentre vós doentes? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente... (Tg 5.14,15). A unção com azeite é uma exceção, já que tem apoio e está às claras na Palavra do Senhor. E no que concerne a isso: Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus (Dt 4.2; cf. Ap 22.18,19). A unção com óleo (acompanhada da oração da fé) representa o sinal visível da operação invisível do Espírito Santo. Outrossim, não é invenção de homens sem o conhecimento do único e verdadeiro Deus, nem da Era Medieval, nem de seitas espíritas.

           A iniciativa está com a pessoa doente ao chamar os presbíteros, que são os líderes da igreja (cf. 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9). Suas qualificações os caracterizam como homens de honra pessoal e maturidade espiritual — tendo capacidade especial proveniente de Deus — principalmente na área do discernimento. Eles têm posições de autoridade e são, presumivelmente, homens de fé e de oração.

         Quando é dito “ungindo-o com azeite” não se refere a um ato medicinal (cf. Mc 6.13) nem tampouco a uma poção mágica. Ao certo, foram os presbíteros ou pastores que receberam a incumbência de ungir, de modo que ambos são autoridades espirituais, e — referente à isso — não foram enviados como médicos, enfermeiros ou autoridades sanitárias; logo, tal óleo não podia, em hipótese alguma, ser medicinal, mas, certamente — o símbolo da consagração de pessoas doentes e da presença alegre do Espírito Santo, neste caso para trazer a cura. Até porque é pelo poder do Nome de Jesus que os enfermos são curados (Mc 16.17,18; At 3.6-8; 16.18); por consequência, eles oravam e ungiam “em nome do Senhor”, o que denotava o agir do poder divino. Além disso, muitas vezes, nas Escrituras Sagradas, o óleo (azeite) é símbolo do Espírito Santo e de Sua operação (Hb 1.8,9; Is 61.1; Lc 4.18; 2Co 1.21,22; 1Jo 2.27; 1Sm 10.1; 16.13; At 10.48). Sendo assim, o Apóstolo Tiago ressalta o poder da cura através da oração que acompanha a unção.[17] 

          Portanto, a única exceção da Palavra de Deus é concernente à unção com azeite acompanhada da oração da fé, pois representa — através da unção visível e tangível do óleo — a transmissão da unção invisível e sobrenatural do Espírito de Deus. Ainda assim, toda essa objeção, querendo dar apoio à heresia da “água ungida” cai por terra, pois somente os presbíteros e pastores estão determinados a ungir os enfermos, de sorte que tal óleo não é uma espécie de poção mágica.

 

 

b) Objetos consagrados citados na Bíblia, por exemplo, os lenços e os aventais de Paulo

 

            Objeção 2: Atos 19.12 relata o uso dos aventais e lenços de Paulo para curar enfermos e expulsar demônios em Éfeso. Por isso, na atualidade, a prática da “água ungida” e outros objetos consagrados têm base bíblica o suficiente, pois, tal qual os lenços e aventais do apóstolo, servem como ponto de contato de fé.

 

           Resposta: O texto em análise diz: De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos caíam. É preciso salientar, entretanto, que esse acontecimento é o único do gênero que há registro no Novo Testamento. Fez parte dos “milagres extraordinários” que o Senhor realizou em Éfeso pelas mãos de Paulo (At 19.11).

      Já que a Bíblia interpreta a Si mesma (cf. Is 28.10), devemos interpretar essa passagem da mesma forma como interpretamos os relatos do Antigo Testamento sobre o cajado de Moisés (Ex 8.5,16) e o manto de Elias (2Rs 2.8,14). Esses objetos foram veículos materiais do poder miraculoso desses homens. O propósito das narrativas acerca do poder que havia neles foi mostrar o extraordinário poder de Deus nas vidas dos seus possuidores, comprovando que a sua mensagem vinha realmente da parte do Deus Altíssimo. O ponto é que esse poder era tão grande que até as coisas com as quais Moisés e Elias tinham contato diário se tornavam canais através dos quais ele era transmitido.

