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Por Johny Mange

 

 

Introdução

         

          Casamento misto não diz respeito à cor, nem à posição social, nem à nacionalidade, nem ao grau de instrução, pois para Deus “não há grego nem judeu; circuncisão nem incircuncisão; bárbaro, cita; servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos” (Cl 3.11). Ele é tão somente alusivo à questão da fé verdadeira seguida pelo salvo, já que servir ao Senhor Jesus abarca “o modo de viver, a intenção, a fé, a longanimidade, a caridade, a paciência” (2Tm 3.10) e a renúncia de si mesmo (Mt 16.24) a fim de agradar a vontade do Eterno (2Tm 2.4).

          Por conseguinte, o casamento misto é concernente à união (vice-versa) de um crente com uma descrente; de um justo com uma injusta; de um cristão com uma seguidora de uma religião não cristã; de um crente espiritual, santificado, devoto e piedoso com uma carnal, mundana e ímpia; de um que professa a fé no verdadeiro Deus com aquela que não dá a mínima ao Deus da Bíblia, nem se interessa por segui-Lo. Ele pode, no entanto, ser chamado “casamento misto” ou “casamento inter-religioso”.

        Este estudo visa alertar os solteiros e viúvos, que almejam casar-se, a fito de não caírem nas uniões mistas, já que são prejudiciais tanto para a vida espiritual quanto para a felicidade e a permanência do amor no matrimônio.

 

 

1 – A Ordem Suprema do Todo-Poderoso

 

         O Senhor, desde a Sua Lei, advertiu ao Seu povo condenando o casamento misto. Tal ordem é reafirmada no Novo Testamento. A repulsa do Altíssimo quanto a isso é evidente. Vejamos:

 

          Êxodo 34.11-16: Guarda o que eu te ordeno hoje: eis que eu lançarei fora diante de ti os amorreus, e os cananeus, e os heteus, e os ferezeus, e os heveus e os jebuseus. Guarda-te que não faças concerto com os moradores da terra aonde hás de entrar; para que não seja por laço no meio de ti. Mas os seus altares transtornareis, e as suas estátuas quebrareis, e os seus bosques cortareis, porque te não inclinarás diante de outro deus: pois o nome do Senhor é Zeloso: Deus zeloso é ele, para que não faças concerto com os moradores da terra, e não se prostituam após os seus deuses, nem sacrifiquem aos seus deuses, e tu, convidado deles, comas dos seus sacrifícios, e tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, e suas filhas, prostituindo-se após os seus deuses, façam que também teus filhos se prostituam após os seus deuses.

 

            Deuteronômio 7.1-5: Quando o Senhor teu Deus te tiver introduzido na terra, a qual vais a possuir, e tiver lançado fora muitas gentes de diante de ti, os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus, sete gentes mais numerosas e mais poderosas do que tu; e o Senhor teu Deus as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas concerto, nem terás piedade delas; nem te aparentarás com elas: não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos, pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.Porém assim lhes fareis: Derrubareis os seus altares, quebrareis as suas estátuas; e cortareis os seus bosques, e queimareis a fogo as suas imagens de escultura.

 

          2Coríntios 6.14-17: Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e Eu serei o Seu Deus e eles serão o Meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei.

 

 

2 – O Exemplo de Esdras

 

            O sacerdote Esdras, conhecedor da Lei de Deus, ficou perplexo quando tomou conhecimento de que o povo, depois de haver voltado do exílio, tomava mulheres dos povos gentílicos em redor, a misturar semente santa (Ed 9.2). Deste modo, começaram a seguir as abominações dos povos (Ed 9.1). Esdras, no entanto, chora e rasga seus vestidos — sinal visível de humilhação e contrição —, porque busca com profunda dor a ajuda do Altíssimo, em reconhecimento que havia deixado o mandamento do Senhor, violando-o, uma vez que seu povo se aparentava com os povos incrédulos que não seguiam o verdadeiro Deus (Ed 9.10-14). Assim, purificaram-se e tomaram a atitude de obedecerem ao Grande Deus (Ed 10.1-13).

