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A HERESIA DA “ÁGUA UNGIDA”

Por Johny Mange

 

                                                                                         Introdução

         Lembro-me de que — na minha adolescência — fui visitar o lar duma costureira com um grupo de irmãos; ela encontrava-se necessitada do socorro do Senhor. Quando chegamos lá, no momento da oração, uma irmã abriu a bolsa e tirou um borrifador cheio de água e começou a esparzir sobre as paredes, os móveis, e as várias máquinas de costura daquela mulher. Com os olhos verdes, e grandes, bem arregalados — ela dava a entender que estava cheia da autoridade, e, além de jogar água para todo lado (a água que dizia ser “ungida”), alegava que tinha o objetivo de expulsar o Diabo, a inveja, o mal, etc. Achei aquilo para lá de estranho!... A própria costureira meneava a cabeça negativamente por conta daquela prática. De fato, cumpriam-se as palavras de Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus (Mt 22.29).

          Os dias se passaram. À época, trabalhava de cobrador num micro-ônibus. Sempre um padre católico-romano apanhava o lotação, pois dava assistência à capela de outro bairro. Eram renhidos os debates que tinha com esse padre. Por isso, devorava os livros que expunham — histórica e biblicamente — os erros e as heresias do Catolicismo Romano durante os séculos, de maneira que andava preparado até os dentes! Conseguintemente, não perdia tempo; ao deparar-me com o vigário, ele só faltava me matar! Fervia mais que água na panela de ira e de ódio — encurralado, porque refutava seus argumentos católico-romanos à luz da Palavra de Deus. Posteriormente, de tanto eu bater o martelo da Palavra naquele coração (Zc 7.12 comp. Jr 23.29), reconheceu os erros doutrinários da Igreja Romana. Aleluia!

             Foi quando descobri a origem da suposta “água ungida”. Desde aquele tempo passei a combater essa heresia, oriunda da Igreja de Roma, e agasalhada pelos crentes sem espiritualidade nem conhecimento das Escrituras. Disse às irmãs com as quais fazia visitas a respeito da procedência da “água ungida”. Felizmente, abandonaram de todo essa prática sem fundamento bíblico. Uma delas até dirigia a consagração de sexta-feira, de sorte que creu na Palavra e não só foi contra, mas impediu que pessoas levassem garrafas d’água a fim de ser “ungidas”. Agora, infelizmente, a irmã das borrifadas de água orada prossegue na cegueira e nessa lambança até hoje!

 

 

1 – Atribuição de Poder Espiritual à Água:

Heresia Católico-Romana

 

             A atual “água ungida” (ou “água orada”) teve seu princípio na Igreja Católica Romana. Não foi criada pelos apóstolos nem pelos cristãos primitivos, mas, ao certo, faz parte do rol de heresias inseridas no Cristianismo pelo Romanismo. Entretanto, a Palavra do Senhor assevera: Guarda e ouve todas estas palavras [...] Tudo o que eu vos ordeno, observareis; nada lhe acrescentarás nem diminuirás (Dt 12.28,32). O Apóstolo Paulo decretou: Para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito (1Co 4.6). Logo, não é de hoje que o Catolicismo Romano está totalmente divorciado de Cristo... Ele deliberadamente se agarra na tradição dos homens e invalida a Palavra do Senhor: Invalidando, assim, a Palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes (Mc 7.13).

 

             a) A degradação do Catolicismo Romano. Heresia é a “opinião doutrinária contrária à verdade”.[1] Decerto, heresias são obras da carne, cujo fim é a perdição (Gl 5.20,21). Alguns exemplos das heresias abraçadas e implantadas pela Igreja de Roma, dentre as quais a “água benta”, que entre os crentes popularizou-se o nome “água ungida”:

 

            310 d.C. — Reza pelos mortos

            320 — Uso de velas

            394 — Instituição da missa

            431 — Culto a Maria

            503 — Doutrina do purgatório

            606 — Início do papado

            754 — Adoração de imagens de escultura

            830 — Começa o uso de ramos e água benta 

            850 — Papa Leão IV oficializa o uso da água benta

            993 — Canonização dos santos

           1074 — Celibato dos padres

            090 — Invenção do rosário

            200 — O pão da Ceia é substituído pela hóstia

            316 — Instituição da reza “Ave-Maria”

            414 — Eliminação do vinho da comunhão

           1439 — O purgatório é declarado como dogma

           1546 — Introdução, na Bíblia, dos livros apócrifos (escondidos e não aceitos pela Igreja Primitiva)

           1854 — Dogma da imaculada conceição

           1870 — Dogma da infalibilidade do papa

           1950 — Dogma da assunção de Maria aos céus, em corpo e alma.[2]

 

         Que caminho estão trilhando os crentes da água orada! Andam debaixo de uma doutrina católico-romana, e encontram-se de mãos dadas com um ensino parceiro das falsas doutrinas expostas acima. A Bíblia é categórica: Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com a graça, e não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram (Hb 13.9).

