©  by IFAP. All rights reserved.

4 – Passando pelo Crivo da Palavra

 

           Sendo o matrimônio uma instituição sagrada, indissolúvel até a morte, e taxativamente honrada por Deus (Mc 10.6-12; Hb 13.4), de modo que o Senhor é testemunha no momento da união (Ml 2.14,15) — tal decisão deve ser seriíssima e conforme as Escrituras Sagradas. A Palavra de Deus é o crivo pelo qual os noivos precisam passar. Emoções carnais são passageiras; o problema é depois — sob o mesmo teto!

        No momento, embora muitos noivos ou namorados combinem, sejam apegados e bons de coração, tenham boas intenções e ótimos projetos — isto tudo não basta. São idênticos no casal as crenças, as doutrinas, o amor à Palavra e às almas, o fervor espiritual, a disposição ao serviço sagrado do Evangelho, a vida resoluta ao Todo-Poderoso? Caso não, sinceramente, está num barco furado!... Portanto, o que interessa é a vontade do Altíssimo: À Lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta Palavra, nunca verão a alva (Is 8.20); Seja reto o meu coração para com os Teus estatutos, para que não seja confundido. [...] Desviei o meu pé de todo o caminho mau, para observar a Tua Palavra. [...] Muita paz têm os que amam a Tua Lei, e para eles não há tropeço (Sl 119.80,101,165).

            O “velho homem” com seus feitos, vontades e concupiscências precisa ser morto. O “novo homem” — segundo Deus — é criado em verdadeira justiça e a santidade (Ef 4.22-24), pois é guiado pelo Espírito do Senhor em todas as áreas da vida (Rm 8.14). Logo, nossas paixões e desejos — ainda que aparentemente exatos e normais — têm de ser crucificados (Gl 5.25), porque quem vive no Espírito, anda também no Espírito (Gl 5.26), e o querer dEle é posto em primeiro lugar!

           Somos limitados e não vemos o futuro, mas o Todo-Poderoso anuncia o fim desde o princípio, e, desde agora, as coisas que não são como se já fossem (Is 46.10). Quem rejeita a voz de Deus por causa dum relacionamento, decerto, é um velho homem — tem apenas o nome de salvo (Ap 3.1); por conseguinte, é vencido por sua paixão carnal e dá as costas ao conselho do Salvador.

            Romper um namoro ou noivado por conta da vontade de Deus pode doer e machucar demais no começo, porém — não nos esqueçamos: é do veneno que se extrai o soro! Comparavelmente, às vezes uma cirurgia radical é necessária para exterminar completamente um câncer mortal do corpo duma pessoa! O Eterno sabe o dia do amanhã, que, certamente, produzirá o seu mal (Mt 6.34). Quem planta vento colhe tempestade! Veja Oseias 8.7.

        Face ao exposto, os solteiros e viúvos que anseiam por casar-se, caso estejam numa união mista (a caminho do matrimônio), devem passar tal relacionamento pelo crivo da Palavra de Deus:

 

           * Como pode um(a) servo(a) de Deus casar-se com alguém do Catolicismo Romano, que tem em seu bojo a idolatria, as rezas, a veneração a Maria, aos santos e aos anjos; que advoga a virgindade perpétua de Maria, que crê que o papa é o representante de Deus na terra? (Sl 115.3-8; Dt 5.7-9; Mt 6.7; Lc 2.7; Mt 1.25; 23.9; 1Co 3.11);

 

          * Como pode um(a) cristão(ã) casar-se com um(a) espírita kardecista, que crê na mediunidade, no contacto com os mortos, na reencarnação; que nega a inspiração da Bíblia, a divindade de Jesus, a punição eterna do inferno, etc.? (Lv 20.27; Is 8.19,20; Lc 16.19-31; Hb 9.27; Jó 7.8-10; Mc 9.43-48);

 

         * Como pode um(a) salvo(a) casar-se com adeptos de religiões não cristãs, seja o Islã, seja o Hinduísmo, seja o Budismo, seja o Confucionismo, etc.? (Jo 8.24; At 4.11,12; 2Ts 1.7-10; At 17.30,31);

