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Por Johny Mange

 

 

 

1) As Origens do Futebol

 

a) Origens do futebol na China Antiga. Na China antiga, por volta de 3.000 a.C., os militares chineses praticavam um jogo que, na verdade, era um treino militar chamado tsu-chu. Após as guerras, formavam equipes para chutar a cabeça dos soldados inimigos. Com o tempo, as cabeças dos inimigos foram sendo substituídas por bolas de couro revestidas com cabelo. Formavam-se duas equipes com oito jogadores, e o objetivo era passar a bola de pé em pé sem deixar cair no chão, levando-a para dentro de duas estacas fincadas no campo. Estas estacas eram ligadas por um fio de cera; deste jeito, era praticado o tsu-chu.

 

b) Origens do futebol no Japão antigo. No Japão antigo, foi criado um esporte muito parecido com o futebol atual, chamado kemari. Praticado por integrantes da corte do imperador japonês, o kemari acontecia num campo de aproximadamente 200 metros quadrados. A bola era feita de fibras de bambu, e, entre as regras, o contato físico era proibido entre os 16 jogadores (8 para cada equipe). Historiadores do futebol encontraram relatos que confirmam o acontecimento de jogos entre equipes chinesas e japonesas na antiguidade.

 

c) Origens do futebol na Grécia e em Roma. Os gregos criaram um jogo por volta do século I a.C., que se chamava episkiros. Neste jogo, soldados gregos dividiam-se em duas equipes de nove jogadores cada e jogavam num terreno de formato retangular. Na cidade grega de Esparta, os jogadores — também militares — usavam uma bola feita de bexiga de boi cheia de areia ou terra. O campo onde se realizavam as partidas, em Esparta, era bem grande, pois as equipes eram formadas por 15 jogadores. Quando os romanos dominaram a Grécia, entraram em contato com a cultura grega e acabaram assimilando o Episkiros; porém, o jogo tomou uma conotação muito mais violenta.

 

d) O futebol na Idade Média. A Idade Média é o período histórico compreendido entre 476 e 1453, ou seja, entre a queda do Império Romano do Ocidente e a tomada de Constantinopla. Nesse período, há relatos de um esporte muito parecido com o futebol, embora usasse muito a violência. O soule ou harpastum era praticado na Idade Média por militares que se dividiam em duas equipes: atacantes e defensores. Era permitido usar socos, pontapés, rasteiras e outros golpes violentos. Existem relatos que mostram a morte de alguns jogadores durante a partida. Cada equipe era formada por 27 jogadores. Tais grupos tinham funções diferentes no time: corredores, dianteiros, sacadores e guarda-redes, qual seja, goleiros.

 

e) O futebol na Itália Medieval. Apareceu um jogo denominado gioco del calcio. Era praticado em praças e os 27 jogadores, de cada equipe, deveriam levar a bola até os dois postes que ficavam nos dois cantos extremos da praça. A violência era muito comum, pois os participantes levavam para campo seus problemas causados, principalmente por questões sociais típicas da época medieval. O barulho, a desorganização e a violência eram tão grandes que o rei Eduardo II teve de decretar uma lei proibindo a prática do jogo, condenando a prisão os praticantes. Todavia, o jogo não terminou, porquanto os integrantes da nobreza criaram-lhe uma nova versão com regras que não permitiam a violência. Nesta nova versão, cerca de 12 juízes deveriam fazer cumprir as regras do jogo.

 

f) O futebol chega à Inglaterra. Pesquisadores concluíram que o gioco de calcio saiu da Itália e chegou à Inglaterra, por volta do século XVII. Na Inglaterra, o jogo ganhou regras diferentes e foi organizado e sistematizado. A bola era de couro e enchida com ar.

 

g) O futebol aceito como “profissão”. O profissionalismo no futebol foi iniciado no ano de 1885. ¹ Veja (no tópico 5, item C) a resposta da Palavra de Deus condenando o futebol como profissão aos santos do Altíssimo.

 

h) O futebol no Brasil. No Brasil, o futebol aparece esporadicamente no fim do século XIX, em partidas jogadas principalmente por marinheiros europeus. O estudante paulistano Charles Miller, que chega em Brasil em 1894 com duas bolas na bagagem após alguns anos de estudo na Inglaterra, é considerado o introdutor oficial do futebol no país. Em 1902 é realizado o Campeonato Paulista, primeira competição oficial disputada em território brasileiro. ²

 

i) A FIFA. No ano de 1904, foi criada a FIFA (Federação Internacional de Futebol Association), que organiza até hoje o futebol em todo o mundo. É a FIFA que organiza os grandes campeonatos de seleções, tais como a Copa do Mundo, de quatro em quatro anos. Ela também organiza campeonatos de clubes, por exemplo, a Copa Libertadores da América, Copa da UEFA, Liga dos Campeões da Europa, Copa Sul-Americana, entre outros. ³

 

j) A Copa do Mundo. Torneio de pouco mais de trinta dias de duração, disputado por selecionados de futebol previamente qualificados, de quatro em quatro anos, em meados do ano, em países escolhidos segundo o critério da FIFA. A ideia da competição surgiu em 1904, porém, só foi concretizada em 1930, quando a Copa se realizou no Uruguai e foi ganha pelo selecionado deste país. Em 1950 aconteceu no Brasil (o Maracanã foi construído especialmente para a sua realização), e a seleção brasileira perdeu a chance de sagrar-se campeã mundial de futebol pela primeira vez, ao perder de 1 a 2 para o Uruguai, quando só dependia do empate. 4 A Copa também é chamada de Mundial.