           Ué, inúmeros crentes não alardeiam que foram libertos dos dogmas anticristãos do Romanismo? Mas como, de bom grado, aceitam um deles? Com Deus não há meio-termo! Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca (Ap 3.15,16). Tal dogma tem de ser medido com a mesma régua pela qual outros dogmas pagãos foram medidos. Sendo assim, obedecer a Deus, quanto a isso, é tudo ou nada! — Retirai-vos, retirai-vos, saí daí, não toqueis coisa imunda (Is 52.11; cf. 2Co 6.17,18).

           Visto que essas doutrinas não foram ensinadas pelos crentes primitivos (nem possuem base na Bíblia), portanto, são heresias confeccionadas e/ou interpostas pela Igreja Romana — por conseguinte, a água ungida entra no mesmo bojo: Se alguém ensina alguma outra doutrina, e não se conforma com as sãs palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe; mas delira acerca de questões (1Tm 6.3,4). 

 

           b) Para que serve a água benta? A Associação Católica Nossa Senhora de Fátima, do Pe. Lourenço Ferronatto, dá-nos a resposta:

 

       A água benta é um sacramental que proporciona aos fiéis inúmeros benefícios espirituais, e corporais também. Por exemplo, [...] a água benta afugenta os demônios, obtém o perdão dos pecados, [...] pode nos livrar de acidentes, [...] curar de doenças, [...] afastar tentações de discórdia e recuperar a paz na família.[3]

 

            Por “sacramental” entende-se “aquilo que está consagrado para alguém obter um efeito de ordem espiritual”.[4] Ora, não é isso também que, ao pé da letra, inúmeras igrejas evangélicas atribuem à água após a oração? Pois é... consagram a água, e depois creem que por ela obterão a bênção, quer para saúde, quer para o lar, quer para expulsar espíritos imundos, quer para livrar de aflições, angústias, perturbações, etc.

            Basta uma tacada da Palavra do Senhor a fim de demolir esse falso ensino: Pela fé [...] aquilo que se vê não foi feito do que é aparente (Hb 11.3). Portanto, a fé real, quando exercida, não se apega ao que é aparente, mas no Altíssimo — o Deus Invisível (Cl 1.15).

         A realidade é que a “água benta” (ou “ungida”) torna-se em fé idólatra, superstição religiosa e algo místico — uma espécie de amuleto. Adiante, há de ser feita a análise e refutação. 

 

 

2 – O Inventor da Prece do Copo d’Água e Suas Crenças

 

      Em 4 de março de 1949, Alziro Zarur (que tinha passado pelo Catolicismo Ortodoxo, Catolicismo Romano, Protestantismo e Espiritismo) — cujo se considerou a reencarnação de Allan Kardec — lançou o Programa A Hora da Boa Vontade na Rádio Globo, no Rio de Janeiro. Criou nesse programa a prece do copo d’água[5], em que rogava aos espíritos para operarem por meio da água. Segundo os adeptos de Zarur, ocorreram muitas curas milagrosas e solução de problemas através da “água fluidificada” ou “água do cosmo universal” — nomes dados à água após a prece. Na verdade, uma espécie de hidromancia — adivinhação e colocação de poder na água para obtenção de algo, de fato, isso é condenada pela Bíblia (Gn 44.5; Lv 19.31).

          Alziro Zarur fundou a seita espírita Legião da Boa Vontade (LBV) em 1950. Em 1979, morre Zarur, cujo era chamado por seus seguidores de “Paizinho”. Mas, além do exposto acima, quais eram as crenças dele?

 

             a) Alziro Zarur — o inventor da prece do copo d’água — acreditava

que a Bíblia possui erros:

 

           Os erros da Bíblia são consequência natural do estado evolutivo de seus autores. [...] São erros pessoais, que nem eram erros para a maioria, na época em que foram escritos. Essa é a parte humana da Bíblia, que a LBV esmiuçou [...] (Jesus – A Saga de Alziro Zarur, vol. 2, p. 86).