 

          * Como um(a) salvo(a) em Jesus se casará com alguém que, embora da mesma igreja, mas nalgum ponto (de modo irredutível) destoa de sua fé tão viva e fundamentada na Palavra de Deus? (Ap 3.11; Lc 16.13);

 

            * Como um(a) cristão(ã) se casará com alguém que não pertence a mesma igreja, pois desde os primeiros dias há de ter uma casa dividida — o marido dum lado e a esposa doutro, e nas questões de fé terão divisões também? (Mt 12.25);

 

            * Como pode um(a) crente que crê no revestimento do Alto — o poder pentecostal — casar-se com alguém que nega a atualidade do Batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais? (At 2.39; Hb 2.3,4; Jo 14.12);

 

           * Como um(a) pregador(a) do Evangelho casar-se-á com alguém que acha enfadonho e desnecessário viver pregando para baixo e para cima? (2Tm 4.2);

 

          * Como um(a) servo(a) de Deus com o chamado missionário — para, em quaisquer lugares da Terra, se entregar às almas por amor ao Evangelho — se casará com alguém que diz: “nunca sairei de perto dos meus pais”? (Mc 8.34,35; Is 52.7; Mc 10.29,30);

 

            * Como um(a) crente de oração se casará com alguém que, além de não orar, não o deixa ter tempo de clamar em casa, pois sempre requer atenção para si, com o objetivo de passear, de conversar, ou de diversões carnais? (Ef 6.18; Fl 1.4; Tt 2.7; 1Jo 2.16,17);

 

          * Como pode um(a) servo(a) de Deus casar-se com alguém que não coloca a Bíblia em primeiro lugar no seu viver, porque, para a satisfação de sua vontade, está disposto a tudo? (Rm 10.8; Sl 119.105);

 

           * Como um(a) santo(a) do Senhor, cujo se libertou das diversões carnais e foi separado exclusivamente para Deus (1Pd 1.15,16), casar-se-á com alguém que vai ao cinema, ao teatro, ao circo, aos parques de diversão, aos estádios de futebol, etc.? (Ef 5.11; 4.22-24; Jo 12.25,26; Tg 4.4,5);

 

           * Como pode um(a) cristão(ã), que abomina a televisão como um aparelho terrível e nocivo à fé dos santos, casar-se com alguém que trocou o altar da oração, da leitura da Escritura, do louvor, da evangelização pelo altar de todas as espécies de imundícia e ensinos diabólicos da TV, e ainda diz que “não há problema”? (Lc 11.33-36; Dt 7.26; Sl 101.2,3);

 

           * Como um cristão bíblico, cujo acredita que o Senhor Jesus cumpriu cabalmente a Lei e suas ordenanças, se casará com alguém que torna banal a Obra gloriosa da cruz, insistindo em guardar certos requisitos da Lei, como a guarda do sábado, a proibição de certos alimentos de Levítico 11, etc.? (Gl 4.9-11; Cl 2.14-17; Hb 7.12; Lc 24.44,45; 1Tm 4.1-5);

 

         * Como um ardente defensor da doutrina da santificação do espírito, da alma e do corpo (1Ts 5.23) se casará com alguém que não glorifica a Deus em seu corpo diante do mundo, e (na vaidade) anda conforme o padrão de beleza da impiedade — renegando a própria condição atual (quer da idade, quer da aparência) quando expõe uma beleza inexistente, passageira e sem condizer com a verdade, para exibir-se aparatosamente, chamar a atenção para si, ser mais aceita entre pessoas e melhor à vista —, com joias, bijuterias, maquiagens, pintura dos cabelos, plásticas, botóx, sobrancelha de hena, etc.? Ou se casará com alguém que, enganosamente, é “morno” — da meia-verdade, que há de ser lançado fora pelo Senhor (Ap 3.15,16; Tg 5.12) —, pois acha que pode aparar, cortar e tingir sem exagero os cabelos, “limpar” a sobrancelha, usar levemente maquiagem, pôr adornos menores — a menos que tudo isso não seja extravagante? (2Tm 2.9,10; 1Pd 3.3-5; Jr 4.30; Os 2.13; Pv 7.10; 1Co 5.6; Ef 4.17-20; Pv 16.31; 1Co 11.5,6,15,16; Sl 4.2; Rm 12.2);

