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Carnaval: O Expositor das Obras da Carne

Por Johny Mange

 

c) As bebidas alcoólicas. Nos dias do carnaval, há um aumento sem precedentes no consumo de bebidas alcoólicas. Se um tipo de bebida já faz mal, imagine a mistura de outras em vários dias seguidos, tais como cerveja, vinho, cachaça, conhaque, vodca, uísque, etc. Essas combinações atacam facilmente o organismo e destroem as células do cérebro. A bebedeira causa sérios danos físicos, psíquicos e sociais, também provoca vários níveis de depressão do sistema nervoso central e alterações do comportamento. Sem falar nas enfermidades que causam, consumando a morte...

          De fato, a bebedice anda de mãos dadas com o carnaval; um não vive sem o outro! Descaradamente, os foliões não bebem com a desculpa de inibir frustrações ou extravasar alegrias, mas, sim, porque o script do carnaval o pede! A bebedeira é a alma do carnaval — o combustível da manifestação exterior da farra.

          Conforme a Palavra de Deus, a bebida alcoólica destrói a vida, e quem for levado por ela se perderá (Pv 20.1). Aquele que se comporta com decência jamais se entregará às bebedeiras (Rm 13.13). Os bêbados não herdarão o Reino dos Céus (1Co 6.10). Bebedice é obra da carne — e aquele que cai nesse erro não tem parte na vida eterna (Gl 5.20,21). A Bíblia também condena a embriaguez (Ef 5.18), de sorte que o salvo por Jesus jamais carregará seu coração de embriaguez (Lc 21.34). É a vontade do Altíssimo tirar o álcool dos ébrios — aqueles que se embriagam com frequência; ou que são propensos à bebida (Jl 1.5). 

           Além de arrancar todos os sentidos, as bebidas alcoólicas afetam drasticamente aqueles que a tomam, fazendo-os capachos do Diabo: Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado. Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá. Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração falará perversidades. E serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro. E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez (Pv 23.29-35).

          Na Ceia, o Senhor Jesus e os apóstolos tomaram o “fruto da videira” (Mc 14.25). E por que Cristo procedeu desse modo? Ele não podia ir contra a Sua Palavra, que condena a ingestão do álcool.

          O fiel ao Senhor não tomará bebida alcoólica de forma alguma — nem mesmo “socialmente”, pois ela o faz violar e agir contra a própria consciência (Rm 14.22,23); fazendo com que “um abismo chame o outro abismo” (Sl 42.7). O cristão faz tudo para a glória de Deus (1Co 10.31). Por acaso, o álcool é para a glória de Deus?

 

           d) Incentivo ao sexo sem compromisso. O Dia noticiou que, no Carnaval de 2016, o Ministério da Saúde lançou a campanha “Deixe a camisinha entrar na festa”, para distribuição de cinco milhões de preservativos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Salvador e Minas Gerais.[15]

         Embora o governo o faça a fim de reduzir as doenças sexualmente transmissíveis — AIDS, condiloma acumulado (verruga genital), sífilis, clamídia, gonorreia, cancro mole e cancro duro, doença inflamatória pélvica, tricomoníase, uretrite — , a realidade é que também incentiva o sexo descomprometido, a fornicação, adultério, prostituição, etc., visto que todo esse mal pode ser banido de uma só vez — se ele ensinar, segundo a Bíblia Sagrada, que o sexo apenas deve ser feito dentro do casamento, entre um homem e uma mulher: Mas, por causa da prostituição, cada um [homem] tenha a sua própria mulher, e cada uma [mulher] tenha o seu próprio marido [...] mas, se [solteiros ou viúvos] não podem se conter, casem-se, porque é melhor casar do que se abrasar (1Co 7.2,9).  Tudo o que for oposto a essa visão é contrário à vontade do Deus da Bíblia: Seja honrado o matrimônio por todos, e seja o leito sem mácula; pois, aos fornicários e adúlteros, Deus os julgará (Hb 13.4, Tradução Brasileira).