 

             A Posição Correta: Toda a Escritura é inspirada pelo Deus Altíssimo (2Tm 3.16). Os homens que a escreveram, não a produziram por suas vontades e intuições; porém, todos os registros foram debaixo da inspiração do Espírito Santo de Deus (2Pd 1.20,21), de modo que os pergaminhos e os rolos eram recebidos “não como palavras de homens, mas — segundo são, na verdade —, como Palavra de Deus” (1Ts 2.13).

          “A lógica da infalibilidade da Bíblia é muito simples: Deus não pode errar (Hb 6.18; Tt 1.2). A Bíblia é a Palavra de Deus. Logo, a Bíblia não erra. A Bíblia é a Palavra de Deus — e isso inclui todas as palavras da Bíblia, pois “está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4). Paulo declarou: “Sempre seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso” (Rm 3.4). Jesus disse ao Deus Pai: “A Tua Palavra é a verdade” (Jo 17.17); “A Escritura não pode ser anulada” (Jo 10.35). Portanto, se a Bíblia é a Palavra de Deus, e se Deus não pode errar — então a Bíblia não pode errar.”[6]

           “Um grande teólogo alemão, A. Luescher, constatou em uma de suas obras que, no ano de 1850, os críticos contra a Bíblia apresentaram setecentos argumentos científicos contra a veracidade da mesma. Hoje, seiscentos desses argumentos já foram deixados por descobertas mais atualizadas.”[7]

 

 

             b) Alziro Zarur — o inventor da prece do copo d’água — negava o parto de Maria:

 

          Fácil teria sido, portanto, produzir nos homens, naqueles que porventura o assistissem, a ilusão do parto de Maria, dando-lhes características de realidade [...] Notai que nenhum historiador de Jesus fala do trabalho de parto de Maria, nem das consequências que pudessem ocasionar. Maria tinha de crer num parto real e lembrar-se dos fatos que lhe cumpria atestar, como se tivessem ocorrido. (Jesus – A Saga de Alziro Zarur, p. 153)

 

          A Posição da Bíblia: Sabe-se que Lucas, além de médico (Cl 4.14), era historiador; ele disse: Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, [...] havendo-me já me informado minuciosamente de tudo desde o princípio (Lc 1.1,3). Sob inspiração do Espírito, o Novo Testamento conta com dois livros de sua autoria — Evangelho de Lucas (que leva o seu nome) e Atos dos Apóstolos. Tanto no recenseamento mundial (Lc 2.1) quanto em outras informações, “Lucas mostrou ser um historiador de confiança, mesmo nos detalhes. Sir William Ramsey mostrou que, ao fazer referência a 32 países, 54 cidades e 9 ilhas, Lucas não cometeu um erro.”[8]

           Por conseguinte, o Dr. Lucas atesta o parto de Maria: E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. [...] E, quando oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo fora posto antes de ser concebido (Lc 2.7,21). Diante de tanta informação, porque ainda Zarur negava o parto de Maria? É simples: ele não cria (e a LBV ainda não crê) que o Senhor Jesus teve um corpo humano.

 

            c) Alziro Zarur — o inventor da prece do copo d’água — negava humanidade de Jesus, ou seja, o Seu corpo humano:

 

           Jesus não poderia nem deveria, conforme as imutáveis leis da natureza, revestir o corpo material do homem do nosso planeta, corpo de lama, incompatível com a sua natureza espiritual, mas um corpo fluídico [...] (Jesus – A Saga de Alziro Zarur, p. 108).

 

             A Posição da Bíblia: O Senhor Jesus, conquanto por obra e graça do Espírito Santo, nasceu de uma mulher (Gl 4.4; Mt 1.18). Ele teve um corpo (Hb 10.5). Verdadeiramente, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Por isso, teve crescimento intelectual, físico e espiritual (Lc 2.52), comeu e bebeu (Mt 11.19), dormiu (Mc 4.38,39), chorou (Jo 11.35), sentiu cansaço e sede (Jo 4.6,7), sentiu dores (Is 53.3), angustiou-se e entristeceu-se (Mt 26.37), suou sangue (Lc 22.44), etc. 