           À luz dessas passagens, o conceito é sempre o mesmo: Jesus e os apóstolos eram tão cheios do poder de Deus que as coisas com as quais tinham contato íntimo tornavam-se como que em extensões deles, para curar e abençoar as pessoas. O objetivo é idêntico: enfatizar a enormidade do poder de Deus em suas vidas e, assim, atestar que a mensagem pregada por eles, bem como pelos profetas do Antigo Testamento, decerto vinha de Deus. Tão tremendo era o agir dos dons que até mesmo vestes, bordões, ossos, saliva, sombra e lenços desses homens transmitiam o poder curador de Deus que neles havia, transformando-se em extensões deles. É dessa forma que devemos entender o relato de Atos 19 sobre o poder curador dos lenços e aventais de Paulo.

          Textos bíblicos como do bordão de Eliseu, que era usado para realizar milagres (2Rs 4.29), da pasta de figos usada pelo profeta Isaías para curar Ezequias (2Rs 20.7), das vestes de Jesus que curavam pessoas doentes (Lc 8.43-46; Mt 14.36; Mc 6.56; Lc 6.19), da saliva de Jesus para curar cegos (Mc 8.22-26; Jo 9.6-7) e um mudo (Mc 7.33), da sombra de Pedro que curava enfermos (At 5.15) — de igual maneira, devem ser interpretadas à luz do contexto bíblico como visto acima, a fim de não levar a Igreja de Deus ao misticismo e à superstição — porque salta aos olhos de quem conhece as práticas religiosas populares que tanto a “água ungida” quanto o uso de objetos ungidos (rosa ungida, cântaros, pedras de Davi, espada de Gideão, trombeta de Josué, vara de Jacó, chave da vitória, fronha dos sonhos, selo da prosperidade, par de meias, lenço ungido, sal ungido, algodão com o sangue de Cristo, pó do amor, água do rio Jordão, galho de oliveira do Monte Sinai, etc.) são bastante semelhantes ao benzimento de objetos do baixo-espiritismo (patuás, simpatias, ferraduras, cruz de capim-santo, ervas), do Catolicismo Romano (crucifixo, fitinhas, fotos, medalhas e efígies dos santos, acendimento de velas, etc.), das artes mágicas (cristais, pirâmides, incenso) e do ocultismo em geral. Evidentemente, essas passagens não servem como prova de que, hoje, pastores e obreiros podem abençoar objetos e usá-los para expelir demônios, proteger seus possuidores contra forças negativas e curar moléstias, visto que nenhuma dessas passagens foi deixada como mandamento referente a tais práticas à Igreja de Cristo.

            Em suma, notemos as principais diferenças entre o uso desses objetos nos relatos bíblicos e o uso que é feito hoje por igrejas que estão de mãos dadas com o misticismo.

 

          1. Seu uso limitou-se ao momento do milagre — Nenhum dos objetos empregados na Bíblia preservaram algum “poder” em si mesmos após o milagre ter ocorrido. Semelhantemente, os lenços e aventais de Paulo tiveram um uso especial somente em Éfeso, e provavelmente somente durante um determinado período, ao longo dos três anos que o apóstolo passou ali. Em contraste, os ministros, que ungem e abençoam objetos, atribuem a eles efeitos que permanecem muito tempo após a cerimônia. É algo bem diferente do uso ocasional feito pelos profetas e apóstolos.

 

           2. Os objetos estavam ligados à pessoa dos homens de Deus — Alguns dos objetos usados eram coisas pessoais dos homens de Deus, como a capa de Elias, o bordão de Eliseu, as vestes de Jesus, os lenços e aventais de Paulo e, num certo sentido, a sombra de Pedro. Eles só foram empregados por isso. Em verdade, eles possuíam tremendo poder do Alto que seus pertences eram extensão dos dons do Espírito que neles estavam. Não eram coisas oferecidas ao povo a caso de colocarem fé, mas pertences deles. Eles não saíram dando seus pertences a ninguém, e nunca pediram às pessoas para recorrer a eles como amuletos ou talismãs em momentos difíceis.  