           Na Festa dos Tabernáculos, Esdras leu a Lei de Moisés (Ne 7.73 a 8.12). Os líderes do povo estabelecerem uma aliança (Ne 9.38 a 10.39) e prometeram renovar os compromissos com Deus, dentre os quais manter a pureza conjugal.[1]

 

         a) “Casamento misto” não tem a ver com questões raciais. É digno de nota que a exigência do sacerdote Esdras para os israelitas deixarem as mulheres pagãs, visto que estavam corrompendo a semente santa (Ed 9.1,2), era uma purificação de âmbito espiritual e referente à fé no Santo de Israel; esta que estava em jogo. Tal ordenança nada tem a ver com questões raciais. Deus não faz acepção de pessoas (Dt 10.17). A prova é que estrangeiras chegaram a unir-se com servos de Deus no Antigo Testamento, mostrando, de fato, que não há proibição relativamente a isso da parte do Senhor, tal como Zípora — mulher cuxita (Nm 12.1), ou seja, de Cuxe (Etiópia) — casou-se com Moisés (Ex 2.21,22), Rute — mulher moabita — casou-se com Malom (Rt 4.10; 1.2-4). Ambas, embora estrangeiras, passaram a seguir o Deus de Israel e temeram a Sua Palavra (Ex 4.18-21; Rt 1.14-18).

             Há também o caso de Raabe — uma prostituta de Jericó que recebeu os espiões (Js 2); esta mulher passou a servir ao Deus dos hebreus e habitar em Israel (Js 6.25). Posteriormente, casou-se com o Salmom — israelita, cujo era filho de Naason, que fora líder do povo de Judá na época de Moisés (Nm 1.7). Da união de Salmom com Raabe foi gerado Boaz — bisavô do rei Davi, de maneira que eles passaram a fazer parte da árvore genealógica de Jesus Cristo — o Filho de Deus. Veja Mateus 1.5,6.

 

         b) O que seria, portanto, o casamento misto? O cerne da questão é o casamento misto, quer dizer, inter-religioso, e não a união inter-racial. O que vai contra a vontade do Senhor é o casamento inter-religioso, porque este afeta a fé pura e genuína no Deus da Bíblia e corrompe a vida moral e religiosa, acarretando consequências para o casal.

       Essa ordem continua patente no Novo Testamento: Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34), mas continua condenando o casamento inter-religioso, isto é, misto (que mistura as crenças), a fim de não ser danoso à fé que uma vez por todas foi dada aos santos (2Co 6.14 a 7.1).

 

 

3 – Terríveis Exemplos de Casamento Misto e Seus Danos

 

            A Bíblia mostra exemplos de finais terríveis àqueles que caem no laço do casamento misto. Não buscaram o conselho do Senhor para casarem-se, por isso foram pasmosamente enganados. Eis os exemplos:

 

            a) Salomão. Para compreensão da história de Salomão, existem quatro pontos da vida dele que servem de base para elucidação:

             1) a garantia do trono para Salomão (1Rs caps. 1 e 2);

             2) a sabedoria de Salomão e seus resultados (1Rs caps. 3 a 8);

             3) a fama de Salomão em todo o mundo e o estopim de sua apostasia (1Rs caps. 9 a 11.8); e

             4) a oposição a Salomão (1Rs 11.9-43).

No campo religioso, as esposas de Salomão — mulheres pagãs e idólatras: filha de Faraó, moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e heteias — fizeram com que ele se desviasse de seguir ao verdadeiro Deus de Israel (1Rs 11.1-10). Antes disso, o Todo-Poderoso havia lhe dito: “Não entrareis a elas, e elas não entrarão a vós; doutra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses”. Mas “a estas se uniu Salomão com amor” (1Rs 11.2). No final, o “coração entendido” de Salomão tornou-se um “coração dividido” (1Rs 11.4,9), de sorte que a palavra do Senhor veio como um julgamento por seus pecados (1Rs 11.11-13). O reino seria dividido e tirado do controle da dinastia de Davi.[2]

            Quem é amarrado pelo casamento misto perde o controle de sua vida e a entrega totalmente nas mãos do Diabo. Isso foi a desgraça na vida de Salomão, também tem sido na vida de muitos.

 

            b) Sansão. Este era nazireu de Deus (Jz 13.5,7,14 comp. Nm 6.2-5) e décimo terceiro juiz de Israel. Os filisteus eram idólatras e inimigos terríveis dos judeus (Jz 3.1-3). Na época de Sansão, eles tinham conquistado grande parte do território de Israel (Jz 14.4). Sansão, entretanto, experimentou um sucesso apenas parcial e logo foi induzido à imoralidade, seduzido por mulheres atraentes.

