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Não Se Acostume com Este Mundo

 

E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela 

renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2).

 

         Perguntaram ao fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado: “O que você apontaria como uma das piores características do ser humano?” Salgado, que — de 1993 a 1999 — fotografou aproximadamente 44 milhões de refugiados de guerras e desastres naturais nos quatro ventos da Terra, respondeu: “A capacidade do homem de se acostumar.

           Muitos que hoje trabalham no Instituto Médico Legal (IML), quando em seus primeiros dias, não conseguiam comer, pois sentiam ânsia, asco e nojo, por verem cadáveres abertos todas as horas passando — uns para ser estudados, outros engavetados, outros para necropsia. Todavia, após alguns meses de trabalho, acostumaram-se com a situação. Passaram a comer normalmente, como se nunca tivessem se sentido mal. 

       A fim de evitarmos o sofrimento, acostumamo-nos pela falta de esperança; por vezes, somos injustiçados pelos homens, o que resulta, erroneamente, em associarmos o Altíssimo a isso; assim, descremos nas promessas da Palavra de Deus da Segunda Vinda de Jesus e do Eterno Lar — a suprema bem-aventurança dos santos pelos séculos dos séculos. 

       Nós nos acostumamos a fazer parte desse cristianismo pérfido, frio, mundano e sem poder. Quando é dito que — por meio da leitura constante das Escrituras, da oração, da consagração, da santidade, dos dons espirituais, do Batismo no Espírito Santo, da evangelização — o Rei da Glória pode derramar um legítimo avivamento e usar-nos para fazer estremecer esta nação, de modo que muitos serão regenerados e entrarão salvos pelo sangue de Jesus na eterna glória — a gente se acostumou em achar que isso foi somente para os apóstolos, e pensamos ser impossível para os dias de hoje. Habituamo-nos a passar pela vida adormecidos espiritualmente e autômatos, sem viver o ideal que o Evangelho proporciona para nós, sem sentir e possuir os bens da Graça.

           Acostumamo-nos com a violência, com a mentira, com o engano, com a falta de ética e moral, com os homicídios, com a falta dos bons costumes, com a falta de santidade — não sentimos mais a dor das almas: o mundo chora, geme e busca salvação em falsos deuses e religiões, em igrejas que se venderam ao pecado, ao comércio da fé, aos mesmos comportamentos, vestuários, adornos, palavras, ideologias e atitudes do mundo — e nós de braços cruzados a dizer: “cada um na sua.” Habituamo-nos ao pecado e amoldamo-nos às novas estruturas deste século, e ainda pensamos que estamos no caminho certo. Falar contra isso é “legalismo”, e impor regras aos outros...

     A gente habituou-se a ser duma igreja, e não da Igreja; a gente se acostuma com o culto e logo vira um simples hobby. Acostumamo-nos a não ter abundância espiritual, a não pensar nas coisas e situações, a não pensar no nosso fim, a não pensar onde passaremos a eternidade.

      Não vivamos ajustados às estruturas do sistema pagão e iníquo de Satanás que governa este mundo. Agasalhemo-nos no Senhor da Glória e exerçamos o discernimento. Quem é santo santifique-se ainda! Somente o discernimento do Espírito não nos deixará acostumar-se com as prodiqueiras deste século e renovará o nosso entendimento todos os dias.

 

Johny Mange