           Por “corpo fluídico” subentende algo à semelhança dum fantasma. Logo após a ascensão de Cristo, uma seita chamada “Gnosticismo” (do gr. “gnoses”, conhecimento) lançou essa heresia — a negar a humanidade de Jesus. Além das evidências bíblicas e históricas da humanidade de Cristo Jesus, o apóstolo João condenou fortemente essa heresia, chamado os tais de enganadores e anticristos. Veja 2João v.7; 1João 4.1-3.  

 

             d) Alziro Zarur — o inventor da prece do copo d’água — negava a Divindade Absoluta de Jesus:

 

           Agora o mundo inteiro pode compreender que Jesus, o Cristo de Deus, não é Deus nem jamais afirmou fosse Deus. (Jesus – A Saga de Alziro Zarur, p. 112).

 

            A Posição da Bíblia: Quem falou que Cristo nunca afirmou ser Deus? Jesus nunca afirmou ser o Deus Pai, pois Ele é o “Filho do Pai” (2Jo v.3); todavia — embora seja uma Pessoa distinta — possui a mesma essência e natureza do Pai. Ou seja, tem em Si a mesma Divindade do Pai; por conta disso, disse: Eu e o Pai somos Um (Jo 10.30); Quem me vê a Mim vê o Pai [...] Não crês tu que Eu estou no Pai, e que o Pai está em Mim? (Jo 14.9,10). Além do mais, asseverou ser o “Eu Sou”: Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse Eu Sou (Jo 8.58). “Eu Sou” foi a maneira que o único e verdadeiro Deus se apresentou a Moisés na sarça ardente (Ex 3.14,15). Conseguintemente, Jesus estava dizendo ser o Eu Sou — o mesmo Deus que os santos do Antigo Testamento temiam e serviam. O Senhor Jesus, naquele momento, revelava a Sua verdadeira identidade. E os judeus, sabedores disso — e por estarem espiritualmente cegos —, acusaram-no de associar-se a Deus e de cometer o pecado de blasfêmia, de tal forma que quiseram apedrejá-lo como ordenava a Lei (Lv 24.16 comp. Jo 8.59). Os judeus responderam, dizendo-Lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a Ti Mesmo (Jo 10.33).

           Tomé ressaltou que Jesus é “Senhor e Deus” (Jo 20.28). Paulo chama Cristo Jesus de “Deus bendito eternamente” (Rm 9.5). Para João — “o Verbo estava com Deus [o Pai], e o Verbo era Deus [mesma natureza e essência do Pai] (Jo 1.1). Também João o exalta como “verdadeiro Deus” (1Jo 5.20). Pedro salienta que Ele é “Deus e Salvador” (2Pd 1.2).

           Finalmente, Jesus Cristo possui atributos que revelam a Sua Deidade Absoluta: onipotência (Ap 1.8), onisciência (Cl 2.2,3) e onipresença (Mc 15.20; Mt 18.20). 

 

 

             e) Alziro Zarur — o inventor da prece do copo d’água — apregoava a reencarnação:

 

        Só a reencarnação e os séculos – expiação, reparação e progresso – poderiam preparar as inteligências e os corações de maneira a fazer deles odres novos, capazes de conservar vinhos novos. (Jesus – A Saga de Alziro Zarur, p. 259).

 

             A Posição da Bíblia: Através de quatro pontos, a Bíblia — o Livro de Deus (cf. Is 34.16) — desmorona a doutrina da reencarnação.

            1) Jesus ensinou a unicidade da vida. Isto é, o ser humano só passa por esta vida uma única vez. É neste período que deve procurar arrepender-se, aceitar o sacrifício do Senhor Jesus e obedecer-Lhe para ser livre da condenação: Lembrou que eles eram mortais, eram como um vento que passa e não volta mais (Sl 78.39, NTLH); Cada pessoa tem de morrer uma só vez e depois ser julgada por Deus (Hb 9:27, NTLH).

       2) Só há dois lugares finais e irreversíveis após a morte. Não existe reparação e progresso contínuo e permanente após a sepultura. Somente existe esperança enquanto o homem viver (Ec 9.4). A Bíblia diz: Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir; nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá (Jó 7.9,10). Quando é dito: “Nunca mais tornará à sua casa, nem seu lugar jamais o conhecerá” diz respeito à volta do morto ao lugar donde ele veio: à terra dos viventes. Ou seja, nunca mais quem desceu à tumba fria volta aqui para progredir ou aperfeiçoar-se. Apenas há dois caminhos e duas portas (Mt 7.13,14). Conforme a doutrina de Jesus — só há dois lugares: céu e inferno (Lc 16.19-31; Mt 25.41,46).