           Sansão era um homem de temperamento colérico[3], além do mais, desprovido de espiritualidade, tornou-se volúvel por conta do pecado que tanto o assediou (Jz 14.1,2; 16.1). A bem da verdade, Sansão enroscou-se no laço do casamento misto duas vezes, e não somente uma vez — como comumente se pensa.

           Sansão, descendo a Timna — uma vila em Dã (Js 19.43), viu uma filisteia e ansiou tomá-la por mulher. Contou tal “saga amorosa” — o “amor à primeira vista” aos seus pais, que já, de antemão, o rejeitaram veementemente, por ser casamento misto, contrário à Lei de Deus (Jz 14.1-3; Ex 34.11-16). Possa ser que, a princípio, Sansão buscasse ocasião contra os filisteus (Jz 14.4); todavia, fracassaria ainda assim, porque — além de opor-se à ordenança de Deus — era levado por suas emoções carnais, não conseguindo tirar forças do Alto para vencer as paixões da carne (cf. Jz 14.7). Como era nazireu de Deus, não podia se chegar a corpo morto (Nm 6.6), mas tomou o favo de mel retirado do cadáver do leão que ele tinha matado — pela apoderação do Espírito nele — há alguns dias. Deu o mel para os seus pais, porém escondeu que era proveniente do leão morto (Jz 14.8,9). Tomando Sansão a filisteia por mulher, fez um banquete por tal realização — costume dos jovens da era (Jz 14.7,10). Deste modo, os filisteus — povo pagão, idólatra, asqueroso e sutil da mulher com qual casara — deram 30 de seus companheiros a Sansão para festejarem os sete dias de sua festa matrimonial. De maneira que Sansão lançou um enigma sob a premiação de 30 lençóis e 30 mudas de vestes (camisas): “do comedor saiu comida, e doçura saiu do forte”; contudo, ao contrário, se os 30 companheiros dos filisteus não descobrissem, teriam de dar a Sansão o prêmio (Jz 14.12-14).

           Como esse estado de rebeldia havia avançado e aquele casamento estava completamente fora da vontade de Deus — até já em bodas — os 30 filisteus persuadiram sua conterrânea — a mulher filisteia de Sansão, para que fizesse a cabeça dele e declarasse o enigma. Caso ela não o fizesse revelar, poriam fogo nela e na casa de seu pai (Jz 14.15). E a mulher de Sansão chorou diante dele, e disse: Tão somente me desprezas, e não me amas; pois deste aos filhos do meu povo um enigma para decifrar, e ainda não o declaraste a mim. E ele lhe disse: Eis que nem a meu pai nem a minha mãe o declarei, e te declararia a ti? E chorou diante dele os sete dias em que celebravam as bodas; sucedeu, pois, que ao sétimo dia lhe declarou, porquanto o importunava; então ela declarou o enigma aos filhos do seu povo (Jz 14.16,17).

            Por causa desse procedimento hábil, enganoso e covarde, decifraram o enigma. Resultado: Sansão — percebendo que por tramoia declararam o enigma — matou 30 homens dos próprios filisteus, tomou suas vestes e deu aos 30 que persuadiram sua mulher a fazê-lo. Ele, terrivelmente furioso e sem autocontrole, rompe o casamento por conta dessa enorme traição; assim, seu sogro entrega sua mulher ao seu próprio companheiro, que andava com ele (Jz 14.19,20; 15.1-3). Em resumo, o casamento misto fez Sansão ser traído três vezes: (1) Pelos filisteus, (2) por sua esposa e (3) e por seu companheiro, que era, às ocultas, um amigo-urso.

