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Por Johny Mange

 

2 – A contestação da salvação na Grande Tribulação

 

         Este estudo não visa atacar a Igreja Pentecostal Deus É Amor (IPDA), mas apenas esclarecer e refutar uma doutrina, em particular, apregoada por esta denominação.

 

 

a) A escatologia bagunçada, ilógica e incoerente de um líder

 

         No dia em que dei o estudo acerca da Grande Tribulação, ao sair do estúdio, cerca de 48 minutos após o ensinamento, ao vivo, na cadeia internacional “A Voz da Libertação”, de sua casa, por telefone, entrou no ar o líder da igreja à qual pertenci e negou terminantemente a doutrina da salvação na Grande Tribulação. Tudo isso pode ser ouvido, em um áudio que postaram no You Tube, neste link: http://www.youtube.com/watch?v=57qOtNopoHs. Leia com atenção e perceba os inúmeros absurdos e as heresias que proferiu. Ele disse, a partir dos 8 minutos e 47 segundos, as seguintes palavras:

 

         Eu quero dizer aos irmãos e às irmãs que não se enganem. Não haverá outra oportunidade para alguém ser salvo depois do Arrebatamento da Igreja. Não vai haver mais salvação: nem por tribulação, nem por dor, nem por obra, nem por sofrimento — de maneira nenhuma! Aqueles que o Apóstolo São João viu, que estavam debaixo do trono de Deus; as almas gritando para Deus fazer justiça. João perguntou: “Quem são estes e de onde vieram?” Então, o anjo disse: “Esses são aqueles que vieram da Grande Tribulação”. Qual foi a Grande Tribulação? Sabemos, irmãos, que os cristãos primitivos, tiveram uma tribulação tão grande que tiveram que ter igreja subterrânea, fazer cultos às escondidas, nos porões, nas partes subterrâneas, foram muito perseguidos, e quando os encontravam eles eram mortos. Nós vemos, irmãos, que realmente eles sofreram demais, que não suportaram o sofrimento. A carne desses irmãos e irmãos, apesar de estar revestidos da graça, não suportaram o sofrimento. Eles eram tochas de fogo na arena lá em Roma, quando os gladiadores ficavam lutando, eles faziam dos cristãos, dos crentes primitivos como tochas de fogo, para iluminarem a arena ali de Roma. Então, irmãos, não se enganem, mesmo que eu venha pregar outra doutrina, que vai haver salvação pela Grande Tribulação: esta é doutrina falsa! Esta doutrina não é de Deus! Esta doutrina é dos homens! Então, não adiantou Jesus ter morrido na cruz, se a Grande Tribulação vai salvar. Então, por que Jesus morreu na cruz? Então não se enganem, irmãos. Lá, no Apocalipse, onde que aquelas almas que estavam ali pedindo justiça a Deus, elas vieram da Grande Tribulação; então, elas “vieram”, já aconteceu a Grande Tribulação! Agora, a Grande Tribulação não será para nós, os crentes. Os crentes já estão passando grande tribulação, não estão? Grandes lutas? Têm irmãos e irmãs que não estão aguentando a luta! Muitos já morreram por causa da luta da família, da perseguição, e de tantas outras coisas. Então, irmãos, se tiver uma tribulação maior para nós, os crentes, estamos perdidos!... Então, não se engane: seja eu, seja qualquer deste ministério que vier pregar para vocês, irmãos e irmãs, que vai haver salvação na Grande Tribulação: não aceitem, não! Isso é uma grande falsa! Portanto, nós queremos zelar da doutrina da Palavra de Deus e estamos alertando vocês, irmãos e irmãs. Seja eu, seja quem for deste ministério que pregar para vocês que vai haver salvação das almas na Grande Tribulação, não aceitem! É uma doutrina falsa! Não é uma doutrina bíblica. Portanto, a Grande Tribulação vai vir para aqueles que rejeitam a Jesus, que não querem aceitar Jesus; àqueles não aceitaram Jesus — para estes vai vir a Grande Tribulação! Portanto, quando vier a Grande Tribulação, nós seremos arrebatados, para não passarmos pela Grande Tribulação.