 

           3. Nenhum dos objetos empregados foi ungido ou abençoado — Essa é uma diferença fundamental. Atualmente, os objetos são ungidos, abençoados, fluidificados e consagrados através da oração e da imposição de mãos de pastores e obreiros. Supostamente, depois passam a ter poderes especiais. Todavia, em nenhum dos casos mencionados nas Escrituras, os objetos empregados nos milagres passaram, antes, por uma cerimônia de consagração.[18] E por que não o fizeram? Porque não era da vontade do Deus da Bíblia que o povo tivesse uma fé cega e idólatra, mística e supersticiosa — apegada a coisas materiais como “ponto de contato”. Sempre Deus exigiu exclusividade. A fé tem de ser n’Ele — o Invisível! Por consequência, é uma fé viva! Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele exista, e que é Galardoador dos que o buscam (Hb 11.6).

 

 

 

 

Bibliografia

 

 

             1. Dicionário da Bíblia de Almeida. 2.ª Ed. Barueri: SBB, 2005, p. 82.

 

          2. LEONEL, S. A Face Oculta do Catolicismo Romano. 7.ª Ed. São Paulo: Ministério Vida Para Milhões, 2000, pp. 15,16 (grifo acrescido). Texto adaptado.

 

   3. A Água Benta. São Paulo: Associação Católica Nossa Senhora de Fátima. Disponível em: <http://www.acnsf.org.br/news/36217/Agua-Benta.html>. Acesso em: 25 março 2016.

 

         4. SACCONI, L. A. Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa — Comentado, Crítico e Enciclopédico. São Paulo: Nova Geração, 2010, p. 1813.

 

          5. RINALDI, N. Legião da Boa Vontade é a Religião de Deus? — O Movimento Ecumênico do Brasil. Defesa da Fé. Jundiaí: ICP, n.º 16, pp. 22-28, nov. 1999. Texto adaptado.

 

         6. GEISLER, N. L.; BROOKS, R. M. Respostas aos Céticos — Saiba Como Responder Questionamentos sobre a Fé Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 159.

 

             7. BERGSTÉN, E. Teologia Sistemática. 4.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 13.

 

         8. GEISLER, N.; HOWE, T. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e “Contradições” da Bíblia. 6.ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2001, p. 393.

 

             9. Resposta aos Céticos, p. 259.

 

             10. PEARLMAN, M. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. São Paulo: Vida, 1999, p. 62.

 

             11. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, p. 64.

 

          12. DREHER, M. Bíblia — Suas Leituras e Interpretações na História do Cristianismo. São Leopoldo: Sinodal, apud GONÇALVES, J. Rastros de Fogo: O que Diferencia o Pentecostes Bíblico do Neopentecostalismo Atual? Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 70.

 

             13. Rastros de Fogo, p. 70.

 

             14. idem, p. 71, texto adaptado.

 

            15. RINALDI, N. Perguntas e Respostas sobre a Vida Cristã. Disponível em: <http://www.iepaz.org.br/perguntas-e-respostas-sobre-a-vida-crista/>. Acesso em: 18 maio 2015.

 

             16. SOUZA, E. A. de. Nos Domínios do Espírito. 2.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1987, p. 17, texto adaptado.

 

             17. Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri: SBB, 2001, pp. 1303,1304, nota de rodapé. Texto adaptado.

 

 18. LOPES, A. N. Objetos que Trazem Bênção e Maldição. Disponível em: <http://portuguese.thirdmill.org/files/portuguese/57075~9_19_01_10-09-46_AM~Objetos_que_Trazem_B%C3%AAn%C3%A7%C3%A3o_e_Maldi%C3%A7%C3%A3o.html>. Acesso em: 18 maio 2016. Adaptado.

 

A HERESIA DA “ÁGUA UNGIDA”