           A tentativa de seu sogro de oferecer-lhe a outra mais nova apenas o deixou ainda mais furioso (Jz 15.2) e o fez jurar que “ficaria quite”, se amarrasse tochas acesas nas caudas de 300 raposas presas em pares. E Sansão “chegou fogo aos tições, e largou-a na seara dos filisteus, e assim abrasou os molhos” (Jz 15.6). Por causa disso, os filisteus mataram queimados o sogro e a moça com a qual se casara (Jz 15.6). O povo de Sansão ficou exasperado (muito irritado) com sua vingança e com sua réplica — “assim como eles me fizeram a mim, eu lhes fiz a eles” (Jz 15.11), e achou ainda que sua resposta não foi convincente.[4]

             No começo, o casamento misto é saboroso como o mel, mas depois torna-se amargo como o fel! É um tiro no escuro a união mista! Ela, a certa época consumada, pelos problemas que desencadearão, pode levar um dos cônjuges a cometer erros gravíssimos, atitudes insanas, violentas e desesperadoras, porque as crenças vão-se chocar. Uma hora ou outra as “fés” vão colidir. Haverá uma guerra espiritual: os demônios travarão batalhas contra o verdadeiro Deus. O casal perde o controle de si. Houve uma traição concernente à fé, de forma que os frutos serão colhidos mais cedo ou mais tarde. No casal, unido por Deus, deve haver “uma só fé” (Ef 4.5).    

          Como se não bastasse Sansão ter vivido essa experiência tão danosa por conta do casamento misto, cai outra vez no laço do Adversário. A princípio, parecia que nada aconteceria a Sansão — governou Israel por vinte anos (Jz 15.20), até que caiu em pecado diante da beleza de Dalila (Jz 16.1) — mulher vulgar e prostituta da cidade de Gaza. Ela usou seu poder de sedução para descobrir o meio de vencê-lo. O segredo de sua força foi descoberto: não consistia em ser amarrado com sete cordas de nervos em outra coisa qualquer (Jz 16.7-9,11,12).[5] Pelo contrário, Sansão contou a Dalila que era um narizeu de Deus (Jz 16.16,17). Os cabelos eram o símbolo exterior do voto e da consagração. Lemos que, depois das sete tranças dos seus cabelos terem sido rapadas, retirou-se dele a sua força. Quando, porém, Sansão acordou, a Bíblia não diz que fracassou porque seus cabelos foram cortados, mas porque “já o Senhor se tinha retirado dele” (Jz 16.20).[6]

          Sansão, desenfreadamente rebelde contra o Santo de Israel, perdeu o Espírito Santo e o nazireado. Os filisteus sacaram ambos os olhos, prenderam-no com duas cadeias de bronze e o deixaram moendo no cárcere, enquanto festejavam a sua derrota (Jz 16.21).

          O casamento misto tira a presença do Espírito Santo da vida do salvo. Ele rejeitou a iluminação do Senhor em sua caminhada, portanto, vive numa escuridão, guiado por seus desejos e intentos. A união mista é um fracasso na vida do crente! Em certa altura desse casamento, por certo, haverá desobediência e traição a algum dos mandamentos da Lei de Cristo, pois o consorte descrente o estimulará a isso, alegando que se não for à sua maneira é prova que “não sente amor”. Quando isso ocorre, indubitavelmente, é o fim como o de Sansão... É a retirada fatal do Espírito, o que resultará futuramente no sofrimento duma pessoa caída, enrolada e destruída pela armadilha de Satanás. Terá de sofrer uma vida infeliz e de desobediência. Só as mãos de Deus para socorrer, a Seu tempo...

 

          c) Esaú. Este casou-se com as filhas dos heteus (ou hititas), porém seus pais ficaram amargurados por tal rebeldia contra o Santo de Israel: Ora sendo Esaú da idade de quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate filha de Elom, heteu. E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito (Gn 26.34,35; cf. 27.46). Por que seus pais sentiram esse ressentimento intenso e duradouro, misturado com tristeza, dor, aflição e decepção? Os israelitas serviam o Deus Altíssimo e não podiam unir-se a falsos deuses, nem com aqueles que serviam divindades falsas, pois o Senhor exigia santidade. Como Esaú casou-se com heteias, é sabido que seus descendentes eram inimigos do povo judeu e do Deus verdadeiro. Segundo Emílio Conde:

 

          A religião dos hititas era composta de elementos heterogêneos, ou seja, desiguais. [...] O grosseiro antropomorfismo dos deuses hititas domina todas as manifestações de culto, de modo que cultuavam a numerosas divindades, em sua maioria personificações de fenômenos naturais. O sacrifício é reconhecido como alimento das deidades. [...] Eram comuns artes mágicas e adivinhatórias.[7]

 

            Logo, não tinha como haver compatibilidade entre a fé verdadeira e as crendices hititas. O salvo achega-se ao Eterno por meio da fé (Hb 11.6), conseguintemente, como viverá com alguém que, por não possuir a fé verdadeira, está longe de Deus? “Longe está o Senhor dos ímpios” (Pv 15.29).