 

         Isso não é nenhuma novidade. Não é de hoje: o líder dessa igreja sempre teve uma escatologia bagunçada, sem pés nem cabeça, sem eira nem beira, sem nexo, incoerente. Ora ele crê que a Grande Tribulação já passou, ora ele diz que estamos a viver nela. Na Revista Ide, de junho de 2000, p. 8, isso é provado através de uma pergunta que lhe fizeram:

 

      A miséria, a fome, crianças e velhinhos abandonados, a violência, o vício das drogas, novas doenças aparecendo, a volta das epidemias antigas, catástrofes da natureza, o pecado... Tudo isto seria a volta de Cristo? Poderíamos dizer que já estamos no princípio das dores?

M[issionário]. Creio que já passamos do princípio das dores; já estamos no começo da [grande] tribulação.²

 

 

       Se a Terra está vivendo na Grande Tribulação, surgem então estas perguntas: cadê o Anticristo, grande líder mundial? Cadê o Falso Profeta, líder da religião apóstata e ecumênica que presta culto e adoração ao Anticristo? O mundo está sob um só governo e uma só economia? Há apenas uma só religião mundial? Por que até hoje não houve as aberturas dos selos, o soar das trombetas e o derramamento das salvas da ira de Deus?

        Em nítido contraste a isso, a Tribulação dar-se-á após o Arrebatamento da Igreja (Ap 3.10,11; 1Ts 1.10; Lc 21.34-36; Rm 5.9) e todos esses eventos, consoante o mapa profético, devem suceder-se nela, e nunca antes (2Ts 2.3-8; Ap caps. 6 ao 18). Caso o mundo estivesse na Grande Tribulação, seus habitantes teriam ouvido e se espantado drasticamente pela notícia do desaparecimento súbito dos fiéis seguidores e pela ressurreição dos que morreram em Cristo! (1Ts 4.16,17; 1Co 15.51ss).

        Na rádio, tal líder diz aos berros que não haverá oportunidade de salvação na Grande Tribulação. Segundo ele (como visto acima), em entrevista concedida à Ide, o mundo já está no começo da Tribulação. Se formos pelo raciocínio dele, concluiríamos que, hoje em dia, ninguém está salvo, nem ele mesmo! Está vendo quanto incoerência? O tiro saiu pela culatra!

        Por isso, o ensino desse líder, no que toca ao final dos tempos e à Grande Tribulação, há muito tempo, é uma tolice, uma asneira, um despautério, um disparate, um dislate...

 

 

b) A Regra da Fé da IPDA nega a salvação na Grande Tribulação

 

        Em agosto de 2012 (quatro meses após eu ter sido disciplinado, pois preguei que, embora difícil, haverá salvação na Grande Tribulação, tanto para os judeus como para os gentios), a IPDA lançou uma Regra de Fé com 14 artigos. Esta contém a doutrina professada pela denominação. É dito no cabeçalho da Regra de Fé: “A Igreja Pentecostal Deus é Amor, através de seu Líder Fundador e Presidente Missionário David Martins de Miranda e demais membros do Conselho Deliberativo e Diretoria Executiva vêm declarar que [...]”. Subsequentemente, são expostas as 14 regras que norteiam a IPDA.

         A Regra de Fé n.º 8 nega categoricamente a oportunidade de salvação na Grande Tribulação. Na verdade, apenas endossou uma das opiniões controversas apregoadas há tempos pelo seu líder. A regra diz: 

 

         [A IPDA] Crê que a Igreja do Senhor não passará pela Grande Tribulação, mas será arrebatada, antes disso, por Jesus, conduzida pelo Espírito Santo. Crê que os que ficarem após o arrebatamento não terão nova chance de salvação, pois a porta da graça se fecha para a Igreja com o arrebatamento. (I Ts.4.13-17; 1 Co.15.51,52; Ap.3.10). ³

 

    Por conseguinte, não há como negar: a IPDA não acredita de forma alguma na salvação após o Arrebatamento. Isso é fato! É doutrina fundamental da denominação. E, como tal, deve ser combatida, porquanto se trata duma heresia e não há compatibilidade nela com a fé que uma vez foi dada aos santos.