       3) Expiação e redenção somente pela morte de Jesus. O problema do homem é o pecado no qual está aprofundado (Rm 3.23; Is 57.20). O pecado afasta o ser humano de Deus (Is 59.2). Por isso, Jesus veio dos Céus ao mundo com o objetivo específico de “dar a Sua vida em resgate de muitos” (Mt 20.28), de maneira que “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o Justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus” (1Pd 3.18). Sendo assim, expiou — pagou por meio de Seu sacrifício — os pecados da humanidade, de sorte que nEle “temos a redenção pelo Seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” (Cl 1.14). Isso jamais poderá ser feito por esforço próprio, uma vez que ninguém pode salvar a si mesmo. As boas obras não concedem salvação (Ef 2.8,9). Isso faz a reencarnação reduzir-se a pó!

           4) A ressurreição da carne é a resposta cristã ao reencarnacionismo. “Segundo a crença na reencarnação, nós continuamos vindo em carne — em corpos diferentes — só que a alma ou espírito continua o mesmo”.[9] Ao contrário da teoria reencarnacionista, a Palavra de Deus apregoa a ressurreição; esta é a volta da alma ao mesmo corpo — justamente aquele corpo que morreu uma vez — cujo um dia levantar-se-á do pó da terra e será transformado, seja para a vida eterna, seja para a vergonha e a perdição eterna. Veja Daniel 12.2; João 5.28,29; 11.24.

 

 

             f) Alziro Zarur — o inventor da prece do copo d’água — apreciava Satanás como seu irmão, honrava-o e orava por ele. Zarur compôs um poema mostrando seu amor, admiração, honra e apreço por Satanás. Tal composição chama-se “Poema do Irmão Satanás”. Alziro Zarur afirma:

 

             [...] — Se Deus é sempre perfeito no que faz

             E nada do que fez ao mal destina,

             Por que odiarmos nós a Satanás

             Se ele, também, é criação divina?

 

             — E, se Jesus nos veio esclarecer

             Que amássemos até “ao inimigo”,

             Por que não transformar num bom amigo,

             A Satanás, em vez de o combater?

 

             Amigos meus, oremos por Satã,

             Amemo-lo de todo o coração,

             E respondamos sempre com o perdão

             Aos males que nos faça, hoje e amanhã. [...]

 

             Por mim, com honra, eu amo a Satanás,

             Meu pobre irmão perdido nos infernos,

             Com este amor dos sentimentos ternos,

             Pra que ele, também receba a paz.

 

             (Mensagem de Jesus para os Sobreviventes, p. 130 – poema completo).

 

           A Posição da Bíblia: “Satanás literalmente significa adversário, e descreve seus intentos maliciosos e persistentes de obstruir os propósitos de Deus”.[10] Veja 1Tessalonicenses 2.18; 3.5; Mateus 13.19; 2Coríntios 4.4. Ele também é chamado de Diabo — que significa caluniador, pois calunia tanto a Deus como os remidos pela Graça (Gn 3.2-5; Ap 12.10; Jó 1.9; Zc 3.1).

          Satanás nada tem de bom em si, já que “foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando profere mentira, fala do que lhe é próprio” (Jo 8.44). “Ele é descrito como presunçoso (Mt 4.4,5), orgulhoso (1Tm 3.6), maligno (Jó 2.4), astuto (Gn 3.1; 2Co 11.3), enganador (Ef 6.11), feroz e cruel (1Pd 5.8)”[11], tentador (Mt 4.3), ardiloso — sagaz, sutil (2Co 2.11). Na Harpa Cristã, o hino 6 — Na Maldição da Cruz — ratifica: “O Maligno tentador é o autor da perdição, do pecado, mal e dor, da doença e da aflição.”

            O Senhor Jesus não tem parte alguma com o Maligno: Já não falarei muito convosco; porque se aproxima o príncipe deste mundo, e [ele] nada tem de mim (Jo 14.30). O Diabo já se encontra julgado e sentenciado por Deus, de maneira que para ele não há remissão (Jo 16.11; 12.31); por isso, seu destino final é o Lago de Fogo e Enxofre (Ap 20.10).

           Eis aí o inventor da prece do corpo d’água — Alziro Zarur, cujo amava, honrava, orava e apreciava a Satanás — o Arqui-Inimigo de Deus; todavia, “que concordância há entre Cristo e Satanás?” (2Co 6.15).