         “O Cristianismo ajudou a preservar a família como unidade básica da sociedade. Impediu que milhões fossem contaminados por doenças sexualmente transmissíveis e evitou muita infelicidade por parte daqueles que obedecem aos ensinamentos bíblicos. [...] [Por isso] A Bíblia mostra o sexo como sagrado somente dentro do casamento; e até mesmo a concepção de vida deve ser santa. Essa ética, portanto, condena o sexo antes do casamento (fornicação), o adultério, o estupro, a homossexualidade, a bestialidade, o incesto e a pornografia. Esses padrões foram dados pelo Criador deste universo, o Criador de todos nós. Ignoramos esses padrões para o nosso próprio risco, temporal ou eterno.”[16]

         Enquanto os governos deixarem os mandamentos do Senhor Jesus e os colocarem para fora de seus países, nada, absolutamente nada refreará o avanço de toda sorte de males, já que eles deram as costas ao Eterno Deus: Abstenham-se das contaminações [...] da prostituição [...] da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes (At 15.20,29).

         Distribuir preservativos não diminuirá o avanço das doenças venéreas na sociedade. Ao contrário, resume-se que o carnaval — nos três dias de folia, com toda a sua depravação sexual e com as suas escancaradas propagandas que estimulam o sexo, a deixar homens e mulheres à flor da pele para um sexo sem compromisso — é o antro das doenças sexualmente transmissíveis.

 

       e) A perda do sono. São três dias de folia no carnaval. Danças, apresentações, sexo sem compromisso, bebedeiras, uso de drogas embaralham-se nesse festival. A farra é esperada o ano inteiro, de maneira que os foliões não querem perder um dia sequer. Por isso, a maioria dos farristas se intoxica para não sentir sono e “desfrutar” o carnaval; milhares tomam anfetaminas (dentre as quais “rebite”, “bolinhas”, “ecstasy”) — drogas estimulantes da atividade do sistema nervoso central, que fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando-o mais “aceso”, “ligado”, “sem descanso”, “esperto”, “elétrico”. Ou, então, as constantes atividades do script do carnaval não dão tempo aos foliões de dormir; logo, comemoraram a farrona da carne desenfreadamente.

       Entretanto, a perda de sono gera terríveis danos à saúde. “Se um ser humano dele [do sono] for privado, experimenta alucinações, podendo entrar em coma e às vezes até morrer. Durante o sono, o corpo relaxa, e a maior parte da atividade orgânica é reduzida: a atividade cerebral, a pressão sanguínea, a temperatura do corpo, o batimento cardíaco e a respiração. [...] o sono é essencial para a saúde e a vida”.[17]

           Eis alguns males à saúde provenientes da perda do sono ou de noites mal dormidas: 1) alteração de humor, 2) déficit de atenção, memória e raciocínio, 3) baixo rendimento imunológico, 4) obesidade e diabetes, 5) hipertensão e doenças do coração, e 6) prejuízo ao intercurso sexual.[18]

          Infere-se que os farristas, devido à perda de sono, destroem-se a si mesmos nos três dias de carnaval, obtendo tais malefícios em sua saúde. E, concernente a isso, retraem, ainda, a ira do Senhor, por agirem intencionalmente para satisfação dos prazeres carnais: Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo (1Co 3.17).

          Será que essa é a vontade do Deus Altíssimo — o Criador do ser humano? Não! Sua Palavra esclarece: Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou (Sl 3.5); Quando te deitares, não temerás; sim, tu te deitarás e o teu sono será suave (Pv 3.24); Doce é o sono do trabalhador... (Ec 5.12).

 

 

Conclusão

            Não é o carnaval uma manifestação cultural do Brasil? Não devemos respeitar as culturas? Tais perguntas, atualmente, são feitas por inúmeros “crentes” e “pastores”, querendo dar apoio ao carnaval. Na cabeça deles, pode-se celebrar o carnaval duma maneira “evangélica”.