        Cumpri ao pé da letra a disciplina, mesmo assim, ajudei a corrigi e fui um dos comentaristas da revista de Escola Dominical — Fundamento Bíblico III. Uma das lições dessa revista até fala contra a salvação na Grande Tribulação, entretanto, partiu de outro comentarista, que é tido como o “sábio”, o “teólogo”, o “compositor” deles; todavia, partilha, nesse ponto, da mesma cartilha do líder da igreja. A bem da verdade, a disciplina era de um ano, mas me deixaram em torno de 60 dias a mais, somando-se, ao todo, um ano e sessenta dias. Contudo, voltei em comunhão; porém, como não quis negar o que ensinei, não me deixaram mais pregar e nem ser obreiro. Além do mais, colocaram na Circular da Diretoria, de junho de 2013, que eu estava liberado para exercer minha função de diácono. Foi a maior mentira! Própria de “lobos cruéis” e de “homens maus e enganadores” (At 20.29; 2Tm 3.13). Quiseram enganar os membros dessa forma. A Bíblia diz: “Maldito seja o enganador” (Ml 1.14). Hoje, passaram-se mais de dois anos desde que fui disciplinado.  

 

 

c) Essa heresia — à vista de todos — deve ser desmascarada

 

       No decorrer desses dois anos, foi feito um estudo na rádio por duas irmãs a fim contestar a doutrina da salvação na Grande Tribulação, que eu havia pregado; esse estudo ainda hoje é reprisado de quando em quando. O líder da denominação várias vezes em pregações e chamadas de advertência, na cadeia de emissoras de rádio, atacou-me, alegando que “fui enganado por Satanás”, “preguei uma doutrina do Diabo”, era “um falso profeta”, e assim por diante. Se no mesmo dia (como visto acima) ele me atacou, quanto mais agora! Volta e meia ele ainda usa a cadeia de emissoras para atacar a salvação no período tribulacional.

      Nunca me manifestei, e nem quero levar esse assunto adiante; porém, tenho de replicar essa heresia apregoada pela IPDA e seu líder, visto que não posso deixar deturparem a verdade do Evangelho. Isso é bíblico:

 

     — “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd v.3);

 

         — “Sabendo que fui posto para defesa do Evangelho (Fp 1.16);

 

        — “Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira” (Sl 40.4);

 

         — “Deste um estandarte aos que te temem, para o arvorarem no alto, pela causa da verdade” (Sl 60.4);

 

        — “Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” (Tt 1.11).

 

         Não estou contra a Suprema Lei de Deus (Rm 7.12) nem fora da Lei do Brasil. A Constituição Federal — a Carta Magna do Brasil — assevera, no Art. 5.º, caput e inciso V:

 

         Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...]

         V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo [...]

 

      Portanto, após ter estudado todos os dez argumentos usados pelos líderes da IPDA para contrapor a salvação na Grande Tribulação, respondi-os todos neste estudo. Eles estão reduzidos a cinzas pelas Sagradas Escrituras. É uma forte réplica a um ensino maquiado como doutrina de Deus; todavia, em seu âmago, não passa duma doutrina de Satanás, já que nega a salvação do pecador. A Bíblia afirma: “E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da Árvore da Vida, e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro” (Ap 22.19).

      E você, caro leitor, tome sua Bíblia e examine todas as referências citadas neste estudo e tire as suas conclusões. Vamos ver, realmente, quem está pregando a doutrina do Diabo...

 

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Bibliografia

 

² MIRANDA, D. Opinião: Missionário David Miranda fala sobre questões polêmicas relativas aos últimos tempos e à volta de Cristo. Ide. São Paulo, n.º 2, p. 8, jun. 2000. Grifo acrescido.

 

³ Credencial de Membro. São Paulo: Igreja Pentecostal Deus É Amor, 2014-15, pp. 45, 46.

Circular Interna da Diretoria. São Paulo: Igreja Pentecostal Deus É Amor, 8 jun. 2013, pp. 65, 66.

Regra de Fé da IPDA. Disponível em: <http://www.ipda.com.br/nova/n_pagina.asp?Codigo=111>. Acesso em: 7 jul. 2014.

Os Santos da Tribulação