 

         * Como um crente santificado se casará com alguém que põe o seu corpo à mostra, com roupas decotadas, curtas, apertadas, transparentes, a ter comportamento lascivo, já que, mostrando-se assim, deseja estimular os outros sexualmente? (1Co 6.19,20; 10.31; 1Ts 4.3-8; 1Tm 2.9,10);

 

            * Como pode um(a) filho(a) de Deus casar-se com alguém que, quando juntos, nunca o(a) chamou para orar, louvar e ler a Bíblia?

 

           Logo, posto que os casos acima sejam apenas exemplos, pois há inúmeros, estesversículos da Palavra aconselham os solteiros (noivos ou que namoram) a observarem se essa união está de acordo com a Escritura; consequentemente, tomem a decisão conforme a vontade de Deus. Se esse relacionamento não está de acordo com a moldura da Palavra, certamente, não é por Deus; por conseguinte, devem-se separar pelo bem-estar da alma, da vivência e do futuro de cada um. Vejamos:

 

           2Coríntios 6.14-17: Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei.

 

            Amós 3.3Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?

 

           Mateus 6.24: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

 

        1Reis 18.21: Então Elias se chegou a todo o povo, e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o.

 

            Salmo 119.13Aborreço a duplicidade.

 

          Tiago 3.11,12: Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce.

 

          Romanos 16.17,18: E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.

 

          Efésios 4.3-6: Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.

 

 

Conclusão

         A seguinte ilustração mostra o abismo do casamento misto que uma moça ia cair, mas o Todo-Poderoso deu-lhe o discernimento, de sorte que prontamente se voltou para Deus, separou-se e foi livre do laço do Diabo. Vejamos: 

 

           Uma fervorosa jovem cristã conheceu um rapaz descrente e começou a namorá-lo. Os primeiros encontros foram muito alegres. O rapaz, mui amável, satisfazia-lhe todas as vontades, inclusive, acompanhava-a à igreja pacientemente. Assistia aos cultos e até frequentava os cultos de oração e os de doutrina.

        Depois da festa de noivado, ele se retraiu um pouco. Já não ia com frequência à igreja; levava a moça, deixava-a à porta e tomava outro destino. Vinha buscá-la mais tarde. Um dia, num desentendimento — por uma questão boba — chamou-a de fanática, dizendo: — Só pensa em igreja. Tudo é igreja... Tudo está na Bíblia...

         Chegou a data marcada para o casamento. O noivo, ao lado do pai, recebeu do sogro a noiva, lindamente vestida. De braços dados caminhavam lentamente em direção ao púlpito, onde o pastor os esperava para a cerimônia. O noivo aproveitou, e num cochicho à noiva, disse:

           — Aproveite bem a oportunidade, pois é a última vez que você vem a esta igreja.

           Foi uma revelação estarrecedora para a moça, de modo que ficou seriamente preocupada.

           O pastor iniciou a cerimônia. Leitura da Bíblia, partes especiais, conselhos... Perguntou, portanto, ao rapaz:

           — O senhor aceita esta jovem como sua legítima esposa?

           — Sim, foi o que respondeu prontamente o rapaz.

           A senhorita aceita este jovem como seu legítimo esposo?

           A moça não respondeu. Houve um momento de expectativa. O pastor insistiu:

           — A senhorita aceita este moço como seu autêntico esposo?

           — Não, pastor. Não quero me casar com este rapaz. Prefiro ficar com Cristo e com a minha igreja![9]

 

           Que tremendo! O Senhor Jeová foi posto em primeiro lugar na vida dessa jovem! Ela rompeu com o pecado e deixou penetrar a luz da vontade divina em seu ser.