 

Exame Bíblico

         Desde os primórdios, algo está no âmago do futebol: violência, vingança, morte e exaltação sobre a queda do próximo.

          Os registros históricos que envolvem o futebol são macabros e desumanos, a exemplo, o tsu-chu da China — que, após as guerras, em campos, os chineses formavam equipes para chutar as cabeças dos soldados inimigos em duas hastes fincadas e ligadas por um fio de cera; o kemari do Japão — jogo relativo à competição, à rivalidade entre equipes chinesas e japonesas na antiguidade; episkiros da Grécia Antiga e de Roma — árdua rivalidade entre soldados, com bola produzida por bexiga de boi, num terreno retângulo; harpastum de Roma e o soule da França (ambos na Idade Média) — jogos praticados por militares em cujos eram permitidos pontapés, murros, rasteiras e golpes bárbaros; consequentemente, jogadores morriam durante as partidas; cálcio da Itália — jogo de praça em que a bola era levada até dois postes, contudo muito desorganizado, barulhento, vingativo e violento; por conta disso, até o imperador o impediu. Os nobres tentaram organizá-lo para prosseguimento, porém às escondidas tudo permanecia do mesmo modo.

      Aí está o retrato do futebol: violência, degolamento, bagunças, vinganças, golpes violentos, desorganização, marginalidade, rivalidades, etc. Os anais da história apontam que o futebol não foi nem será da vontade do Altíssimo. Não há compatibilidade da fé cristã com o futebol. O futebol se iniciou com o retrato exposto acima; no entanto, o Senhor é a paz (Jz 6.24), e Ele concede paz (Nm 6.26). A bênção da paz está disposta a todo o ser humano (Sl 29.11), uma vez que essa é a vontade de Deus aos homens (Lc 2.14). A Bíblia diz: Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens (Rm 12.18). Os servos de Deus são “filhos da paz” (Lc 10.6); logo, não estarão de mãos dadas com o futebol — antro de perdição, violência e mortes.

          É mandamento de Cristo amar os inimigos: Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos Céus (Mt 5.44). As Escrituras ordenam: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes (Mc 12.31) — tudo isso não é visto no futebol, desde o princípio até os dias atuais...

       O Todo-Poderoso salienta: Não matarás (Rm 13.9); e mais: Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanecente nele a vida eterna (1Jo 3.15). Jesus disse a Pedro: Mete a tua espada na bainha (Jo 18.11). Isso é cumprido nos estádios, nas quadras, nos campos?

          Alguém pode objetar: “Hoje o futebol não é mais assim”. Quem falou que não? Os fatos veementemente contrariam essa tese. As pesquisas do sociólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maurício Murad, atestam:

 

        Nos últimos dez anos, 42 torcedores morreram em conflitos dentro, no entorno ou nos acessos aos estádios de futebol [...] no período de dez anos a média é de 4,2 mortes a cada ano, no período entre 2004 e 2008 o número de mortos totaliza 28 — uma média de 5,6 mortos por ano. A proporção é ainda bem maior se contabilizados apenas os dois últimos anos: 14 mortes ocorreram entre 2007 e 2008, uma média de sete mortos por ano [...] Além do crescimento do número de mortos em conflitos esportivos nos últimos anos, a pesquisa também verificou mudanças na forma dessa violência. Se antes as mortes ocorriam por quedas ou brigas, hoje elas ocorrem geralmente por armas de fogo. Outro dado novo que foi observado nos últimos anos de pesquisa é a marcação dos conflitos e das tocaias contra grupos de torcedores rivais por meio da internet e do site de relacionamentos.

 

          Em suma, a Bíblia Sagrada não se harmoniza nem mesmo com a raiz futebolística, isto é, a história do futebol; portanto, o que hoje se vê, às claras, é herança do passado! — Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais (1Co 5.11).

           Perante a imundícia e os males que perduram no futebol até hoje, a atitude de um filho de Deus é afastar-se definitivamente de tudo que se opõe à Palavra do Senhor; sendo assim, terminantemente, deve-se afastar do futebol e das coisas que o cerca. Ele agirá dessa forma, visto que ama a Jesus em primeiro lugar (Mt 22.37) e não faz parte do sistema pagão e iníquo deste mundo (Jo 17.14,15). O que é isto? — Santidade: Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne: pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade, para a maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação [...] Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna (Rm 6.19,22; cf. 1Ts 3.13).

          Os supostos crentes que torcem, amam e assistem ao futebol, estão debaixo do pecado e sob o jugo, o domínio, a opressão de Satanás (2Tm 2.25,26); os tais precisam de libertação para o Senhor recebê-los como filhos, do contrário apenas possuem o “nome” de cristãos (cf. Ap 3.1) — são pura “fachada”: Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso (2Co 6.17,18).

 

 

 

Bibliografia

 

¹ História do Futebol. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/futebol/>. Acesso em: 28 maio 2014.

 

² Almanaque Abril 2009. 35.ª Ed. São Paulo: Abril, p. 252.

 

³ História do Futebol, idem.

 

4 SACCONI, Luiz Antonio. Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa: comentado, crítico e explicativo. São Paulo: Nova Geração, 2010, p. 534. Adaptado.

 

⁵ CRUZ, Elaine Patrícia. Brasil lidera ranking de mortes em confrontos no futebol, aponta estudo. Disponível em: <http://esporte.uol.com.br/futebol/violencia-no-futebol/2009/07/20/ult7499u20.jhtm>. Acesso em: 30 abr. 2014.

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