 

          d) Acabe. Uma primeira leitura dos capítulos 16.29 — 22.40 do livro de 1Reis, revela que a mistura de crenças foi desastrosa para o povo de Deus. Na prática, o culto ao Deus verdadeiro foi substituído pela adoração ao deus falso Baal, trazendo como consequência uma apostasia sem precedentes e pondo em risco até mesmo a verdadeira adoração a Deus. O casamento misto de Acabe com Jezabel — filha de Etbaal, rei dos sidônios — foi uma das causas da apostasia no Reino do Norte, chamado também de Israel.  

            Acabe “tomou por mulher a Jezabel — filha de Etbaal, rei dos sidônios —; e foi e serviu a Baal, e o adorou” (1Rs 16.31). Jezabel trouxe para Israel seus deuses falsos e também seus falsos profetas (1Rs 18.19). A união de Acabe com Jezabel demonstrou logo ser calamitosa, pois através de sua influência, Acabe “levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria” (1Rs 16.32). A institucionalização da idolatria em Israel fica evidente quando Acabe “fez um poste-ídolo, de maneira que cometeu mais abominações para irritar ao Senhor, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele” (1Rs 16.33). Foi em decorrência desse casamento pagão que a idolatria e o culto a Baal entraram com força em Israel.

           Os crentes devem tomar todo o cuidado para evitar as uniões mistas.[8] O relacionamento misto é tapeador — porque, no início, mostra-se como “a mais bela e perfeita história de amor”, mas, às ocultas, usa de engano e ação desonesta, só esperando a hora do matrimônio chegar e revelar seu real intuito, já que — após consumado (e a vítima atada), por quaisquer meios — há de implantar suas formas de crer, de pensar, de agir, etc.

 

           e) O engano de Balaão. Judas v.11 ressalta aos olhos sobre o “engano de Balaão”: Ai deles! [...] foram levados pelo engano do prêmio de Balaão. De acordo com Números 31.8,16, Balaão, seduzido pela bajulação de Balaque — rei moabita que o convocara para amaldiçoar Israel (Nm 22.2,17) — aconselhou os midianitas a atrair os israelitas para os pecados sexuais em Peor. Era uma união mista: dos israelitas (seguidores do Todo-Poderoso) com as moabitas, as quais seguiam deuses pagãos e sacrificavam-lhes (Nm 25.1,2). Por essa razão, tanto os israelitas pereceram terrivelmente (cf. Nm 25.9) como Balãao, que juntamente com os seus homens e os reis midianitas foram mortos por Moisés (Nm 31).[9]

         Ai daqueles que entrarem pelo mesmo caminho e caírem no engano de Balaão: o casamento misto! (2Pd 2.15). O engano de Balaão continua conduzindo inúmeros crentes ao alçapão da união mista! Após sorrateiramente serem induzidos e caírem na armadilha, ficam isolados à própria sorte e sem a intervenção divina, já que rejeitaram a voz do Salvador.

          Atualmente existem “profetizadores” (cf. Ez 13.2), usados pelo espírito de Balaão, oferecendo a união mista aos cristãos solteiros no seio da igreja. Há aqueles que “revelam” para as pessoas, que jazem enroladas nesse relacionamento contrário à ordem divina — seja no noivado, seja no namoro, prosseguirem em tal situação; todavia, não são usados pelo Santo de Israel, mas usam na caradura o nome do Senhor e revelam segundo seus corações. Veja Jeremias 23.25-27. São, na verdade, “profetas de banheiro”, e não do Deus da Bíblia, pois jamais os Seus dons, conferidos à Igreja até a vinda de Jesus, vão contra a Sua Palavra! (Hb 1.1; Pv 30.5,6; Hb 6.18). Por certo, são profecias e revelações falsas, que devem ser rejeitadas (Dt 13.1-5; 1Jo 4.1). Os tais são usados pelo “espírito de Balaão”, ou seja, “espíritos enganadores” (1Tm 4.1).

A Astúcia do Casamento Misto