            Vemos, pois, que a Bíblia não dá apoio de modo algum ao casamento inter-religioso (misto). Além de tudo, conforme captado deste estudo, o matrimônio misto é astuto. Astúcia é “habilidade para o mal, ou para enganar alguém”.[10] Ou seja, o casório misto começa doce como o mel, mas acaba amargo como o fel! Decerto, futuramente, mostrará as garras venenosas!

           As histórias bíblicas que revelaram o fim trágico da união mista serviram para os solteiros tomarem como exemplo e não caírem nos mesmos atos de rebeldia. A Escritura aconselha aos solteiros ou viúvos: Casa-se com quem quiser, desde que seja no Senhor (1Co 7.39). Quem deve estar à frente e decidir a consumação de quaisquer casamentos é o Pai da Glória!

             O hino 567 — do Cantor Cristão — revela a diferença do matrimônio preparado pelo Deus Altíssimo:

 

          Duas vidas, Senhor, se unem num só ser; duas almas e dois nobres corações pelo amor e afeição mútua assim viver querem, juntos na paz ou nas aflições. [...] Mais um lar que se faz cheio de vigor, do caráter cristão — base principal; duma vida feliz numa união de amor que abençoa e mantém a paz conjugal.

 

          Isso, infelizmente, é impossível suceder no casamento misto, cuja base foi a desobediência, a concupiscência dos olhos, o engano, a rejeição à vontade do Senhor Jesus.

       Hoje, há muitos que se rebelaram contra Deus e entraram no casamento misto, de maneira que estão sofrendo assombrosamente. É fato que, consoante a eterna Palavra de Deus, não poderão casar-se novamente enquanto um dos cônjuges viver (Lc 16.18; 1Co 7.10,11,39). O que lhes resta é orar incessantemente, humilhar-se, chorar amargamente, pôr a boca no pó, quebrantar-se perante o Altíssimo e reconhecer esse erro, para Ele ter piedade, operar a Sua vontade, transformar o parceiro desobediente e ajustá-lo ao Seu querer (Lm 3.29; 2Cr 7.14; Pv 28.13; Sl 51.4).

         Para aqueles que jazem emaranhados num relacionamento misto, saibam que enquanto ainda não se casaram são livres, de sorte que há tempo de romper esse namoro ou noivado contrário à santíssima vontade do Senhor Jesus.

          Quando preso, o Apóstolo Paulo escreveu advertindo o jovem Timóteo: Foge também dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor (2Tm 2.22). Portanto, o namoro misto é fruto do desejo carnal da mocidade, dos desejos escabrosos contrários à vida justa, fiel, amável, pacífica que o Senhor da Glória requer dos jovens de Sua Igreja. Que os solteiros fujam, portanto, desse desejo carnal! Que os tais andem segundo a permissão do Eterno (Hb 6.3).

 

 

 

 

Bibliografia

 

1. GADNER, Paul. Quem É Quem na Bíblia Sagrada — A história de todas as personagens da Bíblia. São Paulo: Vida, 1995, p. 186, adaptado.

 

2. Quem É Quem na Bíblia Sagrada, p. 572, adaptado.

 

3. Idem, p. 581.

 

4. id.

 

5. Ibidem.

 

6. HORTON, Stanley. O que a Bíblia Diz sobre o Espírito Santo. 5.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 42, adaptado.

 

7. CONDE, Emílio. Tesouro de Conhecimentos Bíblicos. 7.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 345, adaptado.

 

8. GONÇALVES, José. A apostasia no Reino de Israel. Disponível em: <http://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2013/2013-01-01.htm>. Acesso em: 2 set. 2015.

 

8. Quem É Quem na Bíblia Sagrada, pp. 85,86.

 

9. PERES, Alcides Canejeiro. Ilustrações Selecionadas — Pequenas histórias e experiências para sermões e estudos bíblicos. 15.ª Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.76,77, adaptado.

 

10. MICHAELIS — Moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Cia. Melhoramentos, 1998, p. 247.