            Contrariamente, um pastor e escritor disse: “O Evangelho nunca é hóspede da cultura, mas sempre seu juiz e redentor.”[19] Neste sentido, o Evangelho é o agente transformador de quaisquer culturas, pois com amor, retidão e justiça as adequará às verdades eternas do Santíssimo Deus; por isso, nunca se reduzirá a nenhuma cultura: E não vos conformeis com este mundo [sistema contrário a Cristo; século], mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimentais qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2). A Igreja deve influenciar o mundo para o bem, e nunca ser influenciada pelo mundo — para o mal.

            “Não vos conformeis” significa não se ajustar (amoldar, adequar) às filosofias, à psicologia, aos anseios, aos governos, às culturas, à falsa moralidade, ao relativismo, ao politicamente correto, à ciência, às artes, às diversões, à medicina, à educação, etc., que se opuserem aos padrões requeridos pelo Eterno à humanidade (1Jo 2.15-16; Tg 4.4). O intuito do Filho de Deus é que o Espírito opere a transformação da mente e do interior do ser humano (2Co 3.18); somente esta erradicará o modelo mundano atual.

            Ante tudo isso, como visto acima, não há como unir o Evangelho com a festa da carne, pois um se opõe ao outro. Logo, jamais a Igreja de Deus terá parte na cultura diabólica do carnaval, que abraça a idolatria (desde seus primórdios), o sexo sem compromisso, os pecados sexuais, as bebedeiras, a exposição da nudez, o uso de drogas, etc.

            Enfim, diz o Todo-Poderoso: Sede santos, porque Eu sou santo — 1Pd 1.16.

 

 

Bibliografia

 

1. SACCONI, Luiz Antonio. Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa: comentado, crítico e enciclopédico. São Paulo: Nova Geração, 2010, p. 373.

 

2. idem.

 

3. id.

 

4. BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática.4.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 214.

 

5. SEBE, José Carlos. Carnaval de Carnavais. São Paulo: Ática, 1986, p. 25.

 

6. FROESE, Arno. Como a Democracia Elegerá o Anticristo: A negação definitiva da independência, liberdade e justiça, de acordo com a Bíblia. Porto Alegre: Actual, 1999, p. 90.

 

7. FRANCHINI, A. S.; SEGANFREDO, Carmen. As 100 Melhores Histórias da Mitologia: Deuses, heróis, monstros e guerras da tradição greco-romana. 6.ª Edição. Porto Alegre: L&PM, 2003, p. 445.

 

8. As 100 Melhores Histórias da Mitologia, p. 456.

 

9. idem, p. 459.

 

10. Carros da Mocidade com Nudez e Orgia Causam Frisson. G1 – Rio de Janeiro. Disponível em: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/carnaval/2015/noticia/2015/02/carro-da-mocidade-com-componentes-nus-causa-frisson.html>. Acesso em: 29 jan. 2016.

 

11. Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa, p. 1243.

 

12. GILBERTO, Antonio. Daniel & Apocalipse: Como entender o plano de Deus para os últimos dias. Rio de Janeiro: CPAD, 1984, p. 131.

 

13. Teologia Sistemática, p. 306.

 

14. ANDRADE, Claudionor de. As Novas Fronteiras da Ética Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p. 181.

 

15. Ministério da Saúde Vai Distribuir um Milhão de Camisinhas no Carnaval. O Dia – Rio de Janeiro. Disponível em: <odia.ig.com.br/diversão/carnaval/2016-01-29/ministério-da-saude-vai-distribuir-um-milhao-de-camisinhas-no-carnaval.html>. Acesso em: 29 jan. 2016.

 

16. KENNEDY, James; NEWCOMBE, Jerry. E Se Jesus Não Tivesse Nascido? São Paulo: Vida, 2003, pp. 164,165.

 

17. Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa, p. 1891.

 

18. 6 Malefícios de uma Noite Mal Dormida. Disponível em: <elhombre.com.br/6-maleficos-de-uma-noite-mal-dormida/>. Acesso em: 2 fev. 2016.

 

19. NICHOLLS, Bruce. Contextualização: Uma teologia do Evangelho e cultura. 2.ª Ed. São Paulo, Vida Nova, 2013.